Daft Punk sem capacete em Cannes.

Thomas Bangalter, um dos robôs do Daft Punk na verdade não é um robô!

Como assim?

Ele esteve ontem a noite na sessão oficial de abertura do Festival de Cannes, ao lado de sua esposa, a fodona Élodie Bouchez.

Ele é o cara meio careca, meio cabeludo, de óculos na foto, ao lado de Élodie.

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Bom, repensando o que escrevi antes, parece que Thomas é um robô sim. Enquanto as pessoas nesse vídeo, sua esposa e até Adrien Brody se movem, Bangalter fica duro que nem respira.

Cannes 2017 – Primeiro tapete vermelho

Hoje começou o Festival de Cannes 2017 e depois da estreia para a imprensa do documentário dirigido pela atriz inglesa Vanessa Redgrave sobre os refugiados na Europa, a noite lá teve o primeiro tapete vermelho com a estreia hour concours do filme Ismael’s Ghosts de um dos meus preferidos Arnaud Desplechin, com o elenco dos sonhos, Marion Cotillard, Charlote Gainsbourg e Louis Garrel.

Agora as lindas:

E mais cedo ainda teve pela cidade as deusas Marion Cotillard e Monica Bellucci.

Problematizaram o poster do Festival de Cannes. (ATUALIZADA)

Todo ano, vai chegando o fim de março, vai também chegando a ansiedade pelo poster do Festival de Cannes.

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Em 2017, na sua edição de número 70, a homenageada é a atriz italiana Claudia Cardinale não só por seus mais de 50 anos como atriz, mas também por seu engajamento social. O presidente do juri da competição oficial desse ano é Pedro Almodovar e a mestra de cerimônias é Deusa Monica Belucci.

Estrela de clássicos como O Leopardo e Rocco e seus Irmãos de Visconti,  8 e 1/2 de Fellini, Fitzcarraldo de Werner Herzog e Era Uma Vez no Oeste de Sergio Leone, a foto usada no poster é de Claudia rodopiando em uma saia vermelha. Só que acharam a foto original e estão reclamando do exagero do photoshop feito no poster do Festival.

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Mega pregui.

E que venham os filmes.

ATUALIZAÇÃO

Deusa Claudia Cardinale se pronuncia lindamente em relação ao poster:

I would like to respond to the false controversy that I have heard concerning the festival’s poster and the remarks some have made regarding the alterations of the image.

I have no comment to make about the artistic work done on this image. It is a poster that, beyond representing me, represents a dance, a flight. This image has been retouched to accentuate the effect of gracefulness and to transform me into a dream; it is sublimation. The concern for realism does not have to be here, and as a convinced feminist, I see no disrespect to women’s bodies.

There are many more important things to discuss in our world. It is only cinema, let us not forget.

(tradução tosca minha

Gostaria de responder à falsa controvérsia que ouvi sobre o cartaz do festival e as observações que alguns fizeram sobre as alterações da imagem.
Eu não tenho nenhum comentário a fazer sobre o trabalho artístico feito nesta imagem. É um cartaz que, além de me representar, representa uma dança, um vôo. Esta imagem foi retocada para acentuar o efeito da graça e transformar-me em um sonho; é sublimação. A preocupação com o realismo não precisa estar aqui, e como feminista, não vejo desrespeito aos corpos das mulheres.
Há muitas coisas mais importantes para discutir em nosso mundo. É apenas cinema, não vamos esquecer.)
Claudia Cardinale

 

68/365 DHEEPAN: O REFÚGIO

Dheepan: O Refúgio é a confirmação do grande diretor que é o francês Jacques Audiard, autor de um dos meus preferidos dos últimos anos, O Profeta.

Dheepan: O Refúgio é o vencedor da Palma de Ouro da edição de 2015 do Festival de Cannes e, diferente de uma teoria besta de parte da crítica internacional, o filme não é para inglês ver.

O filme conta a história de 3 refugiados ou melhor, de 3 sobreviventes dos horrores vividos em seu Sri Lanka de origem, que devem “virar” uma família para conseguirem asilo na França. Assim, um veterano de guerra, uma jovem sonhadora e uma órfã são a família Dheepan e vão viver num subúrbio bem barra pesada de Paris.

