137/365 BRANQUINHA

Branquinha é o filme americano que mais deu o que falar ao estrear no Festival de Sundance em 2016.

O filme foi vendido como o novo Kids e na minha opinião, Branquinha é um pouco mais que isso.

O filme é muito bem escrito e muito bem dirigido por Elizabeth Wood e tem na atriz principal um grande trunfo.

Morgan Saylor se joga de cabeça no papel da jovem baladeira de NY, que está de férias do primeiro ano de faculdade e se muda de apartamento.

Na casa nova, se encanta pelo traficante da rua e a aproveitar o que pode, já que as drogas estão fáceis e a festa nunca termina.

A partir daí, o filme entra num turbilhão de balada, cocaína, sexo, maconha, crack, mais drogas, mais sexo explícito, até que o traficante namorado da Branquinha (do título) vai preso.

E ela faz tudo o que pode para tirá-lo da cadeia, o que quer dizer vender a cocaína dele pra levantar dinheiro, transar em troca de favor, ela é roubada, estuprada, apanha do traficante chefão e muito mais.

O filme é forte, pesadão e disse que não é o novo Kids, mas sim um próximo passo, já que o filme é escrito e dirigido por uma mulher e o foco é outra mulher e o périplo pelo inferno que ela passa por amor.

Ah, e tem na Netflix.

70/365 DANNY SAYS

Danny Says é um documentário (escondidinho ali na Netflix) sobre Danny Fields, um cara que começou na turminha de Andy Warhol lá nos anos 60’s e terminou como um dos grandes nomes da indústria musical americana,

Nessa época ele chegou em NY, depois de passar por Harvard “trepando e se drogando” como ele mesmo diz. Logo foi trabalhar em uma revista pop, a Datebook. Lá ele publicou a famosa entrevista que John Lennon diz que os Beatles eram mais conhecidos que Jesus Cristo, logo antes de uma turnê da banda pelos EUA. Conclusão: a turnê teve datas desmarcadas, discos e revistas do Beatles foram queimados em praça pública e a Ku Klux Klan fez promessas absurdas num vídeo impressionante que está neste filme. Amigo da fotógrafa inglesa Linda Eastman (que também era filha do dono da Kodak), depois que ela se casou com Paul McCartney, Danny conta pra ele que foi ele que publicou a tal entrevista e a reação de Paul é ótima, porque aquela mal fadada turnê foi a última da banda, em 1966.

Pra vocês terem uma pequena ideia, ele é o cara que teve a ideia da Nico cantar; foi na casa dele que a estrela underground Edie Sedgwick passou seus primeiros dias em NY, em seu sofá; foi o cara que produziu o MC5 e os colocou no mapa (NY, na época); e foi o produtor e manager dos Ramones, depois de ter visto um dos primeiros shows da banda.

O filme conta que todo mundo gostava de Danny. A única pessoa que tinha um bode dele era Jim Morrison, dos The Doors, e sempre pedia para que Danny nunca ficasse por perto, mas mesmo assim Danny conta no filme que ele tinha um pau enorme, tipo um salame, que ele já tinha visto por participar de um bacanal com o astro. Se isso não é estar perto…

Nesta época ele trabalhava como assessor de imprensa da gravadora Elektra e lá foi responsável pelo lançamento de discos que não fizeram tanto sucesso imediatamente como o Horses da Patti Smith, The Marble Index da Nico e foi ele que disse pra lançarem Light My Fire reduzida de seus 7 minutos originais e por isso virou o número 1 das paradas.

Uma coisa linda do filme é a quantidade de gente bacana falando de Danny e contando as histórias mais legais sobre eles, como o Iggy contando que foi Danny que o apresentou pro Bowie. E pra cocaína.

Se você gosta de rock, do Iggy, do Bowie, da Patti, do Warhol da época mais importante da música americana, o fim dos 60’s e os 70’s, tem que ver esse filme e conhecer essa figura que é Danny, o judeu que conta que tomava anfetamina em casa desde os anos de idade por causa de seu pai médico.

62/365 SILÊNCIO

 

Silêncio é a prova que Martin Scorcese pode fazer qualquer filme.

Tá, a gente já sabia disso, o cara é rei, o cara é mestre, o cara é amo e senhor.

O cara faz comédia, faz drama, faz thriller, faz terror e faz (quase) tudo bem, porque a gente não consegue esquecer A Época da Inocência, entalado em nossas gargantas até hoje.

Mas falemos de coisa boa: Silêncio.

Seu mais recente filme conta a história dos padres católicos que vão para o Japão feudal tentar catequisar o país budista.

