134/365 THE DEVIL’S CANDY

Puta filme desgraçado.

Um artista plástico metaleiro meio falido, sua mulher e sua filha metalerinha, se mudam pra uma casa que eles compram numa oportunidade única e barata. Detalhe: na casa morreu um casal que lá vivia, ninguém comprava, encalhou e por isso a oportunidade.

Até aí tudo bem. Eles se mudam, o ateliê do cara melhora, a mulher se fode mais pra trabalhar longe, a filha muda de escola e também se fode. Mas o metaleiro se anima com a mudança e começa a produzir muito. Só que ele não entende como pinta, porque entra em uns transes, ouve uns sussurros e medo pra caralho.

Casa assombrada, lembra?

Possessão de leve.

Ah, tem ainda o Pruitt Taylor Vince, sabe?

Não? Olha a foto dele pra lembrar.

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Então, acho que finalmente escreveram uma personagem pra ele e seu phisique du role tão peculiar.

Ele é o filho do casal que morreu na casa e quer voltar pro seu lar e continuar matar crianças que são… tentem adivinhar… os docinhos do demônio do título do filme.

Voltando lá: que filme desgraçado. Me caguei bem. E que trilha, minha gente, que peso, que gritaria, que trilha!

Moral da história: não ouça heavy metal porque é a música do demo e se ouvir muito e chamar, ele vem.

Outra moral da história: se for metal head e não tiver jeito, pelo menos tenha uma bela guitarra em casa, fica a dica.

117/365 A AUTÓPSIA DE JANE DOE

Mais um terror bom que eu finalmente assisti.

Pra começar, os atores Brian Cox e Emile Hirsch estão ótimos nos papéis de pai e filho responsáveis pelas autópsias de uma cidadezinha sossegada.

Eles dão uns showzinhos mesmo.

Detalhe: eles trabalham no porão da casa deles, onde moram só os 2.

Um dia o xerife da cidade traz o corpo de uma mulher sem identificação, a Jane Doe do título, como eles os chamam nos EUA, e quando a autópsia começa, a putaria começa.

Ops, o terror começa.

Imagina a doideira de pai e filho no porão de casa começando uma autópsia de um corpo de uma mulher em perfeito estado de conservação, sendo que foi encontrado enterrado e não sabem há quanto tempo estava embaixo da terra.

Medo de verdade.

Filmaço com um puta clima tenso, belo roteiro e bela construção de história e de revelações.

115/365 PERSONAL SHOPPER

Finalmente consegui assistir Personal Shopper, o filmaço do meu diretor francês preferido Olivier Assayas.

Tá bom, de um dos meus diretores franceses preferidos, junto com o Bruno Dummont, o François Ozon, o…….

Imagino o Assayas chegando na produtora dele depois do sucesso retumbante do puta filme (sim, eu amo mesmo) Nuvens de Sils Maria e falando: quero fazer uma filme de fantasmas.

Com a Kristen Stewart.

Bem fashion.

Vou filmar em Paris, Milão, Londres e em Omã.

E pimba.

Acertou na mosca de novo.

Assayas vem recolhendo louros e mais louros ultimamente.

Com Personal Shopper ele foi premiado em Cannes do ano passado como melhor diretor, dividindo o prêmio com o romeno Cristian Mungiu do meu outro preferido Bacaleaureat.

Com Nuvens, Kristen Stewart ganhou o Cesar, “o Oscar francês” de melhor atriz coadjuvante falando inglês. Foi um escândalo quase tão grande quanto o da Isabelle Adjani vencendo com Rainha Margot e lendo os Versos Satânicos ao vivo, quando o Rushdie estava fugindo dos muçulmanos.

Aliás, Nuvens foi o filme que tirou de vez a cara de vampira da Kristen e Assayas, esperto, já engatou outro e ela tá melhor ainda, sem aqueles trejeitos chatinhos e adolescentes, inclusive com cenas nuas pra acabar com tudo de vez.

Kristen faz a personal shopper do título, uma americana em Paris que faz compras de roupas e joias pra uma ricaça importante, jet setter, que viaja pra cima e pra baixo em festas  e cuida de uma fundação que ajuda gorilas e por isso (tadinha) não tem tempo de ir às lojas experimentar e escolher roupas.

