138/365 FIQUE COMIGO

Ah, as comédias francesas.

Fique Comigo é uma daquelas comédias que você acha que estão super bem encaminhadas e de repente, BAHM!, cai um astronauta no telhado e o filme só melhora.

Passado em um prédio na periferia de Paris, o filme começa com um problema de condomínio: o elevador precisa ser reformado.

Todo mundo topa, menos o morador do primeiro andar que diz que não precisa usá-lo e que por isso não quer gastar dinheiro.

Os condôminos resolvem que vão arcar com a parte dele mas que o figura não pode usar o elevador. Até que no outro dia ele sofre um pequeno acidente e tem que ficar de cadeira de rodas por um tempo e por isso, o que mesmo? Ele precisa usar o elevador escondido.

Mas esse é só o começo do filme, que dita o tom de Fique Comigo, uma comédia de humor negro, ou de um humor tipicamente francês, adulto, de canto de boca. E a partir daí as outras personagens que moram no prédio vão aparecendo: uma atriz de cinema que tem que explicar sua carreira pro moleque vizinho amante de cinema e não a conhece, o cara de cadeira de rodas que finge ser fotógrafo famoso porque se interessa pela enfermeira do hospital onde ele vai toda noite pegar comida; a mulher que mora sozinha e que cuida, sim, do astronauta americano que caiu no telhado do prédio que só fala inglês e se comunica como pode com sua anfitriã.

Historinhas boas que acontecem no mesmo lugar, o prédio, com aquela vibe que a gente gosta de filmes do Altman, de herói coletivo, sem personagem principal e com uma bela lição de uma estrela como Isabelle Huppert no meio disso tudo como a atriz solitária e mais a minha preferida Valeria Bruni Tedeschi e Michael Pitti.

O olhar precioso do grande Cecil Beaton.

O grande fotógrafo americano Cecil Beaton capturou com suas câmeras os grandes nomes do showbiz americano do século 20.
Aqui uns exemplos com comentários do próprio.
Joan Crawford
JOAN CRAWFORD: “Se Hollywood fosse o Monte Olimpo (e certamente é), então a senhorita Joan Crawford iria escolher algum Curió para afiar suas penas. Como a abelha rainha em um de seus filmes, ela foi alimentada com geleia real, sobrevivendo a indignação irreparável de anos para se tornar o último dos grandes astros do cinema.”

liz taylor
Elizabeth Taylor by Beaton at The Proust Ball, 1971
Beaton não gostava de Liz Taylor e sempre que era chamada pela diva para fotografá-la cobrava rios de dinheiro e ela nunca pagava. Mas em 1971 teve que fotografá-la para o Proust Ball mas ele escolheu tudo o que ela usaria na foto.

greta-garbo
Greta Garbo: “Algumas atrizes aparecem magnéticas e sensíveis até que o projetor pára e a ilusão criada pelo diretor e seus assessores é dissipado. Só Garbo consegue manter sua nobreza e superioridade no mundo real. E mais ninguém.”

warhol_factory
ANDY WARHOL na Factory: “Mais curioso e indescritível, o mundo assombrado presidido pelo zumbi mais morto do que vivo desde que foi baleado, Andy Warhol. No início era difícil capturar os grupos mercuriais de pessoas estranhas, sentados em silêncio e em movimento inutilmente ao seu redor, em sua enorme Factory. Mas, eventualmente, eu senti que tinha uma adição valiosa para a exposição. Warhol, olhando através de algumas revistas de arte, diz, “a cena da arte não é revoltante hoje em dia? Eu queria poder pensar em uma maneira de torná-la pior!”