Sem falar uma palavra de francês, entendendo bem pouco, eles precisam entrar imediatamente na vida local, ele trabalhando como zelador de uma parte do condomínio onde agora moram, ela como doméstica e a menina indo para a escola.

Por incrível que pareça, a adaptação deles ao mundo novo é um problema menor se comparado à vida entre quatro paredes, onde 3 estranhos agora precisam viver como uma família.

O filme mostra o quanto é importante tentarmos entender o outro e não só achar que dando um teto para uma família de refugiados os problemas estão resolvidos. O pensamento fácil e rápido de hoje em dia, misturado a um possível sentimento de culpa é o que acaba com os sonhos e as possibilidades das pessoas. E Audiard mostra muito bem em seu filme que as pessoas, os franceses, os cingaleses ou quem quer que seja, acham que sabem viver no nosso mundo, mas a gente entende cada vez menos o que se passa a nossa volta.

O cara do Sri Lanka é confundido com o cara da Índia, o francês traficante de drogas é confundido com o francês professor da escola. Hoje em dia ninguém mais é ninguém e todo mundo por ser qualquer um.

Audiard mostra que Dheepan, que é outro cara, no fim pode ser qualquer um de nóssem nem mesmo perceber (mos).

 

52/365 O APARTAMENTO

Asghar Farhadi é o cara.

Diretor de atores como poucos hoje em dia, o cara ainda escreve os roteiros de seus filmes que, na boa, são os melhores dramas da atualidade.

Depois do insuperável Uma Separação, ele lança O Passado e me fez achar que nada de melhor poderia vir até que eu assisti finalmente O Apartamento, seu mais recente petardo.

O filme não é só um estudo sobre a alma mas também uma lição de como nos comportamos em meio à uma adversidade e de como essa situação nos leva a medidas extremas.

O Apartamento é o lugar pra onde um casal em Teerã se muda depois que o prédio onde moravam ter sido interditado por perigo de desabamento (Alguma cidade por aqui? Não, no Irã, mas poderia ser em qualquer lugar do mundo).

O que eles não sabiam é que o tal apartamento tinha uma história meio do mal e eles acabam sofrendo as consequências quando caem no turbilhão de uma surpresa nada agradável.

O casal que pra lá se muda é um casal de atores e eles estão em cartaz com a peça A Morte do Caixeiro Viajante que conta a história de sofrimento do tal caixeiro que perde o emprego, tem seu caso extra conjugal descoberto por seu filho e no final se suicida por não saber lidar com esses probleminhas pseudo cotidianos.

Emad, que faz o caixeiro, é casado com Rana (que faz a sua esposa também na peça) e juntos eles tem que enfrentar essa adversidade que o acaso lhes prega e como na peça dentro do filme, Emad vai sofrendo ao tentar resolver uma situação extrema em relação a sua mulher Rana.

Ao mesmo tempo que eles tentam evitar as más energias deixadas em seu caminho, como vamos vendo durante o filme, Emad vai atrás do causador do grande problema e sofre também com isso.

Asghar Farhadi, agora e já um mestre dos suspense, joga na nossa cara, sutilmente na maioria das cenas, o quanto a nossa força de vontade é menor do que um sentimento ruim como a raiva ou a vingança. Um drama acaba virando um suspense quase hitchcockiano e como nos filmes do mestre, a história nem sempre termina como esperávamos, o que pode ser bom por um lado e me deixou com o coração na boca de nervoso.

O filme é indicado ao Oscar de melhor filme de língua não inglesa e ao que parece Farhadi não vai à cerimônia por causa da sanção do Trump aos imigrantes de países como a Irã.

E só pra constar, o filme ganhou os prêmios de melhor roteiro e melhor ator (Shahab Hosseini) no Festival de Cannes de 2016.

36/365 RESTER VERTICAL

Rester Vertical é a minha primeira decepção deste 2017.

Escrito e dirigido pelo francês Alain Guiraudie, cujo filme anterior foi o ótimo Um Estranho No Lago, este filme novo é uma enorme bobagem que quando terminou me deixou pensando se eu teria “entendido” alguma coisa.

A premissa do filme é a história de um diretor de cinema que vai pro interior à procura de inspiração para seu próximo roteiro e acaba tenho que criar sozinho um filho que tem com uma pastora de ovelhas.

