168/365 A MÚMIA

A Múmia é ruim.

Bem ruim.

É o tipo de filme que você deixa rolando na tv e fica fazendo outras coisas.

Só que eu, espertão, gastei meu dinheiro pra assistir no cinema e tóin.

A Múmia é a refilmagem, ou melhor, recriação, do clássico de 1932, numa empreitada da Universal que se chama Dark Universe onde eles vão lançar versões novas de outros clássicos a, como A Noiva de Frankenstein, O Homem Invisível, o próprio Frankenstein, Dr Jeckyl e Mr Hyde, estrelados por esses nessa foto/montagem abaixo.

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Russel Crowe, Tom Cruise, Johnny Depp, Sofia Boutella, Javier Bardem

Aliás, que feio, né? Não conseguiram nem colocar todo mundo junto pra uma foto de divulgação de um projeto desse porte?

Se os caras forem espertos, vão repensar em tudo que já estejam fazendo porque esse primeiro filme, grande, caro, com Tom Cruise de herói, não rolou.

Só de pensar no original eu me lembro da múmia do Boris Karloff e do povo chamando I MO TEP.

Nessa nova versão Tom é o herói do filme e é um saqueador de relíquias, junto do seu companheiro engraçado e atrapalhado, claro.

Já começou mal, né?

Por acaso ele descobre no Iraque, num acidente absurdo que ele causa, uma tumba egípcia e, ajudado pelo exército americano e por uma arqueologista, ao invés de estudarem o que tem por lá eles já roubam de cara o sarcófago do sítio arqueológico bem absurdo, tipo uma múmia egípcia enterrada a mais de 2000 km do Egito, numa tumba mortuária gigante, mostrando ser bem importante.

Depois de um acidente de avião, que pra mim só serviu pra poderem filmar em gravidade zero, eles acabam todos no subsolo super equipado onde abrem a tumba e libertam a múmia, que era uma sacerdotisa do mal que volta para recuperar seu amado que é, adivinha quem? Sim, Tom, o Cruise, o egípcio.

Ah, detalhe, o dono desse lugar cabuloso pra onde levaram a tumba é ninguém menos que o próprio Dr Jekyll que vira o Mr Hyde e dá uma surra no baixinho de nariz torto.

Bla bla bla, todo mundo sabe o que acontece, mas na boa, é tudo muito ruim.

O filme já começa mal onde tentam mostrar um herói que saqueia sítios arqueológicos mas deram uma chance pra ele que consegue acabar com uns caras de algo parecido com o Isis, que na verdade também estão saqueando um outro sítio arqueológico, só que, né, são muçulmanos, então não pode.

Daí o texto todo do filme é ruim, com tentativas de piadas ordinárias para um Tom Cruise que não é nem engraçado, nem heróico, nem inteligente, nem esperto. Ele fica perdido no meio de tudo.

E vamos e venhamos: Tom Cruise, com seus 54 anos de idade não tem mais cara de 30 anos de idade pra ter umas mocinhas tão novinhas ao seu lado. Ele tá com cara de véio botocado fazendo força pra parecer saradão e colocam a múmia mais gata possível quebrando tudo pra tê-lo de volta.

Bitch please.

Medo do que está por vir.

P.S. 1 – Assumiram de vez agora que pra se transformar em demo ou bicho do mal os olhos ficam brancos e as pupilas se dividem e multiplicam. Saudade O Exorcista da tv.

P.S. 2 – Outra saudade: A Múmia do Brandon Fraser com a Rachel Weisz, esse sim é filme bom.

Aqui está o novo filme de Neill Blomkamp.

Sim, aqui neste brogue!

Parece que o diretor de Distrito 9 (e de algumas outras porcarias depois) resolveu baixar a bola e fazer uns curtas que ele chama de “experimentais” e liberar na internet.

Rakka, estrelado por Sigourney Weaver, é o primeiro dos filmes dessa nova leva e conta a história de um futuro onde uns aliens muito do mal tomaram conta da Terra.

Visões de terror.

Por favor, Neil, continue nessa pegada.

160/365 O CADÁVER DE ANNA FRITZ

Belo terror espanhol, em princípio surpreendente.

Anna Fritz é a maior atriz da Espanha que morre no auge da carreira, linda e famosa mundo afora, como se fosse uma Penélope Cruz da vida real.

