144/365 RAW (GRAVE)

Acho que depois de ter assistido Raw eu vou passar uns dias só vendo comédia romântica fofinha de amorzinho, porque olha, que filme!

O francês Raw (aqui no Brasil se chama Grave, mas nem rola esse nome pessoal) é um terror literalmente visceral, punk, animal, bem bom.

O filme conta a história de uma garota, vegetariana radical, que começa a faculdade de veterinária, a mesma que sua irmã estuda e que seus pais também estudaram antes delas.

No trote, ela é forçada a comer carne, um pedaço de fígado de coelho, o que acaba causando efeitos bem sérios nela.

Começa uma coceira bem forte com manchas pelo corpo, meio que uma urticária desgraçada e a partir daí, tudo muda.

Ela começa a comer carne, vai pra carne crua, até que num acidente na hora da depilação, ela se delicia com o dedo da irmã.

Não, Raw não é uma comédia. O filme é sério, pesado, explícito, sem concessões. Sabe canibalismo? Pois é. Mas não só, Raw é bem erótico, bem mais do que até eu esperava. E funciona lindamente.

A garota descobre mais ou menos o que está acontecendo com ela e como ela pode tentar resolver essa fome desmesurada que apareceu em sua vida.

Muito sangue, muita câmera na mão, muito sangue, muito mais sangue e o filme vai embora, super bem dirigido e escrito pela francesa Julia Ducournau e com um elenco de dar inveja, Raw é um filme bem peculiar sobre o desabrochar de uma garota para a vida adulta.

Se você tem estômago forte, assista Raw que vale a pena.

Minha teoria sobre um recadinho do Lynch no novo Twin Peaks.

Ontem estreou a terceira temporada de Twin Peaks, a série de tv mãe de todas as séries de tv que tanto gostamos hoje em dia.

Pra quem como eu (véio) assistiu e ficou chocado com a série quando estreou 20 e tantos anos atrás e passava na Globo nas madrugadas de domingo pra segunda feira, ver os novos episódios de Twin Peaks hoje na Netflix, um dia depois de passarem nos EUA é um presente dos deuses da tv (ops, desculpe aí Neil Gaiman).

O episódio começa com a sempre fofa Laura Palmer na sala vermelha falando de trás pra frente só que não para o agente Cooper que eles se encontrariam 25 anos depois e bingo, cá estamos 25 anos depois do último episódio da segunda temporada.

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Deu um aperto no coração ver uma sequência linda e inédita da Log Lady vivida pela atriz Catherine Elizabeth Coulson, falecida em 2015.

Mas o que me chocou, e acho que todo mundo, foi a morte do casal de “novinhos”.

E pra mim essa morte me pareceu um recadinho de David Lynch, que se foi mesmo, nunca saberemos porque o cara nunca fala nada de sua obra, ele diz que tudo se reponde por si mesmo e pela interpretação do espectador.

Bom, um jovem de uns 20 anos está trabalhando num galpão lindão e seu trabalho é observar uma caixa enorme de vidro, rodeada de câmeras gravando por todos os lados, onde ele de tempos em tempos troca os cartões de memória com as gravações.

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Eis que uma outra jovem vem lhe trazer café e, sem o segurança na porta, entra no galpão que não poderia ter entrado. Os dois se sentam e observam a caixa.

Ele diz que tem que prestar atenção para algo que possa acontecer e diz que nunca viu nada, mas que a pessoa que trabalhou antes diz ter visto, mas ele não sabe o quê.

Eles trocam olhares, começam se beijar, tiram as roupas até que a caixa vai sendo tomada por uma espécie de fumaça negra e na fumaça aparece uma criatura (obviamente) bem estranha, com corpo de mulher mas com o cabeça não definida.

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A criatura arrebenta uma das paredes de vidro, saindo da caixa e indo direto pra cima do casal e os estraçalha em uma das piores (melhores) mortes de Twin Peaks.

Agora vai minha teoria besta: a caixa de vidro é a televisão; o casal é a molecada de hoje em dia que se senta em frente às neflix’s da vida e ao invés de prestarem atenção vão se pegar; o monstro bizarro e disforme e impiedoso é o próprio Twin Peaks que volta pra fuder com a parada toda.

