137/365 BRANQUINHA

Branquinha é o filme americano que mais deu o que falar ao estrear no Festival de Sundance em 2016.

O filme foi vendido como o novo Kids e na minha opinião, Branquinha é um pouco mais que isso.

O filme é muito bem escrito e muito bem dirigido por Elizabeth Wood e tem na atriz principal um grande trunfo.

Morgan Saylor se joga de cabeça no papel da jovem baladeira de NY, que está de férias do primeiro ano de faculdade e se muda de apartamento.

Na casa nova, se encanta pelo traficante da rua e a aproveitar o que pode, já que as drogas estão fáceis e a festa nunca termina.

A partir daí, o filme entra num turbilhão de balada, cocaína, sexo, maconha, crack, mais drogas, mais sexo explícito, até que o traficante namorado da Branquinha (do título) vai preso.

E ela faz tudo o que pode para tirá-lo da cadeia, o que quer dizer vender a cocaína dele pra levantar dinheiro, transar em troca de favor, ela é roubada, estuprada, apanha do traficante chefão e muito mais.

O filme é forte, pesadão e disse que não é o novo Kids, mas sim um próximo passo, já que o filme é escrito e dirigido por uma mulher e o foco é outra mulher e o périplo pelo inferno que ela passa por amor.

Ah, e tem na Netflix.

96/365 THE DISCOVERY

The Discovery é um filme produzido pela Netfilx que estreou semana passada.

Apesar do elenco mega estrelado e de uma bela de uma premissa, o filme não é lá essas coisas, apesar de ter um roteiro bem interessante.

Um cientista (Robert Redford) descobre, e consegue provar, o que acontece depois da morte: que não acaba, que a vida continua de outra forma. Só que isso, ao invés de ser uma grande coisa para a humanidade, acaba sendo uma tragédia global com milhões e milhões de pessoas se suicidando para tentar a sorte de novo no pós vida.

Por isso o cientista resolve “sumir” em sua casa no meio do nada e continuar suas pesquisas com um novo foco.

O problema do roteiro é que a partir daí é um turbilhão de ideias novas de pós morte, de significado da vida até cairem numa quase viagem no tempo.

E daí o filme se perde.

Além disso, o filme tem um outro probleminha besta: o casal romântico. Quem acredita num casal formado por Jason Seagel e Rooney Mara?

Por favor.

80/365 FRANK

Mais um filme estranhão, daqueles que todo mundo gosta. Frank é doidinho, é bizarrinho e agora tá na Netflix, facinho.

Frank é um músico de uma banda indie/estranha/underground/eusoumaisindiequevocê. A banda se chama The Soronprfbs. Eles não se vendem e são radicais. Ah, e Frank SEMPRE usa uma cabeça de boneco. Uma cabeça de papier machê. Sempre. Ninguém o viu sem a cabeça. Nem os caras da banda, nem ninguém.

O filme é contado do ponto de vista de Jon, o tecladista da banda, o último membro a entrar na banda e, ao que parece, o único são. Ele é um música acidental, com uma profissão burocrática, que tente fazer músicas. Um dia ele é convidado para tocar na banda de Frank. Ou ele pensa que foi pra isso convidado. MAs eles foram pra uma cabana na floresta para gravarem o disco da banda. E lá vai Jon tentar lidar com os freaks da Soronprfbs.

Aos poucos ele vai se fazendo aparecer, escrevendo quase músicas, fazendo vídeos e postando online, até que um desses vídeos consegue mais de 27 mil visualizações no youtube e eles são “convidados” pra tocarem no SXSW.

Os queridinhos online descobrem aos poucos que a vida offline é diferente. Principalmente pra uma banda iniciante. E mais importante ainda, principalmente para uma banda no festival texano.

O clima do filme é o de um drama melancólico, com umas pitadas de quase humor negro. Mas o filme não chega onde deveria, ele fica no meio do caminho, deixando a desejar, assim como as letras sem sentido das músicas que Frank compôs e canta.

Apesar disso, é um filme interessante. bizarro. Bem dirigido. E com um belo de um elenco com Michael Fassbender como Frank, Domhnall Gleeson como Jon e Maggie Gyllenhaal é a bizarra Claire que toca teremim na banda, obviamente.

Na minha opinião o filme poderia terminar uns 10 minutos mais cedo para um final apoteótico. Mas entendo o fim. E Fassbender dá um show mesmo com uma cabeça de boneca cobrindo sua própria cabeça.

75/365 UM CADÁVER PARA SOBREVIVER

Eu sei que hoje em dia todo mundo já deve ter visto esse Um Cadáver Para Sobreviver, o filme que o Daniel “Harry Potter” Radcliffe é um cadáver que um cara encontra numa praia deserta e o usa como um canivete suíço (daí o título original, Swiss Army Man).

Apesar disso, ou por isso mesmo, faço questão de falar bem do filme e indicar pra quem ainda não viu: veja!

Filmaço.

Não adianta eu contar mais nada sobre o roteiro sem estragar detalhes importantes e bem interessantes do filme, mas uma coisa que chamava a atenção desde o trailer e principalmente depois de sua estreia em Sundance do ano passado é que o cadáver peida muito. É hilário e desconcertante.

Primeiro pela história bizarra, surreal quase, num roteiro sem concessões da dupla de escritores e diretores Dan Kwan e Daniel Scheinert.

Segundo pelo elenco, que além de Radcliffe tem o melhor ainda Paul Dano, como o perdido na praia deserta.

Se não me engano o filme está no Netflix (se não estiver, por favor, me corrijam) daí fica mais fácil ainda o périplo. Corra.

32/365 A BIGGER SPLASH

A Bigger Splash é um filme que não só deveria ter título em português mas também ter uma sessão semanal no Belas Artes pro resto da vida.

