144/365 RAW (GRAVE)

Acho que depois de ter assistido Raw eu vou passar uns dias só vendo comédia romântica fofinha de amorzinho, porque olha, que filme!

O francês Raw (aqui no Brasil se chama Grave, mas nem rola esse nome pessoal) é um terror literalmente visceral, punk, animal, bem bom.

O filme conta a história de uma garota, vegetariana radical, que começa a faculdade de veterinária, a mesma que sua irmã estuda e que seus pais também estudaram antes delas.

No trote, ela é forçada a comer carne, um pedaço de fígado de coelho, o que acaba causando efeitos bem sérios nela.

Começa uma coceira bem forte com manchas pelo corpo, meio que uma urticária desgraçada e a partir daí, tudo muda.

Ela começa a comer carne, vai pra carne crua, até que num acidente na hora da depilação, ela se delicia com o dedo da irmã.

Não, Raw não é uma comédia. O filme é sério, pesado, explícito, sem concessões. Sabe canibalismo? Pois é. Mas não só, Raw é bem erótico, bem mais do que até eu esperava. E funciona lindamente.

A garota descobre mais ou menos o que está acontecendo com ela e como ela pode tentar resolver essa fome desmesurada que apareceu em sua vida.

Muito sangue, muita câmera na mão, muito sangue, muito mais sangue e o filme vai embora, super bem dirigido e escrito pela francesa Julia Ducournau e com um elenco de dar inveja, Raw é um filme bem peculiar sobre o desabrochar de uma garota para a vida adulta.

Se você tem estômago forte, assista Raw que vale a pena.

141/365 ANTES QUE EU VÁ

Antes Que Eu Vá é uma adaptação de um livro sucesso entre a molecada que conta a história do dia de uma patricinha chata de uma escola americana e suas amigas populares com todos os clichês que já vimos em 50 outros filmes.

Só que esse dia se repete e se repete e só ela percebe esse dia da marmota particular.

A premissa é boa: e se hoje fosse o único dia do resto da sua vida?

E essa repetição faz com que ela enxergue sua vida por uma outra perspectiva e tome decisões, algumas bem radicais, que ela nunca tomaria em sua vida normal.

O filme é uma mistura de O Feitiço do Tempo (Groundhog Day) com As Patricinhas de Beverly Hills e uma boa pincelada de Donnie Darko, que dá o pouco charme do filme.

O filme tem um roteiro quase bom, com poucos furos até,  já que num caso desses de muitas idas e voltas e mais voltas poderia acabar com a vida de qualquer roteirista. Mas o que me incomodou foi uma regra básica de volta no tempo: geralmente não se podem tomar decisões tão radicais imediatamente, você tem que mudar o curso do destino bem sutilmente. E o que falta nesse filme é sutileza. As decisões acontecem muito apressadamente e o que poderia ser bonito de se ver construído aos poucos, acaba sendo nos jogado na cara onde devemos engolir à força o que estamos assistindo.

Fora a Jennifer Beals, que faz a mãe da menina e uma outra atriz adolescente que fez a série horrorosa da Drew Barrymore morta viva da Netflix eu não conhecia ninguém do elenco, o que me deixou intrigado, com uma vibe indie num filme grande. Funcionou bem.

Neil Gaiman + Nicole + Cameron Mitchell + Elle = filme do ano.

How to Talk To Girls At Parties é um conto bem bom do Neil Gaiman onde uns aliens caem na Inglaterra nos anos 70 e viram punks. Ou mais ou menos isso.

John Cameron Mitchell, o gênio que criou Hedwig adaptou o conto e ontem lançou o filme em Cannes.

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As críticas estão sendo ótimas e até o meio do ano devemos ter o filme pra ver.

O elenco é animal: Nicole Kidman, Elle Fanning, Alex Sharp, Ruth Wilson, Matt Lucas, Joanna Scanlan, Elarica Gallacher.

E a trilha é dos meus preferidos Matmos.

137/365 BRANQUINHA

Branquinha é o filme americano que mais deu o que falar ao estrear no Festival de Sundance em 2016.

O filme foi vendido como o novo Kids e na minha opinião, Branquinha é um pouco mais que isso.