Só que tudo isso contado de uma forma que não é nem real e nem fantástica, numa vibe sexual bem explícita e meio tosca (como poderíamos esperar desse diretor) e que na verdade deixa o filme com uma impressão de que Guiraudie esteve com o mesmo problema de seu personagem principal, escreveu um roteiro, achou uma porcaria mas seu produtor achou o máximo e foram lá filmar.

O filme estreou em Cannes no ano passado e deixou todo mundo sem entender o que tinha visto.

Sabe filme pretensioso pra caralho, onde o diretor tenta criar um universo e falha miseravelmente?

Bingo.

Fujam.

25/365 O ÚLTIMO PACIENTE

Um dos melhores filmes do ano passado é O Último Paciente, Chronic, do mexicano Michel Franco que não por acaso ganhou o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes.

Não só pelo filme “estranho” nem pelo roteiro ótimo ou pela direção precisa.

Muito da grandeza do filme se deve pelo sempre bom e aqui fantástico Tim Roth.

O ator inglês é na minha opinião uma das jóias raras do cinema e da tv de hoje em dia. E nesse filme, Roth mostra a que veio.

A história de um enfermeiro que cuida de pacientes terminais e se envolve um pouco demais com eles, muito por causa de seus próprios problemas, de sua depressão e dos fantasmas de seu passado.

Os planos longos e sem corte são como uma contemplação.

O ritmo lento da edição é lento como a espera dos doentes terminais pelo fim em seus leitos de morte.

O silêncio de um filme quase sem trilha sonora é ensurdecedor.

E Tim Roth nos faz sofrer com ele nessa quase epopéia com um dos melhores finais que você vai num filme recente, te garanto.

11/365 SALA VERDE

Puta filme esse Sala Verde.

Mas antes queria explicar: Sala Verde é um título estúpido em português porque o original, Green Room, quer dizer camarim.

Assim sendo, esse terror bom demais se passa num camarim de um bar de rednecks neo nazistas, os alt-rights americanos.

Uma banda punk que está viajando numa van e tocando onde consegue, para nesse bar pra um show onde são bem mal recebidos, obviamente.

Ao final, indo pro camarim (ou pra sala verde que nem é verde), a banda presencia um assassinato e a partir daí precisa lutar pela sua vida.

Dirigido pelo ótimo e promissor Jeremy Saulnier, que também é o roteirista do filme, diz a lenda que durante as filmagens a tensão no set chegou a níveis quase insuportáveis fazendo com que algumas vezes as diárias terminaram antes do previsto pra que todo mundo relaxasse um pouco.

Se isso é verdade ou só marketing não sei, mas que sentimos essa tensão e medo e terror toda nesse filme que é nervoso demais, isso é verdade.

Imagina um terror com bom roteiro, ótimo elenco e uma ótima direção de atores: é esse Sala Verde.

E além de tudo isso, o líder dos neo nazista é o ótimo Patrick Stewart.

O filme é tão bom que passou na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, feito bem peculiar pra um terror americano.

Só uma correção: meu amigo Marco Correia leu aqui e me lembrou que eu não falei nada da trilha que é uma barulheira só. Tem Slayer, Obituary, Napalm Death, Bad Brains e daí pra baixo. Foda!

10/365 ELLE

Elle é O filme do momento.

Na verdade, tem sido o filme do momento desde sua primeira exibição em Cannes ano passado. Quando eu li que em competição estaria um filme dirigido pelo Paul Verhoeven, estrelado pela Isabelle Huppert sobre estupro com uma puta cena polêmica, achei que seria o filme do ano.

Qual não foi minha decepção quando assisti a primeira vez, depois de ficar todo dia procurando um torrentzinho pra ver a obra.

Tudo o que todo mundo elogia no filme é o que me decepcionou.

Na sinopse, uma mulher é estuprada e acaba tendo uma relação estranha com o fato, primeiro não denunciando o caso e depois procurando seu algoz para resolver o problema de uma forma não ortodoxa. Ok, gostei, interessante, parece. Uma mulher fodona que resolve se vingar com as próprias mãos, foi o que eu supus.

Ao ver o filme, o roteiro mostra que na verdade não é bem isso. A relação dessa mulher com o homem que a violentou é bem peculiar. Ela suspeita de uns homens e tenta descobrir quem é o tal do cara, ao mesmo tempo que recebe ameaças, que tentam fazer bullying com ela e ela lida com isso tudo, de novo, da forma mais peculiar possível. Vingança, paciência, escolhas, ironia, poder feminino.