Dirigido pela italiano Luca Guadagnino, de I Am Love, o filme é baseado num cult dos anos 60, La Piscine que tinha um elenco animal: Alain Delon, Romy Schneider, Maurice Ronet and Jane Birkin.

Deusa das Deusas, Tilda Swinton é a estrela desse Bigger Splash: ela é uma lenda rocker que por um problema na garganta, tem que ficar um tempo sem falar e por isso se recupera em um paraíso italiano com seu marido cineasta, vivido pelo ótimo Matthias Schoenaerts.

As férias forçadas são meio que interrompidas pela chegada do ex-marido da rock star, um produtor muito famoso e ex-patrão do cineasta, vivido pelo sempre bom Ralph Finnes. E junto com ele vem sua filha, linda, voluptuosa e quase despudorada, vivida pela linda Dakota Johnson.

Claro que nada será como antes principalmente pela animação toda do ex-marido e sua filha e seus amigos.

Intriga, ciúme, mentira, paixão repentina, fantasmas do passado, A Bigger Splash tem um roteiro que não desaponta e a direção mais que precisa de Guadagnino faz do filme uma obra rara no cinema de hoje.

Talvez a grande coisa e o maior absurdo do Bigger Splash seja ter uma das maiores atrizes de hoje em dia praticamente sem falar o filme, só sussurrando e atuando com o corpo, os olhos, as mãos. Tilda mostra que ela é o tipo de atriz que dá pra fazer o que quiserem com ela que o resultado é sempre o melhor possível. Ela é a matriarca do filme, tudo gira em função dela, apesar do personagem de Fiennes achar o contrário e alguém que comanda e não tem voz talvez seja a boa “pegadinha” do filme.

PS1: Matthias Schoenaerts é a minha aposta pro próximo superstar das telonas.

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PS2: semana passada o novo filme de Guadagnino, Call Me By Your Name, um filme gay passado também na Itália com o bonitão Armie Hammer tendo um affair com o filho do seu patrão, foi lançado em Sundance com as melhores críticas possíveis.

13/365 CHRISTINE

Eu nunca tinha ouvido falar de Christine Chubbuck, uma jornalista de uma pequena estação de TV da Florida, nos EUA que em 1974 ficou bem conhecida por um ato ousado que cometeu ao vivo durante seu quadro no jornal local.

Quando li sobre o filme a primeira vez, no primeiro parágrafo já falavam o motivo da fama da repórter. Mas acho mais interessante ainda não saber, como não sabemos mesmo, e assistir esse filme, um drama de terror pode-se dizer, que me deixou de boca aberta por 2 horas.

A jornalista é vivida pela sempre boa Rebecca Hall (quase que irreconhecível caracterizada) que nos mostra como a jornalista feminista e ferrenha Christine, com todas suas ideias libertadoras e vanguardistas para um canal de tv pequeno, sofri no seu dia a dia.

Com 29 anos de idade, virgem, morando com a mãe, com dores estomacais que a aterrorizavam o dia inteiro, Christine tentava (e conseguia) em sua reportagens mostrar de uma forma peculiar, o lado menos conhecido da peculiar vida americana.

Apesar de seu chefe e dono da estação cobrar dela matérias mais “populares”, com mais apelo para o espectador comum, ela não se conformava e tentava de todas as maneiras deixar a sua assinatura em tudo o que fazia.

Ela não tinha amigos, nem seus colegas de trabalho conseguiam que ela socializasse com eles; seus dias eram casa e trabalho e de volta pra casa quando ligava um rádio e ouvia o canal da polícia atrás de furos de reportagem.

Mas a vida dela era cada vez mais difícil, sua mãe arruma namorado e ela acha que é pra provocá-la, sua mãe fuma maconha e ela acha que também é uma provocação, seu companheiro de tv recebe uma promoção pra trabalhar num canal maior e ela fica arrasada e assim vai.

O clima do filme é criado a partir de muitos planos sequência, planos longos e sem cortes onde às vezes não vemos com quem uma personagem conversa mas que faz com que criemos uma intimidade quase bizarra com essas personagens mostradas. Além disso, a direção de arte e fotografia, com uma cor de anos 70 e a direção de atores é das melhores.

Filme indie com cara de indie que eu tanto gosto, aclamado em Sundance com muitos elogios à atriz e ao diretor Antonio Campos, que é filho do jornalista Lucas Medes do Manhattan Connection, uma das promessas de diretores americanos segundo várias publicações recentes.

“The Lure”, meu tipo de filme.

Sereias que se alimentam de coração humano, lindas e nuas e cantam numa boite polonesa nos anos de chumbo.

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“The Lure” se passa na Polônia comunista numa fantasia da diretora Agnieszka Smoczynska e segundo ela é sobre como ela se lembra dessa época de sua infância.

Sucesso em Sundance, não vejo a hora de assistir.

Curta fantástico ganha Sundance.

E quando eu digo fantástico é porque é muito bom e também é bem doidão.
Um filme normal bizarrinho e artsy, do jeito que eu gosto.
Cuidado com quem você deixa fazer xixi na sua casa, ele pode te contar segredos sobre seu DNA e mudar sua…
Parabéns pro povo do “Chapel Perilous”.

Um documentário sobre “O Iluminado”.

“Room 237” é um documentário sobre talvez o melhor terror de todos os tempos, “O Iluminado” de Stanley Kubrick.
room237 doc kubrik
O filme que já passou por vários festivais, incluindo Cannes, Sundance, Toronto coleciona os maiores elogios.
Lançaram agora um trailer meio teaser e logo deve estrear (espero que por aqui também).
A chamada do filme parece alguma coisa de teoria da conspiração.
Tô doido pra ver.