138/365 FIQUE COMIGO

Ah, as comédias francesas.

Fique Comigo é uma daquelas comédias que você acha que estão super bem encaminhadas e de repente, BAHM!, cai um astronauta no telhado e o filme só melhora.

Passado em um prédio na periferia de Paris, o filme começa com um problema de condomínio: o elevador precisa ser reformado.

Todo mundo topa, menos o morador do primeiro andar que diz que não precisa usá-lo e que por isso não quer gastar dinheiro.

Os condôminos resolvem que vão arcar com a parte dele mas que o figura não pode usar o elevador. Até que no outro dia ele sofre um pequeno acidente e tem que ficar de cadeira de rodas por um tempo e por isso, o que mesmo? Ele precisa usar o elevador escondido.

Mas esse é só o começo do filme, que dita o tom de Fique Comigo, uma comédia de humor negro, ou de um humor tipicamente francês, adulto, de canto de boca. E a partir daí as outras personagens que moram no prédio vão aparecendo: uma atriz de cinema que tem que explicar sua carreira pro moleque vizinho amante de cinema e não a conhece, o cara de cadeira de rodas que finge ser fotógrafo famoso porque se interessa pela enfermeira do hospital onde ele vai toda noite pegar comida; a mulher que mora sozinha e que cuida, sim, do astronauta americano que caiu no telhado do prédio que só fala inglês e se comunica como pode com sua anfitriã.

Historinhas boas que acontecem no mesmo lugar, o prédio, com aquela vibe que a gente gosta de filmes do Altman, de herói coletivo, sem personagem principal e com uma bela lição de uma estrela como Isabelle Huppert no meio disso tudo como a atriz solitária e mais a minha preferida Valeria Bruni Tedeschi e Michael Pitti.

E as belezas nas after parties do Oscar.

Esse é um post pra falar que as atrizes trocam de roupa, mudam o cabelo, tudo pra ir pra balada depois do Oscar.

É só comparar com as fotos do meu outro post, o antes e o depois.

Aqui estão as fotos da festa da Vanity Fair e da festa do Elton John, as 2 mais prestigiadas.

Oscar 2017

Assistindo a premiação do Oscar e vendo Warren Beaty se atrapalhar e se perder com o envelope que ele tinha em mãos para anunciar o principal prêmio da noite, o de melhor filme, cheguei à conclusão que até mesmo um dos mais fodões das artes do mundo se perde quando é pego de surpresa, ao vivo, em frente de uma audiência de mais de 1 bilhão de pessoas.

Foi bizarro: ele abriu o envelope e não anunciava o vencedor. Fay Dunaway que estava ao seu lado, Clyde do Bonnie, foi ficando nervosa e falando pra ele falar. Ele deu o papel pra ela ler e ela anuncia que o vencedor é La La Land. O povo todo sobe ao palco, os produtores agradecem, aquela choradeira linda e entram umas pessoas anunciando que o anúncio foi errado, que o real vencedor era Moonlight.

Constrangimento total mas o produtor de La La Land foi fino e fofo e magnânimo e disse que com prazer e alegria entregaria o prêmio aos produtores e equipe de Moonlight.

Eis que Warren vai ao microfone e mostra o papel que deram pra ele ler. Era o papel com o prêmio de melhor atriz para Emma Stone. Faye viu La La Land ali embaixo e se jogou.

A conclusão é: num momento de tensão, de equívocos, até o fodão dos fodões se perde mesmo e não sabe o que fazer. Lembra da Adele desafinando ano passado, se desculpando depois e dizendo que não repetiria o erro e esse ano recomeçou a música nos mesmos Grammy’s? Warren deveria ter feito o mesmo, mesmo a culpa não sendo dele, ou apesar da culpa não ser dele.

Mas entre mortos e feridos, Moonlight, o filme de 5 milhões de dólares, o filme gay, o filme de negros pobres de Miami, o filme da mãe viciada em crack, o filme do traficante filósofo, ganhou o Oscar de melhor filme.

Aliás, depois do ano passado dos #Oscarsowhite, esse ano foi o Oscar dos negros, dos gringos, um tapa na cara do Trump.

Felicidade.

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Se liga, estagiário dos envelopes.

Vencedores:

Ator Coadjuvante: Mahershala Ali de Moonlight ❤

Maquiagem: Esquadrão Suicida

Figurino: Animais Fantásticos e Onde Habitam

Documentário: O.J.: Made In America

Edição de Som: A Chegada

Mixagem de Som: Até o Último Homem (filme do Mel Gibson que eu não vi e nem vou ver)

Atriz Coadjuvante: Viola Davis ( e seu discurso absurdo de lindo)

Filme de língua não inglesa: O Apartamento, do meu preferido Asghar Farhadi que não conseguiu visto pra entrar nos EUA: “my absence is out of respect for the people of my country”. E o prêmio foi recebido pela primeira astronauta iraniana a ir pro espaço, Anousheh Ansari

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Curta de Animação: Piper

Animação: Zootopia

Direção de Arte: La La Land

Efeitos Visuais: O Livro da Selva

Edição: Até o Último Homem

Documentário Curta: Os Capacetes Brancos

Curta: Sing

Fotografia: Linus Sandgren, La La Land

Trilha Original: La La Land

Música Original: La La Land

Roteiro Original: Manchester À Beira Mar

Roteiro Adaptado: Moonlight

Diretor: Damien Chazelle

Ator: Casey Affleck

Atriz: Emma Stone

Filme: Moonlight

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E umas fotos, porque nessa festa o povo se arruma bem:

 

Vencedores do César 2017.

