143/365 IRMÃ

Um filme que começa com uma citação de Marilyn Manson só pode ser bom, certo?

Irmã é uma comédia dramática, bem dramática, que conta a história de uma menina que foi uma gótica heavy metal adoradora de Gwar e que se maquiava como Manson na adolescência e que resolve ser freira e se afastar de sua família após um evento traumático.

Um dia ela recebe um email de sua mãe dizendo que seu irmão está voltando da guerra, depois de sofrer queimaduras absurdas.

Depois de 3 anos num convento sem contato com sua família, ela vai reencontrá-los e para se reconectar com o irmão, vai lembrando da adolescência que se foi.

O filme é meio bobo até, se pensarmos na história rasa de menina revoltada adolescente que se desliga da família e um dia volta a encontrá-los.

Só que o diretor e roteirista Zach Clark não deixa por menos e coloca camadas e mais camadas de dramaticidade e veracidade em cada personagem do filme, mostrando que as pessoas crescem e mudam. E no caso de Clark, ele gosta de mostrar as mudanças na pele de seus personagens, nada de sutilezas.

Nenhum deles está no filme só pra fazer volume; a consistência e a profundidade de cada um deles resvala e interfere na história dos outros. É lindo ver isso num roteiro em princípio bobo mas que vai crescendo e crescendo e se tornando um filme lindo e fofo e profundo ao mesmo tempo.

Só pra terminar, a grande surpresa do filme é a mãe vivida pela sumida Ally Sheedy: maconheira, drogada, doidona, e super mãe, tudo junto.

Super recomendo.

137/365 BRANQUINHA

Branquinha é o filme americano que mais deu o que falar ao estrear no Festival de Sundance em 2016.

O filme foi vendido como o novo Kids e na minha opinião, Branquinha é um pouco mais que isso.

O filme é muito bem escrito e muito bem dirigido por Elizabeth Wood e tem na atriz principal um grande trunfo.

Morgan Saylor se joga de cabeça no papel da jovem baladeira de NY, que está de férias do primeiro ano de faculdade e se muda de apartamento.

Na casa nova, se encanta pelo traficante da rua e a aproveitar o que pode, já que as drogas estão fáceis e a festa nunca termina.

A partir daí, o filme entra num turbilhão de balada, cocaína, sexo, maconha, crack, mais drogas, mais sexo explícito, até que o traficante namorado da Branquinha (do título) vai preso.

E ela faz tudo o que pode para tirá-lo da cadeia, o que quer dizer vender a cocaína dele pra levantar dinheiro, transar em troca de favor, ela é roubada, estuprada, apanha do traficante chefão e muito mais.

O filme é forte, pesadão e disse que não é o novo Kids, mas sim um próximo passo, já que o filme é escrito e dirigido por uma mulher e o foco é outra mulher e o périplo pelo inferno que ela passa por amor.

Ah, e tem na Netflix.

92/365 TINHA QUE SER ELE?

Eu tô pegando um bode tão gigante do James Franco que provavelmente esse seja o último filme com ele que eu assista.

Tinha Que Ser Ele? é tipo uma festa que você é convidado pra ir que você sabe que vai ser ruim mas que tem bebida boa. Só que você chega lá e pra pegar bebida é um inferno porque os playboys metidos a modernos vivem no bar. E pior: o dono da festa é aquele ostentador que convida um monte de gente famosa só pra mostrar mesmo, o bom e velho name droping ao vivo.

Fuja.

Neste filme, Franco é um milionário da internet bem escroto só que com boas intenções. Tá, forcei a barra. Bom, ele namora uma menina e ela convida seus pais para conhecê-lo. O típico filme de família da menina conhece o namorado secreto e tudo vai por água abaixo.

Eles viajam, ficam na casa do cara, tem festa, tem o pior dj do mundo Steve Aoki jogando bolo na cara das pessoas, tem o Elon Musk dando pinta. Só não tem roteiro. Nem direção. Nem nada. Umas 2 ou 3 boas piadas ficam perdidas no meio de cenas que demoram horas pra explicar a tal da piada. Sabe o que e isso? Roteiro ruim.

Nem a quantidade animal de fuck e piada de pinto e de peido e de privada e de maconha salva o filme.

Pra ser sincero, eu não ia assistir mas acabei dando o braço a torcer quando descobri que minha musa Megan Mullally era a mãe da menina. E não, não tem piada com ela, desperdiçaram uma puta comediante como não deveriam.

Assim sendo, fuja dessa porcaria, não vale nem pra substituir o Fantástico hoje a noite.

A trilha de Moonlight recriada pelo diretor Barry Jenkins com os Chopstars.

Um absurdo de lindo.

O diretor de Moonlight, Barry Jenkins, chamou seus amigos OG Ron C and the Chopstars e deu uma brincada com 26 músicas que estão na trilha do filme que vão desde “Shining”  de Beyonce e Jay-Z,  Aretha Franklin, Goodie Mob e uma versão de “Purple Haze” com Lloyd.

Eles fizeram um “tratamento” que se chama chopped-and-screwed, que pode ser traduzido pra picado e detonado, o que é baixar radicalmente o bpm, a batida, das músicas pra começar. Esse estilo foi criado nos anos 90’s pelo dj Screw e, olha, ficou foda, bem psicodélico, meio maconheiro.

71/365 GIMME DANGER

Em 1997 Jim Jarmusch lançou Year of the Horse, um documentário sobre a turnê de 1996 de Neil Young and Crazy Horse, o que eu considero um dos melhores filmes sobre rock.

Eu duvidava que meu diretor americano preferido, o Jarmusch, fosse capaz de fazer outro documentário melhor que aquele até que eu assisti Gimme Danger, um filme sobre os Stooges.

