134/365 THE DEVIL’S CANDY

Puta filme desgraçado.

Um artista plástico metaleiro meio falido, sua mulher e sua filha metalerinha, se mudam pra uma casa que eles compram numa oportunidade única e barata. Detalhe: na casa morreu um casal que lá vivia, ninguém comprava, encalhou e por isso a oportunidade.

Até aí tudo bem. Eles se mudam, o ateliê do cara melhora, a mulher se fode mais pra trabalhar longe, a filha muda de escola e também se fode. Mas o metaleiro se anima com a mudança e começa a produzir muito. Só que ele não entende como pinta, porque entra em uns transes, ouve uns sussurros e medo pra caralho.

Casa assombrada, lembra?

Possessão de leve.

Ah, tem ainda o Pruitt Taylor Vince, sabe?

Não? Olha a foto dele pra lembrar.

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Então, acho que finalmente escreveram uma personagem pra ele e seu phisique du role tão peculiar.

Ele é o filho do casal que morreu na casa e quer voltar pro seu lar e continuar matar crianças que são… tentem adivinhar… os docinhos do demônio do título do filme.

Voltando lá: que filme desgraçado. Me caguei bem. E que trilha, minha gente, que peso, que gritaria, que trilha!

Moral da história: não ouça heavy metal porque é a música do demo e se ouvir muito e chamar, ele vem.

Outra moral da história: se for metal head e não tiver jeito, pelo menos tenha uma bela guitarra em casa, fica a dica.

53/365 DEMON

Um dos melhores filmes de terror do ano passado: Demon, diretamente da Polônia.

A história é linda: Piotr, um polonês vivendo em Londres, volta a sua cidade interiorana para se casar com a irmã de seu melhor amigo, que ele não conhecia antes.

Cépticos, a noiva e seus pais acabam gostando do noivo, que veio do nada, por sua força de vontade em principalmente reformar a casa destruída de seu avô para que o casal more lá.

Ao passar uma máquina pelo jardim da casa, Piotr desenterra uma ossada e liberta um demônio judeu, um dybbuk, que é um espírito com um dever a cumprir.

A sutileza do diretor Marcin Wrona é o grande trunfo do filme: ele nos mostra em detalhes o que aos poucos o dybbuk faz com Piotr.

Suas pequenas mudanças de comportamento são vistas por seus amigos como nervosismo antes do casamento.

Durante a festa, como num bom casamento judeu polonês do interior, todo mundo se joga tanto na vodka que esses detalhes, agora não mais tão pequenos, são abafados como podem. O pai da noiva, em um momento escandolosamente barulhento de Piotr, pede para a banda tocar mais alto para que os convidados não ouçam seus gritos de terror.

A noite toda da festa de casamento é regada à vodka e uma chuva torrencial o que faz com que os convidados não possam ir embora e por isso mesmo bebam até cair.

Ao mesmo tempo, o jardim onde estava o cadáver acaba cedendo cada vez mais, o que faz com que alguns personagens percebam o que aconteceu com Piotr.

O pai da noiva acaba sendo um dos personagens principais do filme tendo consiciência dos fatos à sua quando diz que “o país inteiro foi construída em cima de cadáveres”.

Quando todos acordam no outro dia no lugar da festa, numa ressaca enorme, ninguém tem certeza do que realmente aconteceu na noite anterior e a vida de quase todos continua normalmente.

O filme todo acaba sendo uma grande metáfora criticando a Polônia como sendo um país com demônios escondidos que vez por outra saem e assombram uns poucos enquanto toda a população continua alheia (inebriada?) a um passado não tá distante.

Só pra dar um pouco mais de medo nisso tudo: 3 dias após a estreia do filme em um festival polonês, o diretor Wrona se suicidou em um quarto de hotel.

Medo.

Filmaço!