158/365 MESA 19

Nunca subestime o recalque de uma madrinha de casamento dispensada 2 semanas antes por ter levado um fora do irmão da noiva.

Esse é o mote do filme Mesa 19.

Anna Kendrick faz essa recalcada que, apesar de tudo, vai ao casamento. E quando eu esperava que ela fosse pra chutar o balde, o roteiro me surpreende.

Só que o que ela não esperava é que foi colocada na última e mais relegada mesa da festa, a 19, com um bando de loosers como o primo do sogro que saiu da cadeia, o ex babá maconheira da noiva e por aí vão.

Eu comecei ver o filme por causa da Anna, mas aos poucos fui gostando e me divertindo com essa turma de bizarros que, com um texto bem escrito, vai contando uma historinha muito bem resolvida.

Claro que é um filme besta mas pra um filme indie e meio barato, é ótimo com uma bela fotografia, um elenco impressionante até com um casal formado pela Lisa Kudrow e o Craig Robinson, além do roteiro muito bem escrito pelo também diretor Jeffrey Blitz.

E viva os filmes de 5 milhões de dólares.

 

142/365 A INTROMETIDA

Não sei quem me indicou esse filme que tinha deixado de lado quando lançado (queria lembrar pra xingar rs).

Assisti outro dia e achei bonitinho mas ordinário.

A Intrometida é Susan Sarandon, uma mãe super super super protetora e intrometida e chata mesmo.

Sua filha (a super estimada Rose Byrne) mora em Los Angeles e a mãe, depois da morte do marido, vai atrás dela e tadinha.

Liga o dia inteiro, manda mensagem o dia inteiro, vai na casa da filha sem avisar, tem a chave, entra sem bater, incomoda mesmo e sempre que pode entra na vida da filha, saindo com as amigas dela, dando dinheiro a torto e a direito, perdidona e carente mesmo.

Não entendi muito o propósito do filme, pra ser sincero, não é uma comédia de riso rasgado, não é um drama de chorar, tipo um Laços de Ternura, não é nada.

Eu fui ficando de bode da mãe de tão inconveniente que ela é.

E na verdade bode do roteiro por mostrar o quanto o povo se faz de besta e usa e abusa da mulher carente, mesmo que dando a impressão que uma ajuda a outra.

E pra piorar, nem a Susan, nem a Rose e nem o super coadjuvante J. K. Simmons estão bem no filme, todo mundo tá meio canastrão demais.

138/365 FIQUE COMIGO

Ah, as comédias francesas.

Fique Comigo é uma daquelas comédias que você acha que estão super bem encaminhadas e de repente, BAHM!, cai um astronauta no telhado e o filme só melhora.

Passado em um prédio na periferia de Paris, o filme começa com um problema de condomínio: o elevador precisa ser reformado.

Todo mundo topa, menos o morador do primeiro andar que diz que não precisa usá-lo e que por isso não quer gastar dinheiro.

Os condôminos resolvem que vão arcar com a parte dele mas que o figura não pode usar o elevador. Até que no outro dia ele sofre um pequeno acidente e tem que ficar de cadeira de rodas por um tempo e por isso, o que mesmo? Ele precisa usar o elevador escondido.

Mas esse é só o começo do filme, que dita o tom de Fique Comigo, uma comédia de humor negro, ou de um humor tipicamente francês, adulto, de canto de boca. E a partir daí as outras personagens que moram no prédio vão aparecendo: uma atriz de cinema que tem que explicar sua carreira pro moleque vizinho amante de cinema e não a conhece, o cara de cadeira de rodas que finge ser fotógrafo famoso porque se interessa pela enfermeira do hospital onde ele vai toda noite pegar comida; a mulher que mora sozinha e que cuida, sim, do astronauta americano que caiu no telhado do prédio que só fala inglês e se comunica como pode com sua anfitriã.

Historinhas boas que acontecem no mesmo lugar, o prédio, com aquela vibe que a gente gosta de filmes do Altman, de herói coletivo, sem personagem principal e com uma bela lição de uma estrela como Isabelle Huppert no meio disso tudo como a atriz solitária e mais a minha preferida Valeria Bruni Tedeschi e Michael Pitti.

135/365 NEDS – JOVENS DELINQUENTES

Filmão de 2010 que só vi agora, Neds é um filme escocês que parece uma coisa e é outra (melhor) completamente diferente.

Neds parece uma comediazinha bacana sobre o gordinho bonitinho maior vítima de bullying na escola, em Gasgow nos anos 70, quando os professores ainda batiam nos alunos com uma espécie de palmatória de borracha.

Só que Neds é mais que isso.

O gordinho é de uma família da working class escocesa, da classe média baixa, uma família de trabalhadores, típica inglesa onde os pais ficam fora o dia todo e só percebem que seus filhos estão se fudendo tarde demais.

Como foi o caso do irmão mais velho do gordinho John, que foi expulso de casa e é um Ned, non educated deliquent, um delinquente sem educação, um hooligan, um adolescente já perdido, um tipo de um marginalzinho de gangue.

