135/365 NEDS – JOVENS DELINQUENTES

Filmão de 2010 que só vi agora, Neds é um filme escocês que parece uma coisa e é outra (melhor) completamente diferente.

Neds parece uma comediazinha bacana sobre o gordinho bonitinho maior vítima de bullying na escola, em Gasgow nos anos 70, quando os professores ainda batiam nos alunos com uma espécie de palmatória de borracha.

Só que Neds é mais que isso.

O gordinho é de uma família da working class escocesa, da classe média baixa, uma família de trabalhadores, típica inglesa onde os pais ficam fora o dia todo e só percebem que seus filhos estão se fudendo tarde demais.

Como foi o caso do irmão mais velho do gordinho John, que foi expulso de casa e é um Ned, non educated deliquent, um delinquente sem educação, um hooligan, um adolescente já perdido, um tipo de um marginalzinho de gangue.

John usa da “fama” do irmão pra se livrar de perseguição vez ou outra e, à medida que vai crescendo, percebe que isso é algo mais valioso que apenas ir bem na escola com notas boas e estar na melhor turma (John nunca foi da 5a C, pra vocês terem ideia, sempre da A).

E o nerd aos poucos vai perdendo o R e virando um NED.

Quando o filme muda de tom e a comediazinha vira uma bela de uma comédia dramática de humor negro escocês fiadaputa, Neds cresce de uma forma absurda e vira um filmão da porra.

Escrito e dirigido pelo ótimo ator e diretor inglês Peter Mullan, muito desse sucesso se deve à escolha do elenco, principalmente a molecada da rua, com total foco em Conor McCarron, o gordinho cdf que cresce e vira mais que isso.

Seus dramas pessoais, seus dramas sociais, sua família toda cagada, seu pai abusivo, as oportunidades espúrias que vão aparecendo em seu caminho fazem de John McGill um personagem a ser lembrado, muito pelas decisões que ele toma, que me deixavam cada vez com a boca mais aberta à medida que o filme vai se desenrolando.

De novo, vivas para o diretor Mullan, um dos atores preferidos do mestre Ken Loach, aprendeu muito sobre direção de atores e direção de não atores também.

Filmaço.

Os vencedores (e as lindas) do BAFTA 2017.

Ontem aconteceu em Londres a entrega dos prêmios BAFTA, o “Oscar inglês”.

Achei que lá eles iriam continuar o enaltecimento de Eu, Daniel Blake mas parece que La La Land vai continuar ganhando tudo.

Os vencedores são:

Melhor Filme Britânico: Eu, Daniel Blake

Estrela em Ascensão: Tom Holland

Melhor Maquiagem: Florence Foster Jenkins

Melhor Música Original: La La Land

Melhor Figurino: Jackie

Melhor Som: A Chegada

Melhor Direção de Arte: Animais Fantásticos

Melhor Documentário: 13th

Melhor Filme em Língua Não Inglesa: O Filho de Saul

Melhor Roteiro Adaptado: Lion

Melhor Atriz Coadjuvante: Viola Davis

Melhor Animação: Kubo e as 2 Cordas

Melhor Efeito Especial: O Livro da Selva

Melhor Ator Coadjuvante: Dev Patel

Melhor Roteiro Original: Manchester À Beira Mar

Melhor Fotografia: La La Land

Melhor Ator: Casey Affleck

Melhor Diretor: Damien Chazelle

Melhor Atriz: Emma Stone

Melhor Filme: La La Land

Prêmio Especial Fellowship: Mel Brooks

Os diretores de Cannes 2016.