Viagem demais?

134/365 THE DEVIL’S CANDY

Puta filme desgraçado.

Um artista plástico metaleiro meio falido, sua mulher e sua filha metalerinha, se mudam pra uma casa que eles compram numa oportunidade única e barata. Detalhe: na casa morreu um casal que lá vivia, ninguém comprava, encalhou e por isso a oportunidade.

Até aí tudo bem. Eles se mudam, o ateliê do cara melhora, a mulher se fode mais pra trabalhar longe, a filha muda de escola e também se fode. Mas o metaleiro se anima com a mudança e começa a produzir muito. Só que ele não entende como pinta, porque entra em uns transes, ouve uns sussurros e medo pra caralho.

Casa assombrada, lembra?

Possessão de leve.

Ah, tem ainda o Pruitt Taylor Vince, sabe?

Não? Olha a foto dele pra lembrar.

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Então, acho que finalmente escreveram uma personagem pra ele e seu phisique du role tão peculiar.

Ele é o filho do casal que morreu na casa e quer voltar pro seu lar e continuar matar crianças que são… tentem adivinhar… os docinhos do demônio do título do filme.

Voltando lá: que filme desgraçado. Me caguei bem. E que trilha, minha gente, que peso, que gritaria, que trilha!

Moral da história: não ouça heavy metal porque é a música do demo e se ouvir muito e chamar, ele vem.

Outra moral da história: se for metal head e não tiver jeito, pelo menos tenha uma bela guitarra em casa, fica a dica.

121/365 A DARK SONG

A Dark Song é um dos filmes mais inquietantes dos últimos anos.

O filme conta a história de uma mulher que contrata os serviços de um homem que se diz mago que lida com forças sobrenaturais e que pode ajudá-la a entrar em contato com seu filho morto.

Só que obviamente as coisas não são tão simples assim.

O filme se passa no Reino Unido, a magia de lá é sempre melhor que a magia do resto do mundo, em casos como esse de mago dos dias de hoje, pelo menos cinematograficamente falando.

O ritual é lento, desafiador, mega detalhado.

As “coisas” que vão acontecendo bem lentamente, bem vagarosamente, nos deixa na dúvida se é real ou se eles estão delirando e imaginando.

O diretor e roteirista do filme, o estreante Liam Gavin, constrói seu filme com esses adjetivos: lento, desafiador, detalhado, delirante.

Em princípio achei o filme arrastado.

Mas logo me dei conta os sentimentos de irritação e nervosismo e ansiedade que os personagens sentiam, era o que eu estava sentindo também.

E o adjetivo que por fim traduz o filme é sutileza. Agora, sutileza num filme de terror de ritual satânico para chamar demônios do inferno, nada é tão sutil.

Muitos pontos para o diretor que criou esse tour de force de 2 atores trancados em uma casa tentando falar com anjos e demônios em meio a muita violência física e moral (um pouco até demais de violência contra a mulher) e muita, mas muita sensação de perda de resistência e de achar aquele último sopro de vontade no fundo do ser.

Tudo isso culminando com um final surpreendente, sempre embalado por uma das melhores trilhas sonoras de filme de terror que já ouvi.

119/365 O SENHOR BABADOOK

Vamos falar de filme bom.

O Senhor Babadook é um filme super recente, de 2014, mas que já é um clássico.

O filme australiano parece um feito nos anos 80 na era de ouro do terror, com os mesmos tipos de sustos, os mesmos truquezinhos de roteiro, a mesma crueldade pré politicamente correto.

Revi o filme 2 dias atrás na Netflix e queria registrar meu amor aqui.

O Senhor Babadook conta a história de uma mãe solteira que cria seu filho problemático com dificuldades.

Ela sofre até hoje porque seu marido morreu num acidente de carro quando seu filho nasceu. E o menino sabe disso e faz questão de contar pra todo mundo sempre que pode, e no caso dele, um menino punkzinho de 8 anos de idade, pode a qualquer hora dizer o que lhe vem a mente.

Um dia a mãe acha no quarto do menino um livro de histórias que ela não conhecia, sobre o senhor Bababdook, um cara de capa preta e cartola que aterroriza muito no livro, que é o máximo, uma história de terror bem absurda num livro pop up lindo.

