138/365 FIQUE COMIGO

Ah, as comédias francesas.

Fique Comigo é uma daquelas comédias que você acha que estão super bem encaminhadas e de repente, BAHM!, cai um astronauta no telhado e o filme só melhora.

Passado em um prédio na periferia de Paris, o filme começa com um problema de condomínio: o elevador precisa ser reformado.

Todo mundo topa, menos o morador do primeiro andar que diz que não precisa usá-lo e que por isso não quer gastar dinheiro.

Os condôminos resolvem que vão arcar com a parte dele mas que o figura não pode usar o elevador. Até que no outro dia ele sofre um pequeno acidente e tem que ficar de cadeira de rodas por um tempo e por isso, o que mesmo? Ele precisa usar o elevador escondido.

Mas esse é só o começo do filme, que dita o tom de Fique Comigo, uma comédia de humor negro, ou de um humor tipicamente francês, adulto, de canto de boca. E a partir daí as outras personagens que moram no prédio vão aparecendo: uma atriz de cinema que tem que explicar sua carreira pro moleque vizinho amante de cinema e não a conhece, o cara de cadeira de rodas que finge ser fotógrafo famoso porque se interessa pela enfermeira do hospital onde ele vai toda noite pegar comida; a mulher que mora sozinha e que cuida, sim, do astronauta americano que caiu no telhado do prédio que só fala inglês e se comunica como pode com sua anfitriã.

Historinhas boas que acontecem no mesmo lugar, o prédio, com aquela vibe que a gente gosta de filmes do Altman, de herói coletivo, sem personagem principal e com uma bela lição de uma estrela como Isabelle Huppert no meio disso tudo como a atriz solitária e mais a minha preferida Valeria Bruni Tedeschi e Michael Pitti.

129/365 NA CAMA COM VICTORIA

Não poderia ter um título mais escroto e errado para um filme tão bom e tão fodão como Na Cama Com Victoria.

Com esse título misógino, parece que a personagem principal do filme é uma puta. O que não teria problema nenhum se ela fosse. Mas Victoria é mãe de 2 filhas pequenas que cria sem o pai, advogada fodona, mulher de atitude, a empoderada desses nossos dias, não tem problemas sexuais ou problemas em ter alguns parceiros sexuais e acho que por isso alguém bem equivocado na distribuidora brasileira acho que teve a brilhante ideia do título.

E, detalhe, o sexo no filme é bem coadjuvante.

Como já disse Victoria é uma advogada fodona que ao mesmo tempo que pega o caso de seu melhor amigo, tem que se defender em um caso com seu ex marido que resolveu virar blogueiro e criou uma personagem fictícia baseada na vida profissional de sua ex mulher e lá entrega alguns de seus segredos jurídicos.

Isso tudo tendo que lidar com seus problemas do dia a dia como arrumar babá para as filhas, só pra citar um deles.

Victoria é o tipo de filme que poderia ser feito por aqui em português que seria um novo Que Horas Ela Volta?, com o mesmo tipo de pegada sócio-político-cultural.

O filme é escrito e dirigido pela ótima Justine Triet e tem Virginie Efira, uma bela de uma atriz que deu alma e corpo e voz à Victoria.