John usa da “fama” do irmão pra se livrar de perseguição vez ou outra e, à medida que vai crescendo, percebe que isso é algo mais valioso que apenas ir bem na escola com notas boas e estar na melhor turma (John nunca foi da 5a C, pra vocês terem ideia, sempre da A).

E o nerd aos poucos vai perdendo o R e virando um NED.

Quando o filme muda de tom e a comediazinha vira uma bela de uma comédia dramática de humor negro escocês fiadaputa, Neds cresce de uma forma absurda e vira um filmão da porra.

Escrito e dirigido pelo ótimo ator e diretor inglês Peter Mullan, muito desse sucesso se deve à escolha do elenco, principalmente a molecada da rua, com total foco em Conor McCarron, o gordinho cdf que cresce e vira mais que isso.

Seus dramas pessoais, seus dramas sociais, sua família toda cagada, seu pai abusivo, as oportunidades espúrias que vão aparecendo em seu caminho fazem de John McGill um personagem a ser lembrado, muito pelas decisões que ele toma, que me deixavam cada vez com a boca mais aberta à medida que o filme vai se desenrolando.

De novo, vivas para o diretor Mullan, um dos atores preferidos do mestre Ken Loach, aprendeu muito sobre direção de atores e direção de não atores também.

Filmaço.

124/365 MINHA MÃE É UMA PEÇA 2

Sim, eu achei um torrent bom e assisti esse filme.

Eu tinha achado o primeiro um filme razoável, de uma ideia boa, de um comediante que funciona como mulher. Sucesso absurdo de público e a gente conhece a história.

Daí obviamente que fizeram a continuação, agora a mãe doida tem um programa de tv (?) do nada pra dar conselhos ou sei lá o quê, já que nada fica tão claro.

E o filme gira em torno dessa mãe com os filhos indo morar em SP, a irmã que vem visitar de NY, a outra que enche o saco, o ex marido.

Só que o filme tem um roteiro bem frouxo, com piadas repetidas, com todos os personagens beeeem secundários, deixando a mãe brilhar acima de todas as coisas.

Mal dirigido, mal escrito, com uma produção (cara) que parece ter sido filmada em cenários de novelas de uns 15 anos atrás, todo errado.

Mas quem sou eu pra falar qualquer coisa desse filme. Quem manda é o público e Minha Mãe É Uma Peça 2 bateu todos os recordes de bilheteria de todos os tempos do cinema brasileiro.

Inacreditável.

Passe longe.

P.S. –

Paulo Gustavo, eu sei que o senhor está milionário mas vamos acabar com a preguiça, né? Se precisar de um roteirista bom pro próximo é só me chamar.

122/365 TSCHICK

Tinha passado batido por esse filme alemão até que li um amigo falando bem.

Se você quer um filminho good vibes, de molecada crescendo, uma comediazinha boa misturada com um road movie e filme de amadurecimento, Tschick é o seu filme.

Na Alemanha, um moleque feioso e estranho, pária em sua sala de aula, é apaixonado pela menina linda da classe mas claro que não correspondido.

Um dia entra um estudante russo em sua sala de aula e por ser russo, diferente e mais pobre, aparentemente, também entra nessa vibe de tentativas de bullying.

Por acaso os 2 se juntam nas férias, vão de penetra no aniversário da bonitona e saem de bacanas, porque roubaram um lada velho, mas 2 moleques de 14 anos com um carro são melhores que qualquer bonitão da escola.

Eles resolvem que não vão passar as férias em branco e caem na estrada literalmente sem saberem dirigir e com 200 euros no bolso que o pai do feioso deixou pra ele passar 2 semanas enquanto ele viaja com a namorada já que sua mãe está num rehab.

Nada será como antes e as consequências serão inesquecíveis.

Filme despretensioso e muito bem dirigido, com um elenco ótimo desses 2 meninos desgovernados estranhos muito bem vividos.

Roteiro bom, diálogos inteligentes e direção precisa, receita pra filme bom.

Se joga.

112/365 PREVENGE

Tenho uns amigos bem bizarros.

Postei outro dia dizendo que eu tinha curtido The Void e o povo caiu matando que o filme era uma porcaria, fraco, história besta, mas no fundo é um puta dum terror anos 90’s feito hoje em dia. Não deve nada à estética dos primeiros Hellraiser, por exemplo.

Bom, me indicaram esse Prevenge, como um filme bom.

Assisti e achei o pior filme do ano até agora.

Que boixta.

O filme acompanha uma mulher em seus últimos dias de gravidez, matando várias pessoas das formas mais bestas e sem sentido possíveis. Tudo a mando de seu feto.

Premissa boa.

E ela se safa de todos os assassinatos, como se vivesse nos anos 40, por exemplo, e não existisse polícia minimamente equipada.

Dia que é uma comédia de terror, mas esqueceram de avisar quem fez o filme, porque o humor é inexistente e o terror, os sustos? Ai ai ai.

Roteiro? Nenhum.

Direção? Pfffff.

Elenco? Tosco.

Fuja.

Fuja mesmo.

107/365 THE YOUNG OFFENDERS

Filminho irlandês bem divertido esse The Young Offenders, comédia livre leve e solta.