Só digo que das quase 2 horas de filme, mais da metade é com o Iggy Pop contando as histórias da banda, desde o começo como uma banda que tocava um rock para teenagers até onde eu achava que conhecia, mas os detalhes que aparecem nesse filme me fizeram arrepiar várias vezes.

Uma história boa é que Iggy fala que vivia num trailer com seu pai e sua mãe, um trailer igual ao do filme Lua de Mel Frustrada da Lucile Ball, meu filme preferido dela. Ele diz que ama o filme por causa disso e eu agora amo ainda mais o filme por isso também.

Ele conta que tocava bateria na sala do trailer, que não cabia mais nada, e por isso seus pais trocaram de quarto com ele, colocando ele e a bateria no quarto maior e foram com a cama de casal para o quarto pequeno, mas conseguiram a sala de volta.

Outra história boa é sobre o nome original da banda. Quando eles assinaram com a gravadora Elektra o seu primeiro contrato, através do Danny Fields (sobre quem falei aqui de seu documentário Danny Says), eles resolveram mudar o nome de The Psychedelic Stooges para The Stooges. Só que os Stooges do nome vinham dos 3 Patetas (the 3 Stooges) e Iggy resolveu ligar para o Moe e pedir permissão para usar o nome. O que Moe responde pra ele é hilário, impossível nos dias de hoje mas que mostra que a ingenuidade ainda existia nos anos 70’s.

Isso só pra contar 2 historinhas que em princípio não têm a ver com música porque tudo o que a gente quer ouvir contarem está no filme: Warhol, MC5, Bowie, mais Bowie, maconha, LSD, Lou Reed, o namoro com a Nico e o clipe dela, heroína, os hotéis em L.A., Detroit, o punk, os Ramones, os vômitos que o público queria ver do Iggy nos shows, as expulsões das gravadoras por indecência, isso tudo e muito mais.

De novo: tudo o que a gente pensa que sabe sobre os Stooges, assistindo Gimme Danger descobrimos que as coisas eram sempre mais. Mais sexo, mais drogas, mais excessos, mais tudo. E muito mais rock and roll.

Agradeço imensamente a Deus Jim Jarmusch por mais um filme essencial, obrigatório, viciante e de chorar ajoelhado.

24/365 BRIGHT LIGHTS

A HBO lançou no início deste mês, às pressas, o documentário Bright Lights que vinha preparando sobre a relação da mãe e filha, Debbie Reynolds e Carrie Fisher.

A super estrela e queridinha da América nos anos 50 e 60 Debbie Reynolds, morreu (com certeza) de desgosto horas depois que sua filha Carrie Fisher, a eterna Princesa Leia, faleceu.

A HBO vinha fazendo esse filme há um tempo e a toque de caixa, lançou bem antes da data prevista.

O início do filme é meio ruim, parece mesmo que foi finalizado de última hora, às pressas. Mas depois de uns 20 minutos o filme entra nos eixos e nos mostra uma relação de mãe e filha como eu não esperava.

Elas moravam juntas, no mesmo terreno em casas separadas e Carrie cuidava de sua mãe. Debbie, nos meses que o filme foi sendo rodado, vai piorando em frente às câmeras e mesmo assim continua filmando, recebendo prêmios, participando de eventos e não se cansa. Ou melhor, não para.

Uma das coisas lindas do filme é ver a coleção de memorabilia de Hollywood que Debbie possuía, e onde gastou fortunas fazendo essa coleção: os sapatinhos vermelhos do Mágico de Oz, o vestido branco esvoaçante de Marilyn Monroe, as roupas completas dos caras do rat pack, e mais móveis e roupas e objetos dos principais filmes de Hollywood. Leilões são feitos desse tesouro e o grande medo da família era que Debbie ficasse mal com a venda, já que sempre ficou mal por não ter conseguido montar o museu para todo seu tesouro.

Muitas histórias são contadas, principalmente sobre os 2 casamentos de Debbie: primeiro com Eddie Fisher, pai de seus filhos, grande estrela dos anos 50 como Debbie e que a trocou pela sua melhor amiga (claro) Elizabeth Taylor; e o segundo casamento, com um ricaço mais velho que ela que perdeu não só sua fortuna no jogo e com prostitutas como perdeu também a fortuna de Debbie nos casinos.

Uma família que é marcada pelo consumo abusivo de drogas por Carrie, desde bem pequena, por seu pai Eddie, que foi viciado em metanfetamina pelo mesmo médico que viciou Frank Sinatra e outros da época e que também morre durante o documentário.

Uma família marcada pela fama que na verdade se mostra muita efêmera, onde a grande estrela dos anos 50 tem que fazer shows em Las Vegas quando o dinheiro acaba; ou a Princesa Leia, que tem que participar de eventos onde as pessoas pagam 70 dólares por seu autógrafo, onde ela deixou bem claro às câmeras de seu desgosto.

Filme triste, história de amor linda de uma família que é uma das mais importantes da história do cinema americano: a atriz do maior filme da história, Cantando na Chuva e o amor infinito por sua filha, a princesa das galáxias Leia.

Clipes da semana: Atoms For Peace, Hunx and his Punx e mais.

Mais uma semana, mais clipes bacanas.
thom yorke
Thom Yorke and friends no “Atoms For Peace”.

Deus Paul McCartney lança clipe super estrelado por Meryl Streep, Tracy Ullman, Sean Penn, Jude Law, Chris Pine, Alice Eve, Jeremy Irons:

Com um making of demais tb:

Os doidos do “Hunx And His Punx”, preferidos meus.

Washed Out:

“Yeasayer”.

Os reis “Mudhoney”.

O Stroke Albert Hammond Jr.

Os maconheiros véios Cheech & Chong.