Isso me desconcertou um pouco. Não acredito em uma mulher que seja pragmática o suficiente pra resolver uma situação tão extrema como um estupro de uma forma tão tranquila. Claro que você pode estar pensando: ah, mas existem mulheres assim, não podemos generalizar em nada. Eu sei que existem, mas eu infelizmente não consigo acreditar nisso. E daí o filme acabou virando meio que uma piada pra mim.

A personagem de Isabelle é uma executiva super bem sucedida, mora numa puta casa, tem uma empresa de video games famosa, amigos, família, um filho doidão, mas é meio estranha, meio irônica, meio calculista ao ponto mostrado no filme. A força da mulher podendo escolher o que fazer com seu corpo mesmo em situações limites com um estupro diz muito do filme mas esse não é um problema e sim uma das poucas  coisas do filme sendo a outra coisa boa o ator principal, Laurent Lafitte.

Mulheres que já viram o filme me ajudem, tô muito errado em pensar assim?

Não sou de dar spoilers e não vai ser aqui eu vou começar a ser, mas há momentos no filme que eu achei tão forçados na relação dela com o estupro (e com o estuprador, pra falar a verdade) que eu achei que no meio do filme o diretor resolveu mudar a história pra que ela fosse mais surreal talvez e aí foi.

História meia boca, direção meia boca, personagem besta com cara de quem tá bêbada o filme todo, não rolou pra mim mesmo. E só pra deixar claro, tudo isso que acho de Elle é o que uma grande parcela da crítica elogia no filme.

Talvez o filme seja uma bosta (como eu também acho) para o juri de um festival como Cannes, onde entrou como o grande filme em competição e saiu sem prêmio algum, mas seja um grande filme para o mercado americano quando ganhou domingo passado o prêmio de melhor filme de língua não inglesa no Globo De Ouro e Isabelle Huppert ganhou o prêmio de melhor atriz. (achei o máximo ela ganhar melhor atriz, merecidíssimo desde vários anos, mas não por esse filme). E com esses prêmios, agora é um grande candidatos ao Oscar. Aguardemos.

Pra não dizer que sou tão chato, logo vou falar de outros 2 filmes absurdamente bons com La Huppert.

E Paul, apenas melhore.

 

“Azul é a Cor Mais Quente” podia ter sido o filme do ano.