Só que o menino caga de medo com a história e a mãe para no meio de contar pra ele ao mesmo tempo que lê pra ela até o fim e não acredita no que acabou de ler.

A partir de então, suas vidas entram numa espiral de coisas erradas e o menino diz que tudo é por causa do Babadook, que aliás, está preso no porão da casa deles, segundo o menino.

O filme até então é um drama de horror, de tristeza, bem deprê mostrando a vida dessa família. Só que nada é tão ruim que não possa piorar. E depois do livro, dá medo só de lembrar.

Por que eu tô escrevendo desse filme hoje, você pode perguntar? Bom, antes de ontem eu revi o filme na Netflix e como nunca tinha escrito nada antes, resolvi deixar o meu textinho de amor pelo Babadook.

O Senhor Babadook é um filhote de Poltergeist e deste herdou todas as qualidade. Assim como The Void, que eu adorei, é um filhote de Hellraiser.

Eu estou sentindo uma vibe de filmes novos com referências aos anos 80  e 90 e tô muito feliz por isso. Acho que finalmente a onda de filmes de “found footage” vai terminar e com força total vão voltar esses filmes de monstro.

Torcendo muito aqui por isso.

117/365 A AUTÓPSIA DE JANE DOE

Mais um terror bom que eu finalmente assisti.

Pra começar, os atores Brian Cox e Emile Hirsch estão ótimos nos papéis de pai e filho responsáveis pelas autópsias de uma cidadezinha sossegada.

Eles dão uns showzinhos mesmo.

Detalhe: eles trabalham no porão da casa deles, onde moram só os 2.

Um dia o xerife da cidade traz o corpo de uma mulher sem identificação, a Jane Doe do título, como eles os chamam nos EUA, e quando a autópsia começa, a putaria começa.

Ops, o terror começa.

Imagina a doideira de pai e filho no porão de casa começando uma autópsia de um corpo de uma mulher em perfeito estado de conservação, sendo que foi encontrado enterrado e não sabem há quanto tempo estava embaixo da terra.

Medo de verdade.

Filmaço com um puta clima tenso, belo roteiro e bela construção de história e de revelações.

115/365 PERSONAL SHOPPER

Finalmente consegui assistir Personal Shopper, o filmaço do meu diretor francês preferido Olivier Assayas.

Tá bom, de um dos meus diretores franceses preferidos, junto com o Bruno Dummont, o François Ozon, o…….

Imagino o Assayas chegando na produtora dele depois do sucesso retumbante do puta filme (sim, eu amo mesmo) Nuvens de Sils Maria e falando: quero fazer uma filme de fantasmas.

Com a Kristen Stewart.

Bem fashion.

Vou filmar em Paris, Milão, Londres e em Omã.

E pimba.

Acertou na mosca de novo.

Assayas vem recolhendo louros e mais louros ultimamente.

Com Personal Shopper ele foi premiado em Cannes do ano passado como melhor diretor, dividindo o prêmio com o romeno Cristian Mungiu do meu outro preferido Bacaleaureat.

Com Nuvens, Kristen Stewart ganhou o Cesar, “o Oscar francês” de melhor atriz coadjuvante falando inglês. Foi um escândalo quase tão grande quanto o da Isabelle Adjani vencendo com Rainha Margot e lendo os Versos Satânicos ao vivo, quando o Rushdie estava fugindo dos muçulmanos.

Aliás, Nuvens foi o filme que tirou de vez a cara de vampira da Kristen e Assayas, esperto, já engatou outro e ela tá melhor ainda, sem aqueles trejeitos chatinhos e adolescentes, inclusive com cenas nuas pra acabar com tudo de vez.

Kristen faz a personal shopper do título, uma americana em Paris que faz compras de roupas e joias pra uma ricaça importante, jet setter, que viaja pra cima e pra baixo em festas  e cuida de uma fundação que ajuda gorilas e por isso (tadinha) não tem tempo de ir às lojas experimentar e escolher roupas.

