Neil Gaiman + Nicole + Cameron Mitchell + Elle = filme do ano.

How to Talk To Girls At Parties é um conto bem bom do Neil Gaiman onde uns aliens caem na Inglaterra nos anos 70 e viram punks. Ou mais ou menos isso.

John Cameron Mitchell, o gênio que criou Hedwig adaptou o conto e ontem lançou o filme em Cannes.

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As críticas estão sendo ótimas e até o meio do ano devemos ter o filme pra ver.

O elenco é animal: Nicole Kidman, Elle Fanning, Alex Sharp, Ruth Wilson, Matt Lucas, Joanna Scanlan, Elarica Gallacher.

E a trilha é dos meus preferidos Matmos.

Daft Punk sem capacete em Cannes.

Thomas Bangalter, um dos robôs do Daft Punk na verdade não é um robô!

Como assim?

Ele esteve ontem a noite na sessão oficial de abertura do Festival de Cannes, ao lado de sua esposa, a fodona Élodie Bouchez.

Ele é o cara meio careca, meio cabeludo, de óculos na foto, ao lado de Élodie.

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Bom, repensando o que escrevi antes, parece que Thomas é um robô sim. Enquanto as pessoas nesse vídeo, sua esposa e até Adrien Brody se movem, Bangalter fica duro que nem respira.

Cannes 2017 – Primeiro tapete vermelho

Hoje começou o Festival de Cannes 2017 e depois da estreia para a imprensa do documentário dirigido pela atriz inglesa Vanessa Redgrave sobre os refugiados na Europa, a noite lá teve o primeiro tapete vermelho com a estreia hour concours do filme Ismael’s Ghosts de um dos meus preferidos Arnaud Desplechin, com o elenco dos sonhos, Marion Cotillard, Charlote Gainsbourg e Louis Garrel.

Agora as lindas:

E mais cedo ainda teve pela cidade as deusas Marion Cotillard e Monica Bellucci.

105/365 BACALAUREAT

haBACALAUREAT é o novo filme de Cristian Mungiu, o romeno fodão que ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 2007 com o filmaço 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias.

Seu filme novo é quase tão bom quanto aquele tão amado e premiado.

BACALAUREAT conta a história de um médico, em uma cidadezinha na Romênia, conhecido por sua lisura e ética.

Quando sua vida é brutalmente atacada e estuprada indo fazer o tal do bacalaureat, o vestibular deles, ele tenta de todas as formas ajudá-la a não perder as provas e não ter notas baixas, porque o sonho dela de estudar na Inglaterra depende do sucesso do vestibular.

Por isso ele tenta até subornar professores, policiais e quem mais precise, ao mesmo tempo que tenta descobrir que estuprou a filha.

Enquanto isso, o seu casamento desaba, sua amante não aguenta mais ser delegada a segundo plano, sua filha namora um looser, tudo vai ruindo a sua volta. E sua vida ética no trabalho parece um outro mundo comparado com os pecadilhos de seu dia a dia.

Mungiu é um dos maiores diretores de ator da atualidade. Nesse filme, que ele mesmo escreveu, o roteiro é tão amarradinho e o texto é tão absurdo que com o elenco que tem em mãos, num filme que não custou nem 2 milhões de dólares, o cara faz a festa. Deita, rola, samba e sapateia.

BACALAUREAT é um desses filmes que passam quase desapercebidos pelas nossas vidas, nem tem estreia programada por aqui, pelo que sei, e se aparecer na sua frente, não perca a oportunidade de ser feliz.

Problematizaram o poster do Festival de Cannes. (ATUALIZADA)

Todo ano, vai chegando o fim de março, vai também chegando a ansiedade pelo poster do Festival de Cannes.

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Em 2017, na sua edição de número 70, a homenageada é a atriz italiana Claudia Cardinale não só por seus mais de 50 anos como atriz, mas também por seu engajamento social. O presidente do juri da competição oficial desse ano é Pedro Almodovar e a mestra de cerimônias é Deusa Monica Belucci.