Nos idos dos anos 1600, os jesuítas portugueses se espalhavam pelo mundo levando a palavra do Deus católico para os povos “bárbaros”, como eles mesmos diziam.

Em lugares como o Brasil, eles tiveram “sucesso”, como nós bem sabemos. Em outros, como no Japão, a história foi bem diferente.

O filme começa mostrando como o famoso jesuíta Padre Ferreira (Liam Neeson) foi humilhado, torturado, subjugado, até que renunciou sua fé e sumiu.

Só que a cúria jesuíta portuguesa não desistiu dele e mandou outros 2 padres (Andrew Garfield e Adam Driver) para tentar achar seu paradeiro.

A grande história do filme é o périplo dos 2 novos jesuítas numa terra hostil, no meio do nada, procurando quem seguia o catolicismo numa terra budista que tinha proibido e banido a palavra de Cristo.

Fora de seu habitat natural, as ruas de NY, Scorcese encontra, no meio do nada no Japão feudal, o lugar ideal pra mostrar o quanto o seu catolicismo é grande e importante.

O filme é lento, plácido, calmo e quieto, mostrando os 2 jesuítas calados e escondidos sob o solo de uma cabana no meio da floresta para não serem encontrados pelos senhores feudais que caçam os católicos e os fazem de novo negar o Cristo ou serem mortos de forma linda e bizarra e cruel.

As cores do filme são maravilhosas, começando numa luz sóbria até e escurecendo à medida que os padres vão sofrendo, um dos detalhezinhos de um filme lindo.

Scorcese diz que soube do livro que deu origem ao filme quando estava no Japão filmando, como produtor, a última obra prima de Kurosawa, Sonhos, 28 anos atrás. E desde então vem tentando fazer esse filme, contar essa história.

Eu acho que o filme tem 2 problemas.

O primeiro é a duração. Acho que hoje em dia um filme com quase 3 horas de duração não se justifica. Nem sendo do mestre dos mestres. Nem tendo que contar a história de padres que são vencidos pelo cansaço. Só que o nosso cansaço.

O segundo problema é o elenco. Garfield é um ator que pra mim não significa nada. Com tanta gente absurdamente talentosa, esse cara e seu pescoço e suas mesmas caras de sempre, de sofredor de testa enrugada. Por favor.

Apesar dos pesares, o filme é lindo, filmado como poucos filmam, com planos tão lindos que devem ter sido tão bem estudados que parecem pinturas a óleo que demoraram meses sendo detalhadas.

O próximo filme de Scorcese, The Irishman, volta às ruas de NY com seu preferido Robert De Niro mais Al Pacino e Joe Pesci, para contar a história do assassinato do sindicalista Jimmy Hoffa.

Espero que essa viagem ao passado japonês deixe rastros nessa história tão recorrente do diretor.

60/365 MEU NOME É RAY

Até agora eu não sei o quanto gostei ou não desse filme.

Meu Nome é Ray conta a história de uma adolescente, Ramona, que agora é Ray. Ela mora com a mãe solteira e com a avó lésbica, casada, numa casa em NY que um dia foi um club de jazz décadas atrás.

Ray, vivido pela ótima Elle Fanning, está na fase que resolve tomar os hormônios para sua mudança, só que precisa da autorização de seus pais.

E apesar de ter uma família não tão convencional, num momento desses vê-se o quanto na verdade as pessoas não são o que aparentam.

Sua mãe, a sofrida Naomi Watts (que eu não tenho certeza se é boa atriz ou se é sempre sofrida) que antes era a favor dos hormônios, agora tem dúvidas se autoriza ou não.

A avó (Susan Sarandon), toda malucona e modernona, é contra, principalmente por não entender porque a neta só não é lésbica, porque ela tem que ser um homem, se ela gosta de mulher.

Dilemas da vida moderna contados de uma forma bem boa pela diretora Gaby Delal, num roteiro que apesar de não ser dos melhores da vida, é bem bonitinho e funciona pra um filme que poderia ser um drama engajado e politizado mas não é.

E isso que me deixou na dúvida: será que um filme com um puta potencial pra ser um libelo de gênero nos dias de hoje e sendo “apenas” um drama com esse tema não é um desperdício?

O problema do filme pra mim é que é muito sessão da tarde, filme pra família.

Por um lado é bom, porque leva pra dentro das casas uma questão bem relevante e importante hoje em dia.

O drama da menina que é menino é bom; com a mãe, com a avó, com os amigos da escola que não entendem quem ele é direito e com o que mais vai acontecendo durante o filme são importantes e tratados da melhor forma possível, quase didático.

Mas de novo, a oportunidade perdida me incomoda.

42/365 INDIGNAÇÃO

Antes de mais nada: Logan Lerman é O cara.