O filme é muito bem escrito e muito bem dirigido por Elizabeth Wood e tem na atriz principal um grande trunfo.

Morgan Saylor se joga de cabeça no papel da jovem baladeira de NY, que está de férias do primeiro ano de faculdade e se muda de apartamento.

Na casa nova, se encanta pelo traficante da rua e a aproveitar o que pode, já que as drogas estão fáceis e a festa nunca termina.

A partir daí, o filme entra num turbilhão de balada, cocaína, sexo, maconha, crack, mais drogas, mais sexo explícito, até que o traficante namorado da Branquinha (do título) vai preso.

E ela faz tudo o que pode para tirá-lo da cadeia, o que quer dizer vender a cocaína dele pra levantar dinheiro, transar em troca de favor, ela é roubada, estuprada, apanha do traficante chefão e muito mais.

O filme é forte, pesadão e disse que não é o novo Kids, mas sim um próximo passo, já que o filme é escrito e dirigido por uma mulher e o foco é outra mulher e o périplo pelo inferno que ela passa por amor.

Ah, e tem na Netflix.

134/365 THE DEVIL’S CANDY

Puta filme desgraçado.

Um artista plástico metaleiro meio falido, sua mulher e sua filha metalerinha, se mudam pra uma casa que eles compram numa oportunidade única e barata. Detalhe: na casa morreu um casal que lá vivia, ninguém comprava, encalhou e por isso a oportunidade.

Até aí tudo bem. Eles se mudam, o ateliê do cara melhora, a mulher se fode mais pra trabalhar longe, a filha muda de escola e também se fode. Mas o metaleiro se anima com a mudança e começa a produzir muito. Só que ele não entende como pinta, porque entra em uns transes, ouve uns sussurros e medo pra caralho.

Casa assombrada, lembra?

Possessão de leve.

Ah, tem ainda o Pruitt Taylor Vince, sabe?

Não? Olha a foto dele pra lembrar.

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Então, acho que finalmente escreveram uma personagem pra ele e seu phisique du role tão peculiar.

Ele é o filho do casal que morreu na casa e quer voltar pro seu lar e continuar matar crianças que são… tentem adivinhar… os docinhos do demônio do título do filme.

Voltando lá: que filme desgraçado. Me caguei bem. E que trilha, minha gente, que peso, que gritaria, que trilha!

Moral da história: não ouça heavy metal porque é a música do demo e se ouvir muito e chamar, ele vem.

Outra moral da história: se for metal head e não tiver jeito, pelo menos tenha uma bela guitarra em casa, fica a dica.

127/365 HANDSOME DEVIL

Mais um filme onde uns adolescentes se descobrem nas adversidades.

Desta vez numa escola interna irlandesa, onde a dupla mais diferente possível, um nerd estranho e o astro do time de rúgbi acabam criando um laço improvável através da música.

O filme é bom, o roteiro é todo certinho, direção correta mas desta vez ficou faltando um pouco de ousadia em mostrar uns detalhes de cada um dos personagens que saem fora da curva da nóia da escola careta, masculina, centrada no time de rúgbi.

Todos os clichês são mostrados e exacerbados em Handsome Devil e talvez seja exatamente isso que baixe um pouco a bola do filme.

Para um filme gay de descoberta, para um drama adolescente, o diretor de Handsome Devil se mostra pouco ousado onde deveria e acho que isso possa talvez afastar o público adolescente, que seria o alvo desse filme.

O filme é um pouco sério demais quando talvez devesse ser mais relaxado e com maior empatia.

Mas vale a pena, filme bonitinho de tudo.

124/365 MINHA MÃE É UMA PEÇA 2

Sim, eu achei um torrent bom e assisti esse filme.

Eu tinha achado o primeiro um filme razoável, de uma ideia boa, de um comediante que funciona como mulher. Sucesso absurdo de público e a gente conhece a história.

Daí obviamente que fizeram a continuação, agora a mãe doida tem um programa de tv (?) do nada pra dar conselhos ou sei lá o quê, já que nada fica tão claro.

E o filme gira em torno dessa mãe com os filhos indo morar em SP, a irmã que vem visitar de NY, a outra que enche o saco, o ex marido.