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“Azul é a Cor Mais Quente” é o ótimo filme francês vencedor da Palma de Ouro em Cannes esse ano de 2013.
O filme foi tão especial para o juri presidido por Steven Spielberg que eles deram o prêmio para o diretor e para as 2 atrizes principais do filme, fato inédito em Cannes.
Eu quando li a notícia lá em maio, fiquei feliz por vários motivos, principalmente por ser um filme sobre um casal de lésbicas, baseado numa HQ e o melhor de tudo, com cenas de sexo que diziam ter sido filmadas com crueza de filme pornô, como disse no meu outro blog num post com o singelo título “Lésbicas arrebatam Cannes”.
Assim que saiu aqui, comprei o livro editado pela Matins Fontes. Li num sábado de manhã de sol e chorei muito. A história é linda, fala de uma menina de 15 anos de idade que se descobre lésbica e tudo o que vem na sequência. Bem escrito, bem desenhado, lindo demais.
Eis que agora, em dezembro, o filme estreia em SP depois de muita polêmica mundo afora.
Tudo começou quando logo após o final do festival e do filme ser elevado a obra prima, uma das atrizes, Léa Seydoux começa a detonar o diretor Abdellatif Kechiche, acusando-o de tirano, de frio e calculista, de ter abusado de seu “poder” de diretor, falando em assédio moral, que se ela pudesse não teria feito o filme. Basicamente toda entrevista que ela dava ela falava muito mal do cara. Até que ele deve ter ficado bem puto e mandou avisá-la que se ela não ficasse calada ele ia processá-la. Ela se calou.
Depois a outra atriz, Adèle Exarchopoulos a que faz a menina de 15 anos, entrou na mesma parada e começou a falar mal do cara, acusando das mesmas coisas.
O cara ficou bem puto e saiu dando entrevistas dizendo que as duas falam mal dele mas na hora de receber o prêmio em Cannes o abraçavam e beijavam e estavam felizes da vida. Disse que na hora dela ir pro festival e usar vestidos caros e jóias emprestadas ela estava feliz.
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Só sei que semana passada teve uma pré estreia do filme em SP e o diretor veio e a tal da atriz mais nova veio junto e eles estavam felizes da vida.
Fim dos problemas? Não, agora a autora da HQ começou a falar mal do cara e do filme, dizendo que era um absurdo ele ter feito um filme sobre lésbicas e não ter um casal de atrizes lésbicas fazendo os papéis principais. Na minha opinião, essa mulher não poderia ter falado bosta maior. Quer dizer que se você faz um filme sobre viciados em heroína você tem que ter um junkie no papel de viciado.
E se você faz um filme de monstros tem que ter um alien no papel principal.
O que me irrita muito nessas histórias todas é o povo querer aparecer em cima de um hype (válido no caso, porque o filme é bom).
Claro que hoje em dia com internets da vida todo mundo dá sim sua opinião e publica tudo e não tá nem aí, mas por favor, né?
De qualquer maneira, tudo isso pra falar que o filme é sim bem bacana.
Infelizmente eu li a HQ antes e a história é fenomenal.
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E o filme peca por uma mudança na história, que na minha opinião, era o mais legal sobre as meninas.
(é cada vez mais foda escrever sobre filmes sem spoilers, mas eu tento)
Até mais ou menos a metade do filme a história é fiel a HQ, que é a parte que eu mais gostei.
Depois o viés que o diretor dá me deixou mais desanimado. Mas isso é a opinião de alguém que conehce “o outro lado”.
O filme tem 2 pontos altos na minha opinião, que o difere de quase todos os outros que estão em cartaz por aí e digo mais, de todos os outros mesmo.
Primeiro, o sexo: o filme tem uma sequência de uma transa das 2 personagens, a primeira, que é um absurdo de boa. Explícita, linda, barulhenta, excitante que me deixou muito excitado como nunca antes num filme non porn.
O diretor tira das atrizes o melhor que elas com certeza nem imaginavam que poderiam dar.
Ele chega perto, invade a alma das 2 e coloca isso em super close ups na tela gigante nos dando de presente o que não conseguiríamos ver de nenhuma outra forma.
Como eu sempre digo, o que me faz amar o cinema é o close up, a proximidade, a intimidade criada pela câmera e pelas lentes da câmera.
Acreditar no que eu vejo é a coisa mais importante num filme pra mim. Atores mal colocados e mal dirigidos, papéis errados, posicionamentos de câmera que não dizem nada, isso tudo me irrita.
Quando elas transam, você acredita que elas são lésbicas, que elas se amam, que elas vivem de verdade aquilo ali. Eu pelo menos não tive a menor dúvida.
E isso por causa do diretor, esse geniozinho Abdellatif Kechiche que foi lá, supostamente maltratou as meninas, fez com que elas não tivessem descanso nos 5 meses que demorou pra filmar, fez com que elas dormissem e ele filmasse o sono, fez com que elas transassem durante 10 dias pra ter essa cena magnífica, fez com que elas se afastassem de suas vidas normais para elas viverem mesmo as vidas de suas personagens.
E se isso é o que fez esse filme a obra prima que é, que ensinem isso nas escolas de cinema.
Chega de filmes anódinos, sem graça, com personagens rasos e que ninguém acredita. Chega de história bobas. Ou melhor, que continuem as histórias bobas também, mas bem contadas, com profundidade, de maneira que acreditemos no que nos mostram.
Hitchcock sempre falava que ator é gado, tá lá pra fazer o que o diretor manda.
Lars Von Trier tá aí, Bjork ganhou Cannes como melhor atriz num filme dele e nem foi pegar o prêmio porque disse que estava traumatizada. E na minha opinião poucas coisas da Bjork são melhores que ela no filme do Trier.
Esse “Azul é a Cor Mais Quente” é um filme obrigatório pra molecada, pra descoberta da sexualidade, pro começo de relações.
De novo, apesar dele pecar na mudança da história e levar pra um caminho que eu não gosto tanto, o filme merece ser visto e sim, é um dos melhores de 2013.