No meio disso tudo, ela tenta se comunicar com seu irmão gêmeo morto. Eles combinaram que quem morresse primeiro mandaria mensagem do outro mundo pra quem ficasse. E ela e seu irmão são médiuns, enxergam fantasmas, sentem presenças e outras  coisas, o que ajudaria a receber a mensagem.

Um dia, indo de Paris de trem para Londres buscar as últimas criações de um designer fodão, ela recebe umas textos no celular de alguém que sabe exatamente o que está acontecendo com ela e quando ela pergunta quem é, pergunta também se é alguém vivo ou morto.

Esse “fantasma do celular” vai literalmente assombrar a vida da jovem.

Parece tudo confuso mas é um pouco mesmo.

Uma história surreal dentro de uma rotina besta de uma americana em Paris.

Nada bizarro pra um puta diretor que faz Cinema com C maiúsculo.

Viva mestre Assayas.

 

109/365 THE VOID

Nos últimos anos eu tinha diminuído a minha cota de filmes de terror porque vinha sentindo muito medo.

Mas acho que fui me acostumando de novo, o medo foi passando.

Até que assisti The Void.

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Pelamordosdeusesdosinfernos.

Cagaço nível master.

The Void é filhote do Hellraiser: mesma vibe, mesma tensão, mesmo sarcasmo, mesma frieza e crueldade.

O filme começa com 2 pessoas fugindo de uma casa no meio do nada, uma mulher é morta e o cara consegue fugir no mato, até que um policial passando por uma estrada acha o cara desmaiado e o leva para um hospital que está fechando nas redondezas.

E a putaria começa.

Seita satânica, homens armados alucinados querendo matar todo mundo, roupas brancas e símbolos lindos, porta pro inferno, monstros que crescem em pessoas, monstros que já aparecem monstros, muito susto, muito medo, história boa, médico doido, mulher grávida, casal que perdeu filho recentemente, tudo junto e misturado.

Sem contar nada, assista e morra de medo.

Puta filme. Que venham mais.

91/365 FOUND

Li uma vez que Found era um dos filmes de terror mais cruéis de todos. Fui atrás, baixei e demorei pra assistir. Deveria ter demorado mais porque olha, medo mesmo.

Mas deveria ter visto antes, porque o filme é bom demais.

Found conta a história de um menino com uns 12 anos de idade que na primeira cena já nos conta que seu irmão não muito mais velho é um serial killer.

Ó que fofo.

Ele acha uma cabeça de uma mulher negra dentro da bolsa de bola de boliche do irmão. E não foi a primeira que ele viu.

Esse mesmo menino escreve e desenha graphic novels de terror com um amigo. Sim, ele é viciado em filmes de terror que assiste em VHS, mesmo que sua mãe odeie isso.

Na escola ele sofre bullying porque não faz xixi nos mictórios, porque é solitário, fica sempre de lado, apanha dos mais velhos.

Ele é o típico caso do moleque que cedo ou tarde vai aprontar alguma.

Só que Found é mais que isso.

O filme é de 2012 e foi feito com muito pouco dinheiro, em vídeo, mas com uma equipe de maquiagem e efeitos especiais incrível.

Um dos bons truques de Found é que a gente ouve mais do que vê e isso pra criar expectativa e clima, especialmente nesse filme, funciona muito.

O filme tem uma sequência animal que o moleque convida um amigo pra dormir em casa e eles assistem um filme em VHS que se chama Headless (sem cabeça), um que seu irmão mais velho, o serial killer, roubou da locadora. E na caixinha tem as indicações de tempo do filme que o assassino corta as cabeças de suas vítimas. E com certeza é o filme que o irmão usa de referência.

Enquanto os dois moleques assistem o filme, o amigo acha tudo normal e o moleque vai ficando mal porque sabe do irmão, sabe das intenções e das anotações na caixa. O filme que eles assistem é foda, o assassino é bem cruel, não perdoa ninguém, e o moleque vê seu irmão no ator do filme. E sem spoiler, o fim da noite dos moleque e seu amigo é “de foder”.

Essa sequência toda valeria o filme, só que o final, meus amigos!

Eu não estava preparado para o que veio e ao mesmo tempo que fiquei passado, fiquei feliz. Fazia tempo que não via um slasher tão autêntico.

Super recomendo.

Ah, e que fique claro, o Found do título, encontrado, não tem nada a ver com found footage, com os filmes que ninguém mais aguenta ver.