Estrela de clássicos como O Leopardo e Rocco e seus Irmãos de Visconti,  8 e 1/2 de Fellini, Fitzcarraldo de Werner Herzog e Era Uma Vez no Oeste de Sergio Leone, a foto usada no poster é de Claudia rodopiando em uma saia vermelha. Só que acharam a foto original e estão reclamando do exagero do photoshop feito no poster do Festival.

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Mega pregui.

E que venham os filmes.

ATUALIZAÇÃO

Deusa Claudia Cardinale se pronuncia lindamente em relação ao poster:

I would like to respond to the false controversy that I have heard concerning the festival’s poster and the remarks some have made regarding the alterations of the image.

I have no comment to make about the artistic work done on this image. It is a poster that, beyond representing me, represents a dance, a flight. This image has been retouched to accentuate the effect of gracefulness and to transform me into a dream; it is sublimation. The concern for realism does not have to be here, and as a convinced feminist, I see no disrespect to women’s bodies.

There are many more important things to discuss in our world. It is only cinema, let us not forget.

(tradução tosca minha

Gostaria de responder à falsa controvérsia que ouvi sobre o cartaz do festival e as observações que alguns fizeram sobre as alterações da imagem.
Eu não tenho nenhum comentário a fazer sobre o trabalho artístico feito nesta imagem. É um cartaz que, além de me representar, representa uma dança, um vôo. Esta imagem foi retocada para acentuar o efeito da graça e transformar-me em um sonho; é sublimação. A preocupação com o realismo não precisa estar aqui, e como feminista, não vejo desrespeito aos corpos das mulheres.
Há muitas coisas mais importantes para discutir em nosso mundo. É apenas cinema, não vamos esquecer.)
Claudia Cardinale

 

78/365 NERUDA

2016 foi o ano de Pablo Larraín. Além do ótimo Jackie, sua estreia como diretor em Hollywood, o chileno lançou Neruda no Festival de Cannes e desde então o filme vem colecionando ovações.

Eu achei o filme bom, mas não um puta filme.

Neruda conta a história da época que o famoso poeta chileno foge de ser preso por seus posicionamentos políticos. E foge principalmente de um policial que o próprio presidente do país indica para ir atrás do ex-senador comunista.

Sim, Neruda era senador e em 1948 começa atacar o então eleito presidente que se dirigia para o lado da direita. Sentindo-se muito culpado por ajudar naquela eleição, Neruda e sua esposa argentina somem do radar mas ele se torna a voz dissonante de um governo que a história nos mostrou onde foi parar.

O problema do filme pra mim é exatamente o policial: o antagonista da história não é uma personagem tão forte quanto esperamos num caso desses. Neruda é um dos gênios da literatura de todos os tempos, instigante, interessante, inteligente, com uma vida de excessos e produção invejável. Já o policial é aquele estereótipo de filme americano, atrás do “bandido” poeta estudando seus passos, lendo seus escritos, pensando em qual seria sua próxima jogada num xadrez totalmente dominado pela nada sutil vida do escritor fugido.

E só pra constar, o policial é vivido pelo sempre mediano mexicano Gael Garcia Bernal, que não chega aos pés da interpretação do chileno Luis Gnecco no papel título.

E como num desses filmes de caçada, o policial está sempre um passo atrás e nunca chega aos pés da genialidade do poeta, nem quando ele se deixa levar por seu ego.

Como disse antes, o filme é bom, mas se quiser um ótimo filme com Neruda fique com o italiano O Carteiro e o Poeta.

52/365 O APARTAMENTO

Asghar Farhadi é o cara.

Diretor de atores como poucos hoje em dia, o cara ainda escreve os roteiros de seus filmes que, na boa, são os melhores dramas da atualidade.

Depois do insuperável Uma Separação, ele lança O Passado e me fez achar que nada de melhor poderia vir até que eu assisti finalmente O Apartamento, seu mais recente petardo.

O filme não é só um estudo sobre a alma mas também uma lição de como nos comportamos em meio à uma adversidade e de como essa situação nos leva a medidas extremas.