Guardem esse nome porque provavelmente em alguns anos ele vai ser o grande ator de Hollywood.

Em Indignação ele rouba todas as cenas. E sendo o ator que faz a personagem principal do filme que adapta para as telas o livro de Phillip Roth, ele rouba o filme.

No início dos anos 50 nos EUA, um rapaz judeu de Nova Jersey vai estudar em uma universidade wasp e sobre com o preconceito religioso, de classe, a repressão sexual e ainda a guerra da Coréia que também acaba afetando sua vida.

Indignação é a estreia na direção de um dos mais importantes produtores independentes de NY, James Schamus. E ele escolheu a dedo (e acertou em cheio) no livro que tornaria um dos filmes mais lindos e poéticos e delicados do ano, apesar de sua história densa, opressora e como diz o próprio título, de muita indignação. Traduzir um romance epistolar para a telona não é tarefa para poucos e Schamus acerta no roteiro que escreveu e no filme que dirigiu.

A fotografia do filme é um dos pontos altos, muito bem pensada e realizada, fazendo com que a luz ajude e muito em contar este drama opressivo.

Voltando a Schamus, o cara é só o dono da produtora que nos presenteou com Tempestade de Gelo, Brokeback Mountain e O Tigre e o Dragão, entre outros ótimos indies.

 

Jake Gyllenhaal cantando no teatro.

Então você não gosta de musical.

Então você não iria ver o Jake Gyllenhaal num musical?

Sei!

Nas próximas semanas Jake estreia em NY no musical “Sunday in the Park With George”.

Ele chamou seu amigo, o diretor Cary Joji Fukunaga da primeira temporada e única boa de True Detective e Beasts Of No Nation, para assistir um ensaio e fizeram esse vídeo do bonitão cantando.

Os 40 anos de “Taxi Driver” em grande estilo.

Um dos melhores filmes de todos os tempos, referência pra todo mundo que faz e consome arte, “Taxi Driver” completa 40 anos esse ano.

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E o filme vai receber uma homenagem sem precedente no Tribeca Festival em NY: seu diretor Martin Scorcese, seu roteirista Paul Schrader e mais Robert DeNiro, Jodie Foster e Cybill Shepherd vão participar de uma mesa redonda para discutirem o filme.

Pensa bem: De Niro usou moicano nesse filme antes do punk; Jodie Foster tinha 13 anos e fazia uma prostituta. Quando um filme desses vai ser feito de novo? Nunca!

Agora, se você nunca assistiu “Taxi Driver”, pare o que está fazendo e veja agora.

Depois me diz se sua vida não muda!

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Superman não precisa nem dos óculos.

É, parece que ninguém reconhece o Superman mesmo.

Dear Doubter, The glasses are good enough. Regards, Superman #WhoWillWin #Superman

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Henry Cavill, o superman do filme que estreia logo logo, esteve pelas ruas de NY, bem embaixo de posters gigantes do filme e ninguém foi falar com o cara.

O mais legal é que ele estava com uma camiseta do próprio.

E a gente tinha dúvidas de que os óculos nunca fossem suficientes pra ele se esconder.

 

“Brooklyn” ou como transformar um monte de clichê num filme ruim.

Nada como um filme “by the book” pra desanimar a leva boa.
“Brooklyn” é o típico filme careta, feito por um diretor bunda mole, editado provavelmente por um bando de produtores que não sabem nada de cinema e escrito por alguém sem imaginação nenhuma (pasmem, Nick Hornby).
“Brooklyn” parece mais um filme publicitário da Irlanda e de Nova Iorque juntas, de como o povo de lá se deu bem na cidade de cá.
A única coisa que se salva no filme é o casal protagonista, a ótima Saoirse Ronan e o pra mim novato Emory Cohen.
Ela é uma irlandesa que se forma e não consegue nada em sua cidadezinha no meio do século passado. Sua irmã consegue através do padre amigo, que ela vá tentar a vida na promissora Nova Iorque.
Lá ele sai do casulo, mora num pensionato, trabalha numa loja de departamentos até que conhece um italianinho e se apaixona.
Até então todos os clichês possíveis ocorreram: a tímida do interior feinha, a ida no navio, passar mal, ser bem tratada por uma mulher mais velha, se sentir oprimida pela cidade grande, a paixão, a felicidade….zzzzzzzzz
Pois é, só que esse é o meio do filme e daqui pra frente os clichês se proliferam com maior intensidade ainda.
O pior é que a Saoirse Ronan está sendo cotada pra muitos prêmios, o que sim ela merece.
Mas não por um filme insípido como esse.
Veja o trailer e adivinhe tudo o que vai acontecer.
Próximo, por favor.