90/365 RUA CLOVERFIELD, 10

Depois de todo auê por eu ter odiado Fragmentado, resolvi falar de outro filme com uma premissa parecida, o de mulher sequestrada e mantida em cativeiro.

Só que Rua Cloverfield, 10 é um puta filme, com um puta roteiro e com um final…

Foda é falar sobre o que ninguém deveria falar nada, mas vou ser bem vago além dos elogios.

O filme conta a história de uma mulher que sofre um acidente bem sério em seu carro. Quando ela recobra a consciência, acorda em um abrigo subterrâneo com mais 2 homens que falam que estão ali porque alguma coisa aconteceu no mundo, um ataque, uma guerra, ninguém sabe ao certo e o ar está irrespirável.

Só que as atitudes de um desses homens, e principalmente o que quem construiu o bunker e toma conta da vida deles nesse lugar, o cada vez melhor John Goodman, faz com que ela fique com medo, primeiro, e depois com o pé atrás.

Pronto, é tudo o que eu posso falar.

O que eu posso falar da diferença radical desse filme pra Fragmentado é que o roteiro desse é muito bom, sem furos, bem costurado e bem acabado. A direção de Cloverfield fica a cargo de Dan Trachtenberg que mostra o quanto uma boa decupagem e pré produção ajudam num filme huis clos, de ambiente único e fechado. Com um pouco menos de cuidado, o filme seria chato e repetitivo, mas é longe disso o que vemos aqui.

Rua Cloverfield, 10 é um puta exemplo de terror e ficção científica juntos, nada melhor que isso.

57/365 A BRUXA

Hoje é um dia importante pro cinema. Domingo de entrega do Oscar com provavelmente o maior número de filmes independentes indicados. E o melhor, com grandes chances de vitória.

Depois da vitória arrasadora de Moonlight ontem na entrega do Independent Spirit Awards, o filme chega hoje ao Oscar com uma torcida quase unânime de quem faz cinema e de quem gosta de bons filmes. Além dele, ontem na mesma premiação, A Bruxa ganhou 2 importantes prêmios, o de melhor primeiro filme e de melhor roteiro de estreia.

Moonlight e A Bruxa são filmes muito baratos, baratos até para os atuais padrões de cinema brasileiro com filmes girando em torno dos 10 milhões de reais pra cima. Moonlight custou US$ 5 milhões e A Bruxa US$ 3 milhões. E não, não faça a conta vezes 3 para pensar em reais. Nesses casos é 1 pra 1. É como se fossem feitos no Brasil custassem 5 e 3 milhões de reais. Micharia.

A Bruxa além de tudo, tem um produtor brasileiro, Rodrigo Teixeira, que ontem recebeu o prêmio junto com o diretor e roteirista Robert Eggers.

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Todo mundo assistiu A Bruxa ano passado e quem não viu, por favor, faça esse favor a si mesmo. O filme conta a história de uma família assombrada pelo mal, nos EUA dos anos 1600’s, no meio do nada, onde pai, mãe e 4 filhos sofrem com a o terror causado por uma bruxa que vive na floresta perto da casa deles.

Só que o filme não é o terror que a gente tem visto por aí. Muita gente reclamou dizendo que não era um filme de terror mas sim um drama chato onde nada acontecia.

Não minha gente, o filme dá medo. É o filme que melhor criou clima no cinema americano recente.

O diretor (e de novo, roteirista) Eggers criou um universo tão próprio, não só com o inglês falado naquela época mas também com a recriação do momento de época pouco visto hoje em dia e, justiça seja feita, todos os louros devem ir para a mais que ótima Anya Taylor-Joy, a filha mais velha do casal acusada de ser a bruxa primeiro por seus irmãos, depois por… Não vou contar.

A Bruxa, na minha opinião, é o grande filme deixado de fora do Oscar, um roteiro absurdo num ano de ótimos roteiros. Uma fotografia maravilhosa num ano de filmes lindos também. Mas um filme de 3 milhões de dólares não representa a velha academia de Hollywood, como temos visto ultimamente.

Umas semanas atrás o diretor de Titanic, James Cameron, disse que do jeito que as coisas estão indo, ele nunca mais vai ganhar um Oscar na vida dele, numa crítica descarada ao cinema independente e barato tomando conta das premiações americanas.

Bom, Cameron, só te digo uma coisa: faça algum filme bom, independente de você gastar os 200 milhões de dólares que eu tenho certeza que indicações e prêmios virão. O cara reclama depois de fazer Avatar? Quer ganhar Oscar com isso?