No meio disso tudo, ela tenta se comunicar com seu irmão gêmeo morto. Eles combinaram que quem morresse primeiro mandaria mensagem do outro mundo pra quem ficasse. E ela e seu irmão são médiuns, enxergam fantasmas, sentem presenças e outras  coisas, o que ajudaria a receber a mensagem.

Um dia, indo de Paris de trem para Londres buscar as últimas criações de um designer fodão, ela recebe umas textos no celular de alguém que sabe exatamente o que está acontecendo com ela e quando ela pergunta quem é, pergunta também se é alguém vivo ou morto.

Esse “fantasma do celular” vai literalmente assombrar a vida da jovem.

Parece tudo confuso mas é um pouco mesmo.

Uma história surreal dentro de uma rotina besta de uma americana em Paris.

Nada bizarro pra um puta diretor que faz Cinema com C maiúsculo.

Viva mestre Assayas.

 

112/365 PREVENGE

Tenho uns amigos bem bizarros.

Postei outro dia dizendo que eu tinha curtido The Void e o povo caiu matando que o filme era uma porcaria, fraco, história besta, mas no fundo é um puta dum terror anos 90’s feito hoje em dia. Não deve nada à estética dos primeiros Hellraiser, por exemplo.

Bom, me indicaram esse Prevenge, como um filme bom.

Assisti e achei o pior filme do ano até agora.

Que boixta.

O filme acompanha uma mulher em seus últimos dias de gravidez, matando várias pessoas das formas mais bestas e sem sentido possíveis. Tudo a mando de seu feto.

Premissa boa.

E ela se safa de todos os assassinatos, como se vivesse nos anos 40, por exemplo, e não existisse polícia minimamente equipada.

Dia que é uma comédia de terror, mas esqueceram de avisar quem fez o filme, porque o humor é inexistente e o terror, os sustos? Ai ai ai.

Roteiro? Nenhum.

Direção? Pfffff.

Elenco? Tosco.

Fuja.

Fuja mesmo.

111/365 EVOLUÇÃO

Faz mais de 1 ano que eu vi pela primeira vez o trailer de Evolução e desde então fiquei doido pra assistir.

O filme francês, dirigido por Lucile Hadžihalilović, é uma das coisas mais lindas e líricas e estranhas que vi ultimamente.

No que parece ser uma praia perdida ou melhor ainda, uma ilha perdida, onde só moram mulheres adultas e meninos de até uns 11 anos de idade, nada acontece. Ou melhor, coisas estranhas e misteriosas acontecem e um desses meninos tenta descobrir o quê, depois de ver um menino morto no fundo do mar.

As mulheres, que em princípio são mães desses meninos, trabalham no hospital do vilarejo e performam operações estranhas  nos meninos com resultados os mais bizarros.

Evolução é um terror meio que com cara de ficção científica e ritmo de filme iraniano. Mas um puta filme iraniano.

O clima do filme vai ficando cada vez mais pesado e estranho à medida que vamos descobrindo o que se passa nesse lugar estranho.

O mundo criado em Evolução é absolutamente sedutor e eu me entreguei logo no começo.

A mistura de terror filhote de Cronenberg com estranhezas de Lynch diz muito a que veio o filme.

109/365 THE VOID

Nos últimos anos eu tinha diminuído a minha cota de filmes de terror porque vinha sentindo muito medo.

Mas acho que fui me acostumando de novo, o medo foi passando.

Até que assisti The Void.

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Pelamordosdeusesdosinfernos.

Cagaço nível master.

The Void é filhote do Hellraiser: mesma vibe, mesma tensão, mesmo sarcasmo, mesma frieza e crueldade.

O filme começa com 2 pessoas fugindo de uma casa no meio do nada, uma mulher é morta e o cara consegue fugir no mato, até que um policial passando por uma estrada acha o cara desmaiado e o leva para um hospital que está fechando nas redondezas.

E a putaria começa.

Seita satânica, homens armados alucinados querendo matar todo mundo, roupas brancas e símbolos lindos, porta pro inferno, monstros que crescem em pessoas, monstros que já aparecem monstros, muito susto, muito medo, história boa, médico doido, mulher grávida, casal que perdeu filho recentemente, tudo junto e misturado.

Sem contar nada, assista e morra de medo.

Puta filme. Que venham mais.