Só que o filme tem um roteiro bem frouxo, com piadas repetidas, com todos os personagens beeeem secundários, deixando a mãe brilhar acima de todas as coisas.

Mal dirigido, mal escrito, com uma produção (cara) que parece ter sido filmada em cenários de novelas de uns 15 anos atrás, todo errado.

Mas quem sou eu pra falar qualquer coisa desse filme. Quem manda é o público e Minha Mãe É Uma Peça 2 bateu todos os recordes de bilheteria de todos os tempos do cinema brasileiro.

Inacreditável.

Passe longe.

P.S. –

Paulo Gustavo, eu sei que o senhor está milionário mas vamos acabar com a preguiça, né? Se precisar de um roteirista bom pro próximo é só me chamar.

123/365 ADULT LIFE SKILLS

Li coisas boas em alguns sites sobre esse filme inglês, Adult Life Skills e acabei me surpreendendo mais ainda.

O filme tem uma vibe de indie deprê americano no início, mas acaba sendo uma boa comediazinha bem boa com um roteiro ótimo.

O filme conta a história de uma mulher de 30 anos de idade que mora nos fundos da casa da mãe dela e tem uma vida, junto com seus amigos da mesma idade, de adolescentes tardios.

Sem nenhuma responsabilidade, com atitudes que em princípio parecem de uns idiotas mas que no fundo é um retrato de uma realidade bem atual dessa juventude tardia que nunca acaba, ao que parece. Mas que é só a água bater na bunda que o povo se vira direitinho.

Mas o filme é bom, bonitinho mesmo, vale a vista.

117/365 A AUTÓPSIA DE JANE DOE

Mais um terror bom que eu finalmente assisti.

Pra começar, os atores Brian Cox e Emile Hirsch estão ótimos nos papéis de pai e filho responsáveis pelas autópsias de uma cidadezinha sossegada.

Eles dão uns showzinhos mesmo.

Detalhe: eles trabalham no porão da casa deles, onde moram só os 2.

Um dia o xerife da cidade traz o corpo de uma mulher sem identificação, a Jane Doe do título, como eles os chamam nos EUA, e quando a autópsia começa, a putaria começa.

Ops, o terror começa.

Imagina a doideira de pai e filho no porão de casa começando uma autópsia de um corpo de uma mulher em perfeito estado de conservação, sendo que foi encontrado enterrado e não sabem há quanto tempo estava embaixo da terra.

Medo de verdade.

Filmaço com um puta clima tenso, belo roteiro e bela construção de história e de revelações.

105/365 BACALAUREAT

haBACALAUREAT é o novo filme de Cristian Mungiu, o romeno fodão que ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 2007 com o filmaço 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias.

Seu filme novo é quase tão bom quanto aquele tão amado e premiado.

BACALAUREAT conta a história de um médico, em uma cidadezinha na Romênia, conhecido por sua lisura e ética.

Quando sua vida é brutalmente atacada e estuprada indo fazer o tal do bacalaureat, o vestibular deles, ele tenta de todas as formas ajudá-la a não perder as provas e não ter notas baixas, porque o sonho dela de estudar na Inglaterra depende do sucesso do vestibular.

Por isso ele tenta até subornar professores, policiais e quem mais precise, ao mesmo tempo que tenta descobrir que estuprou a filha.

Enquanto isso, o seu casamento desaba, sua amante não aguenta mais ser delegada a segundo plano, sua filha namora um looser, tudo vai ruindo a sua volta. E sua vida ética no trabalho parece um outro mundo comparado com os pecadilhos de seu dia a dia.

Mungiu é um dos maiores diretores de ator da atualidade. Nesse filme, que ele mesmo escreveu, o roteiro é tão amarradinho e o texto é tão absurdo que com o elenco que tem em mãos, num filme que não custou nem 2 milhões de dólares, o cara faz a festa. Deita, rola, samba e sapateia.

BACALAUREAT é um desses filmes que passam quase desapercebidos pelas nossas vidas, nem tem estreia programada por aqui, pelo que sei, e se aparecer na sua frente, não perca a oportunidade de ser feliz.