O atendente do necrotério chama seus 2 melhores amigos para darem uma olhada no cadáver da atriz.

Eles se anima, fazem obviamente umas selfies com a mulher morta, até que um deles começa a pegar no peito dela, passar a mão nela e adivinha, faz sexo com o cadáver, para o horror de um e a incredulidade do outro.

Claro que a partir daí as coisas começam a esquentar ou piorar ou dar errado e o medo e a nóia aparecem.

O Cadáver de Anna Fritz é terror, é suspense e é um filme bem tenso e bem filmado.

O filme se passa todo no necrotério, com uma boa fotografia bem fria, bem verde, como deve ser dentro desses lugares anódinos, o que dá mais ainda a impressão de crueza e frieza dos personagens e de como os 3 se comportam em frente a um cadáver.

O roteiro poderia ser um pouquinho mais consistente, mas para a média de filme espanhol recente, tá ótimo.

Só que para a média de filmes com premissas mais bizarras, que tenho visto ultimamente, deixa um pouco a desejar.

E por mais filmes necrófilos, por favor.

148/365 VIDA

Todo mundo ama Alien, O Oitavo Passageiro, certo?

Melhor filme de terror no espaço, top 10 filme da minha vida, mudou o cinema, criou escola, não para!

Vida é um filhote de Alien.

Mas sabe aquele filho que venera tanto o pai que o copia em tudo?

O filho que fala igual, tem os mesmos cacoetes, anda igual, se veste igual.

O filho do dentista que também é dentista e que só não se chama Junior porque a mãe não deixou.

Vida é tipo isso.

Em uma estação espacial voltando para a Terra, uma possibilidade de forma de vida, resgatada pela tripulação de um módulo vindo de Marte, se mostra mesmo uma forma de vida e aos poucos, como no Alien, é também inteligente, se desenvolve rápido e começa a aniquilação dos terrestres mais fracos e, sempre, mais lentos.

Com um elenco de dar inveja encabeçado por Jake Gyllenhaal e, pasme, com Ryan Reynolds quase como coadjuvante, o filme se desenrola da mesmíssima forma que seu pai espiritual.

Só que Vida, apesar dos pesares, tem um belo de um trunfo: o final do filme é de cair o c* da b*nda e tira Vida da sombra de seu pai famoso.

Parabéns!

144/365 RAW (GRAVE)

Acho que depois de ter assistido Raw eu vou passar uns dias só vendo comédia romântica fofinha de amorzinho, porque olha, que filme!

O francês Raw (aqui no Brasil se chama Grave, mas nem rola esse nome pessoal) é um terror literalmente visceral, punk, animal, bem bom.

O filme conta a história de uma garota, vegetariana radical, que começa a faculdade de veterinária, a mesma que sua irmã estuda e que seus pais também estudaram antes delas.

No trote, ela é forçada a comer carne, um pedaço de fígado de coelho, o que acaba causando efeitos bem sérios nela.

Começa uma coceira bem forte com manchas pelo corpo, meio que uma urticária desgraçada e a partir daí, tudo muda.

Ela começa a comer carne, vai pra carne crua, até que num acidente na hora da depilação, ela se delicia com o dedo da irmã.

Não, Raw não é uma comédia. O filme é sério, pesado, explícito, sem concessões. Sabe canibalismo? Pois é. Mas não só, Raw é bem erótico, bem mais do que até eu esperava. E funciona lindamente.

A garota descobre mais ou menos o que está acontecendo com ela e como ela pode tentar resolver essa fome desmesurada que apareceu em sua vida.

Muito sangue, muita câmera na mão, muito sangue, muito mais sangue e o filme vai embora, super bem dirigido e escrito pela francesa Julia Ducournau e com um elenco de dar inveja, Raw é um filme bem peculiar sobre o desabrochar de uma garota para a vida adulta.

Se você tem estômago forte, assista Raw que vale a pena.

Minha teoria sobre um recadinho do Lynch no novo Twin Peaks.

Ontem estreou a terceira temporada de Twin Peaks, a série de tv mãe de todas as séries de tv que tanto gostamos hoje em dia.