O filme conta a história de 2 moleques bem loosers e bem sem noção que vivem em alguma cidadezinha irlandesa. Eles poderiam ser a versão mais jovem de Idi e Ota, ou de qualquer dupla de idiotas do cinema.

Um deles é o “espertão”, filho de pai solteiro beberrão, rouba bicicletas, dá em cima das meninas, tem planos mirabolantes bem errados. O outro é o seu amigo/fã, que copia o corte de cabelo, o jeito de andar, as piadas e apesar de morar com a mãe (também solteira), mais briga com ela do que tem momentos carinhosos/familiares.

Um dia eles ouvem falar pela tv de um carregamento de cocaína perdido de um navio, que apareceu numa praia mais ou menos perto de onde moram. Eles resolvem roubar 2 bicicletas e vão pegar um dos pacotes que valem 7 milhões de euros. Enquanto isso, vão fazendo planos de como gastar o dinheiro, e pra você ter ideia da imaginação dos 2, eles pretendem ter uma batcaverna com um mordomo inglês.

Sim, esse é o sonho dos 2.

Divertido, engraçadinho, com personagens ótimos e final que não desaponta, The Young Offenders é o tipo de filme que poderia facilmente ter sido produzido pela Globo Filmes, mas daí teria sexo, violência descabida e não esse senso de humor bizarro que é o diferencial do bom filme irlandês (que aliás, tá na Netflix).

92/365 TINHA QUE SER ELE?

Eu tô pegando um bode tão gigante do James Franco que provavelmente esse seja o último filme com ele que eu assista.

Tinha Que Ser Ele? é tipo uma festa que você é convidado pra ir que você sabe que vai ser ruim mas que tem bebida boa. Só que você chega lá e pra pegar bebida é um inferno porque os playboys metidos a modernos vivem no bar. E pior: o dono da festa é aquele ostentador que convida um monte de gente famosa só pra mostrar mesmo, o bom e velho name droping ao vivo.

Fuja.

Neste filme, Franco é um milionário da internet bem escroto só que com boas intenções. Tá, forcei a barra. Bom, ele namora uma menina e ela convida seus pais para conhecê-lo. O típico filme de família da menina conhece o namorado secreto e tudo vai por água abaixo.

Eles viajam, ficam na casa do cara, tem festa, tem o pior dj do mundo Steve Aoki jogando bolo na cara das pessoas, tem o Elon Musk dando pinta. Só não tem roteiro. Nem direção. Nem nada. Umas 2 ou 3 boas piadas ficam perdidas no meio de cenas que demoram horas pra explicar a tal da piada. Sabe o que e isso? Roteiro ruim.

Nem a quantidade animal de fuck e piada de pinto e de peido e de privada e de maconha salva o filme.

Pra ser sincero, eu não ia assistir mas acabei dando o braço a torcer quando descobri que minha musa Megan Mullally era a mãe da menina. E não, não tem piada com ela, desperdiçaram uma puta comediante como não deveriam.

Assim sendo, fuja dessa porcaria, não vale nem pra substituir o Fantástico hoje a noite.

67/365 FLORENCE: QUEM É ESSA MULHER?

Florence: quem é essa mulher? é antes de mais nada o filme que proporcionou a vigésima indicação ao Oscar de Meryl Streep. Das 20, 4 foram para papéis coadjuvantes e 16 para papéis principais, sendo que ela ganhou o prêmio 3 vezes, a primeira como coadjuvante em Krames vs Krames, que eu amo, depois como atriz principal em A Escolha de Sofia e depois como Margaret Tatcher em A Dama de Ferro, em 2012.

Florence: quem é essa mulher? não é um grande filme, mas é um bom filme. Bom o suficiente para conseguir que Meryl fosse indicada pra um monte de prêmios, apesar de não ter ganho nada.

Dirigido pelo meu preferido inglês Stephen Frears, o filme conta a história real de uma excêntrica inglesa, rica e sifilítica, que se considera uma grande cantora lírica. E grava, faz shows, aparece como pode a coitada.

É uma versão real da roupa nova do imperador, lembra da história que o rei aparece nu e ninguém fala nada? Pois é.

Como disse, o filme é divertido, interessante até sabendo que é baseado em fatos verídicos e Meryl está ótima, o que é sempre acima da média geral.

Ver um filme com Meryl é como ver os filmes do Woody Allen, um filme ruim dele é (quase) sempre melhor que a média geral, então acaba valendo a pena.

Meryl pra mim é a prova de que o ato de atuar, representar, é muito mais feminino que masculino.

Ter uma Meryl, uma Fernanda Montenegro, uma Marilia Pera, uma Katharine Hepburn é ter perfeição, são atrizes que fazem tudo e mais um pouco. E elas são muitas, citei só 4 das unanimidades, mas poderia falar da Julianne Moore, da Viola Davis por exemplo, mais novas e também uns furacões.

Já homens, atores, quem são os unânimes, os perfeitos, os que fazem tudo muito bem? Poucos ou quase nenhum.

Por essas e outras que esse filminho lindinho inglês diverte e agrada muito apesar de não ser nenhuma obra prima e que vai ficar para a posteridade como mais um belo de um trabalho da Meryl.