Hoje a noite a minha torcida é por Moonlight mesmo, mas também por Manchester, por Elle e por todos os outros filmes que demoram 5, 6, 7 anos para serem realizados e que são um tapa na cara da sociedade cinematográfica do mundo inteiro.

Que venham mais.

55/365 A MENINA QUE TINHA DONS

A Menina que Tinha Dons é um filme inglês baseado em um livro cujo subtítulo é “nem todo dom é uma bênção”.

Depois de assistir esse PUTA filme de zumbis eu tenho que discordar dessa frase e dizer que nesse caso, o dom da menina acaba sendo uma grande bênção, dependendo do ponto de vista.

Melanie é uma menina que, junto com outras crianças, vive prisioneira num lugar que é pesadamente cuidado pelo exército. Para sair de sua cela e ir às aulas, por exemplo, ela tem que ser presa à sua cadeira de rodas, presa pelos pés, mãos e cabeça. Assim como todas as outras crianças.

Elas são mal tratadas, os adultos parecem ter medo delas, sempre apontando armas pesadas para as crianças e apenas uma das professoras parece ter uma relação mais de respeito com as crianças e por isso mesmo é fortemente repreendida por seus superiores.

Aos poucos vamos descobrindo que essas crianças são na verdade filhos de zumbis que tomaram conta do planeta. Zumbis que não fazem nada além de comer carne humana, claro. Os típicos zumbis que tanto adoramos e tememos. Durante o filme descobrimos como os zumbis vieram de um fungo, como tomaram conta de tudo, muito bem contado e criado nesse mundo distópico zumbificado.

Só que essa segunda geração de zumbis nasceu diferente, eles são menos zumbis, eles conseguem aprender, conseguem falar, conseguem ter uma vida em princípio normal, até que ficam com fome e precisam comer carne humana.

Por isso tudo, essas crianças estão presas para passarem por exames e serem pesquisadas para que uma vacina seja criada, como acredita a cientista vivida por Glenn Close.

Só por ter Glenn esse filme já deveria ser visto. Mas apesar e por causa dela, o filme é bem bom. O grande filme de terror inglês desde 28 Dias Depois, filme de 2002.

O filme ainda tem no elenco os ótimos ingleses Gemma Arterton e Paddy Considine e dirigido pelo ótimo Colm McCarthy, o filme deveria virar uma franquia de terror porque as possibilidades do universo criado são imensas.

Agora, a grande coisa do filme é Sennia Nanua, a própria menina que tem “os dom”. Que atriz. Que menina. Que talento. Ela passa de um anjo de candura à uma comedora de carne em um piscar de olhos e a gente torce muito por ela.

A vontade é contar mais da história do filme, falar do final maravilhoso mas eu me calo e só digo: ASSISTA!

11/365 SALA VERDE

Puta filme esse Sala Verde.

Mas antes queria explicar: Sala Verde é um título estúpido em português porque o original, Green Room, quer dizer camarim.

Assim sendo, esse terror bom demais se passa num camarim de um bar de rednecks neo nazistas, os alt-rights americanos.

Uma banda punk que está viajando numa van e tocando onde consegue, para nesse bar pra um show onde são bem mal recebidos, obviamente.

Ao final, indo pro camarim (ou pra sala verde que nem é verde), a banda presencia um assassinato e a partir daí precisa lutar pela sua vida.

Dirigido pelo ótimo e promissor Jeremy Saulnier, que também é o roteirista do filme, diz a lenda que durante as filmagens a tensão no set chegou a níveis quase insuportáveis fazendo com que algumas vezes as diárias terminaram antes do previsto pra que todo mundo relaxasse um pouco.

Se isso é verdade ou só marketing não sei, mas que sentimos essa tensão e medo e terror toda nesse filme que é nervoso demais, isso é verdade.

Imagina um terror com bom roteiro, ótimo elenco e uma ótima direção de atores: é esse Sala Verde.

E além de tudo isso, o líder dos neo nazista é o ótimo Patrick Stewart.

O filme é tão bom que passou na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, feito bem peculiar pra um terror americano.

Só uma correção: meu amigo Marco Correia leu aqui e me lembrou que eu não falei nada da trilha que é uma barulheira só. Tem Slayer, Obituary, Napalm Death, Bad Brains e daí pra baixo. Foda!