Pra quem como eu (véio) assistiu e ficou chocado com a série quando estreou 20 e tantos anos atrás e passava na Globo nas madrugadas de domingo pra segunda feira, ver os novos episódios de Twin Peaks hoje na Netflix, um dia depois de passarem nos EUA é um presente dos deuses da tv (ops, desculpe aí Neil Gaiman).

O episódio começa com a sempre fofa Laura Palmer na sala vermelha falando de trás pra frente só que não para o agente Cooper que eles se encontrariam 25 anos depois e bingo, cá estamos 25 anos depois do último episódio da segunda temporada.

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Deu um aperto no coração ver uma sequência linda e inédita da Log Lady vivida pela atriz Catherine Elizabeth Coulson, falecida em 2015.

Mas o que me chocou, e acho que todo mundo, foi a morte do casal de “novinhos”.

E pra mim essa morte me pareceu um recadinho de David Lynch, que se foi mesmo, nunca saberemos porque o cara nunca fala nada de sua obra, ele diz que tudo se reponde por si mesmo e pela interpretação do espectador.

Bom, um jovem de uns 20 anos está trabalhando num galpão lindão e seu trabalho é observar uma caixa enorme de vidro, rodeada de câmeras gravando por todos os lados, onde ele de tempos em tempos troca os cartões de memória com as gravações.

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Eis que uma outra jovem vem lhe trazer café e, sem o segurança na porta, entra no galpão que não poderia ter entrado. Os dois se sentam e observam a caixa.

Ele diz que tem que prestar atenção para algo que possa acontecer e diz que nunca viu nada, mas que a pessoa que trabalhou antes diz ter visto, mas ele não sabe o quê.

Eles trocam olhares, começam se beijar, tiram as roupas até que a caixa vai sendo tomada por uma espécie de fumaça negra e na fumaça aparece uma criatura (obviamente) bem estranha, com corpo de mulher mas com o cabeça não definida.

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A criatura arrebenta uma das paredes de vidro, saindo da caixa e indo direto pra cima do casal e os estraçalha em uma das piores (melhores) mortes de Twin Peaks.

Agora vai minha teoria besta: a caixa de vidro é a televisão; o casal é a molecada de hoje em dia que se senta em frente às neflix’s da vida e ao invés de prestarem atenção vão se pegar; o monstro bizarro e disforme e impiedoso é o próprio Twin Peaks que volta pra fuder com a parada toda.

Viagem demais?

134/365 THE DEVIL’S CANDY

Puta filme desgraçado.

Um artista plástico metaleiro meio falido, sua mulher e sua filha metalerinha, se mudam pra uma casa que eles compram numa oportunidade única e barata. Detalhe: na casa morreu um casal que lá vivia, ninguém comprava, encalhou e por isso a oportunidade.

Até aí tudo bem. Eles se mudam, o ateliê do cara melhora, a mulher se fode mais pra trabalhar longe, a filha muda de escola e também se fode. Mas o metaleiro se anima com a mudança e começa a produzir muito. Só que ele não entende como pinta, porque entra em uns transes, ouve uns sussurros e medo pra caralho.

Casa assombrada, lembra?

Possessão de leve.

Ah, tem ainda o Pruitt Taylor Vince, sabe?

Não? Olha a foto dele pra lembrar.

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Então, acho que finalmente escreveram uma personagem pra ele e seu phisique du role tão peculiar.

Ele é o filho do casal que morreu na casa e quer voltar pro seu lar e continuar matar crianças que são… tentem adivinhar… os docinhos do demônio do título do filme.

Voltando lá: que filme desgraçado. Me caguei bem. E que trilha, minha gente, que peso, que gritaria, que trilha!

Moral da história: não ouça heavy metal porque é a música do demo e se ouvir muito e chamar, ele vem.

Outra moral da história: se for metal head e não tiver jeito, pelo menos tenha uma bela guitarra em casa, fica a dica.

121/365 A DARK SONG

A Dark Song é um dos filmes mais inquietantes dos últimos anos.

O filme conta a história de uma mulher que contrata os serviços de um homem que se diz mago que lida com forças sobrenaturais e que pode ajudá-la a entrar em contato com seu filho morto.

Só que obviamente as coisas não são tão simples assim.

O filme se passa no Reino Unido, a magia de lá é sempre melhor que a magia do resto do mundo, em casos como esse de mago dos dias de hoje, pelo menos cinematograficamente falando.

O ritual é lento, desafiador, mega detalhado.