E ontem foi a festa de entrega do Cesar, o “Oscar” francês.

Numa festa com Isabelle Huppert, Lilly-Rose Depp e George Clooney, o grande vencedor foi o filme (lixo) Elle.

Aqui a lista com todos os agraciados.

Melhor FILME
Elle, produced by Saïd Ben Saïd, Michel Merkt

Melhor ATOR
Gaspard Ulliel, It’s Only The End Of The World

Melhor DIRETOR
Xavier Dolan, It’s Only The End Of The World

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Melhor ATRIZ
Isabelle Huppert, Elle

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Melhor ROTEIRO ORIGINAL

Solveig Anspach, Jean-Luc Gaget, L’Effet Aquatique

Melhor Filme Estrangeiro

I, Daniel Blake, dir: Ken Loach

Melhor ATRIZ COADJUVANTE
Deborah Lukumuena, Divines

Melhor ROTEIRO ADAPTADO
Céline Sciamma, Ma Vie De Courgette

Melhor ATOR COADJUVANTE
James Thierrée, Chocolat

Melhor CURTA – Tie
Maman(s), dir: Maïmouna Duocouré
Vers La Tendresse, dir: Alice Diop

Melhor DIR DE FOTOGRAFIA
Pascal Marti, Frantz

Melhor ANIMAÇÃO
Ma Vie De Courgette, dir: Claude Barras

Melhor CURTA DE ANIMAÇÃO
Celui Qui A Deux Ames, dir: Fabrice Luang-Vija

Melhor EDIÇÃO
Xavier Dolan, It’s Only The End Of The World

Melhor ESTREIA
Divines, dir: Houda Benyamina

Melhor TRILHA
Ibrahim Maalouf, Dans Les Forêts De Sibérie

Melhor DOC
Merci Patron!, dir: François Ruffin

Melhor SOM
Marc Engels, Fred Demolder, Sylvain Réty, Jean-Paul Hurier, L’Odyssée

Melhor FIGURINO
Anaïs Romand, The Dancer

CESAR PELA CARREIRA

George Clooney

France Cesar Awards

10/365 ELLE

Elle é O filme do momento.

Na verdade, tem sido o filme do momento desde sua primeira exibição em Cannes ano passado. Quando eu li que em competição estaria um filme dirigido pelo Paul Verhoeven, estrelado pela Isabelle Huppert sobre estupro com uma puta cena polêmica, achei que seria o filme do ano.

Qual não foi minha decepção quando assisti a primeira vez, depois de ficar todo dia procurando um torrentzinho pra ver a obra.

Tudo o que todo mundo elogia no filme é o que me decepcionou.

Na sinopse, uma mulher é estuprada e acaba tendo uma relação estranha com o fato, primeiro não denunciando o caso e depois procurando seu algoz para resolver o problema de uma forma não ortodoxa. Ok, gostei, interessante, parece. Uma mulher fodona que resolve se vingar com as próprias mãos, foi o que eu supus.

Ao ver o filme, o roteiro mostra que na verdade não é bem isso. A relação dessa mulher com o homem que a violentou é bem peculiar. Ela suspeita de uns homens e tenta descobrir quem é o tal do cara, ao mesmo tempo que recebe ameaças, que tentam fazer bullying com ela e ela lida com isso tudo, de novo, da forma mais peculiar possível. Vingança, paciência, escolhas, ironia, poder feminino.

Isso me desconcertou um pouco. Não acredito em uma mulher que seja pragmática o suficiente pra resolver uma situação tão extrema como um estupro de uma forma tão tranquila. Claro que você pode estar pensando: ah, mas existem mulheres assim, não podemos generalizar em nada. Eu sei que existem, mas eu infelizmente não consigo acreditar nisso. E daí o filme acabou virando meio que uma piada pra mim.

A personagem de Isabelle é uma executiva super bem sucedida, mora numa puta casa, tem uma empresa de video games famosa, amigos, família, um filho doidão, mas é meio estranha, meio irônica, meio calculista ao ponto mostrado no filme. A força da mulher podendo escolher o que fazer com seu corpo mesmo em situações limites com um estupro diz muito do filme mas esse não é um problema e sim uma das poucas  coisas do filme sendo a outra coisa boa o ator principal, Laurent Lafitte.

Mulheres que já viram o filme me ajudem, tô muito errado em pensar assim?

Não sou de dar spoilers e não vai ser aqui eu vou começar a ser, mas há momentos no filme que eu achei tão forçados na relação dela com o estupro (e com o estuprador, pra falar a verdade) que eu achei que no meio do filme o diretor resolveu mudar a história pra que ela fosse mais surreal talvez e aí foi.

História meia boca, direção meia boca, personagem besta com cara de quem tá bêbada o filme todo, não rolou pra mim mesmo. E só pra deixar claro, tudo isso que acho de Elle é o que uma grande parcela da crítica elogia no filme.

Talvez o filme seja uma bosta (como eu também acho) para o juri de um festival como Cannes, onde entrou como o grande filme em competição e saiu sem prêmio algum, mas seja um grande filme para o mercado americano quando ganhou domingo passado o prêmio de melhor filme de língua não inglesa no Globo De Ouro e Isabelle Huppert ganhou o prêmio de melhor atriz. (achei o máximo ela ganhar melhor atriz, merecidíssimo desde vários anos, mas não por esse filme). E com esses prêmios, agora é um grande candidatos ao Oscar. Aguardemos.

Pra não dizer que sou tão chato, logo vou falar de outros 2 filmes absurdamente bons com La Huppert.

E Paul, apenas melhore.

 

As estrelas de Cannes 2016.