As “coisas” que vão acontecendo bem lentamente, bem vagarosamente, nos deixa na dúvida se é real ou se eles estão delirando e imaginando.

O diretor e roteirista do filme, o estreante Liam Gavin, constrói seu filme com esses adjetivos: lento, desafiador, detalhado, delirante.

Em princípio achei o filme arrastado.

Mas logo me dei conta os sentimentos de irritação e nervosismo e ansiedade que os personagens sentiam, era o que eu estava sentindo também.

E o adjetivo que por fim traduz o filme é sutileza. Agora, sutileza num filme de terror de ritual satânico para chamar demônios do inferno, nada é tão sutil.

Muitos pontos para o diretor que criou esse tour de force de 2 atores trancados em uma casa tentando falar com anjos e demônios em meio a muita violência física e moral (um pouco até demais de violência contra a mulher) e muita, mas muita sensação de perda de resistência e de achar aquele último sopro de vontade no fundo do ser.

Tudo isso culminando com um final surpreendente, sempre embalado por uma das melhores trilhas sonoras de filme de terror que já ouvi.

119/365 O SENHOR BABADOOK

Vamos falar de filme bom.

O Senhor Babadook é um filme super recente, de 2014, mas que já é um clássico.

O filme australiano parece um feito nos anos 80 na era de ouro do terror, com os mesmos tipos de sustos, os mesmos truquezinhos de roteiro, a mesma crueldade pré politicamente correto.

Revi o filme 2 dias atrás na Netflix e queria registrar meu amor aqui.

O Senhor Babadook conta a história de uma mãe solteira que cria seu filho problemático com dificuldades.

Ela sofre até hoje porque seu marido morreu num acidente de carro quando seu filho nasceu. E o menino sabe disso e faz questão de contar pra todo mundo sempre que pode, e no caso dele, um menino punkzinho de 8 anos de idade, pode a qualquer hora dizer o que lhe vem a mente.

Um dia a mãe acha no quarto do menino um livro de histórias que ela não conhecia, sobre o senhor Bababdook, um cara de capa preta e cartola que aterroriza muito no livro, que é o máximo, uma história de terror bem absurda num livro pop up lindo.

Só que o menino caga de medo com a história e a mãe para no meio de contar pra ele ao mesmo tempo que lê pra ela até o fim e não acredita no que acabou de ler.

A partir de então, suas vidas entram numa espiral de coisas erradas e o menino diz que tudo é por causa do Babadook, que aliás, está preso no porão da casa deles, segundo o menino.

O filme até então é um drama de horror, de tristeza, bem deprê mostrando a vida dessa família. Só que nada é tão ruim que não possa piorar. E depois do livro, dá medo só de lembrar.

Por que eu tô escrevendo desse filme hoje, você pode perguntar? Bom, antes de ontem eu revi o filme na Netflix e como nunca tinha escrito nada antes, resolvi deixar o meu textinho de amor pelo Babadook.

O Senhor Babadook é um filhote de Poltergeist e deste herdou todas as qualidade. Assim como The Void, que eu adorei, é um filhote de Hellraiser.

Eu estou sentindo uma vibe de filmes novos com referências aos anos 80  e 90 e tô muito feliz por isso. Acho que finalmente a onda de filmes de “found footage” vai terminar e com força total vão voltar esses filmes de monstro.

Torcendo muito aqui por isso.

117/365 A AUTÓPSIA DE JANE DOE

Mais um terror bom que eu finalmente assisti.

Pra começar, os atores Brian Cox e Emile Hirsch estão ótimos nos papéis de pai e filho responsáveis pelas autópsias de uma cidadezinha sossegada.

Eles dão uns showzinhos mesmo.

Detalhe: eles trabalham no porão da casa deles, onde moram só os 2.

Um dia o xerife da cidade traz o corpo de uma mulher sem identificação, a Jane Doe do título, como eles os chamam nos EUA, e quando a autópsia começa, a putaria começa.

Ops, o terror começa.

Imagina a doideira de pai e filho no porão de casa começando uma autópsia de um corpo de uma mulher em perfeito estado de conservação, sendo que foi encontrado enterrado e não sabem há quanto tempo estava embaixo da terra.

Medo de verdade.

Filmaço com um puta clima tenso, belo roteiro e bela construção de história e de revelações.