O Apartamento é o lugar pra onde um casal em Teerã se muda depois que o prédio onde moravam ter sido interditado por perigo de desabamento (Alguma cidade por aqui? Não, no Irã, mas poderia ser em qualquer lugar do mundo).

O que eles não sabiam é que o tal apartamento tinha uma história meio do mal e eles acabam sofrendo as consequências quando caem no turbilhão de uma surpresa nada agradável.

O casal que pra lá se muda é um casal de atores e eles estão em cartaz com a peça A Morte do Caixeiro Viajante que conta a história de sofrimento do tal caixeiro que perde o emprego, tem seu caso extra conjugal descoberto por seu filho e no final se suicida por não saber lidar com esses probleminhas pseudo cotidianos.

Emad, que faz o caixeiro, é casado com Rana (que faz a sua esposa também na peça) e juntos eles tem que enfrentar essa adversidade que o acaso lhes prega e como na peça dentro do filme, Emad vai sofrendo ao tentar resolver uma situação extrema em relação a sua mulher Rana.

Ao mesmo tempo que eles tentam evitar as más energias deixadas em seu caminho, como vamos vendo durante o filme, Emad vai atrás do causador do grande problema e sofre também com isso.

Asghar Farhadi, agora e já um mestre dos suspense, joga na nossa cara, sutilmente na maioria das cenas, o quanto a nossa força de vontade é menor do que um sentimento ruim como a raiva ou a vingança. Um drama acaba virando um suspense quase hitchcockiano e como nos filmes do mestre, a história nem sempre termina como esperávamos, o que pode ser bom por um lado e me deixou com o coração na boca de nervoso.

O filme é indicado ao Oscar de melhor filme de língua não inglesa e ao que parece Farhadi não vai à cerimônia por causa da sanção do Trump aos imigrantes de países como a Irã.

E só pra constar, o filme ganhou os prêmios de melhor roteiro e melhor ator (Shahab Hosseini) no Festival de Cannes de 2016.

41/365 EU, DANIEL BLAKE

Não sei nem por onde começar os elogios a esse filme.

Obviamente foi o vencedor do Festival de Cannes de 2016, levando a Palma de Ouro mais que merecidamente. E não é a primeira Palma do diretor Ken Loach: ganhou q0 anos depois da primeira em 2006, o que fez dele o nono diretor a receber essa honra duas vezes.

Daniel Blake é um inglês com os seus 60 e tantos anos que, depois de um ataque do coração, parte em uma descida ao inferno da burocracia inglesa para receber sua aposentadoria. Num dia de visita a uma das repartições, encontra uma mãe solteira com 2 filhos pequenos passando por situações parecidas e eles, solidarizados, enfrentam o périplo juntos, como que enfrentando dragões dos tempos atuais e caindo a seus pés.

O filme poderia se passar facilmente no Brasil ou em qualquer lugar de um mundo de hoje tão cagado e fudido. E isso é o que chamamos de uma obra de arte, quando você conta uma história da sua vilazinha e ela é absolutamente entendida no mundo todo.

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E o inglês Ken Loach é um dos melhores e mais pertinentes diretores em atividade. O cara joga na nossa cara a palhaçada que nos envolve politicamente, nos mostra como estamos enterrados em merda até o pescoço e como a gente não faz nada ou melhor, não consegue fazer nada e acabamos morrendo na praia.

Se você achou que Manchester À Beira Mar é triste ou, como eu, se achou que Loving é o mais triste do ano, assista esse Eu, Daniel Blake e veja o que é triste de verdade, o quanto a realidade está batendo à nossa porta e muitas vezes a gente não se dá conta disso.

Que filme! Que direção! Que elenco!

O filme é um drama mas na minha opinião, é um filme de terror onde o monstro é a própria vida.

Imagina o desespero de um cara de 70 anos de idade sem poder trabalhar e sem receber aposentadoria porque o sistema é uma merda e ele não consegue resolver seu problema de uma forma óbvia?

Assista por favor Eu, Daniel Blake e pense em Brasília, na fila do Detran, na greve da PM, no caos instalado no Espírito Santo, no lixo que são o prefeito e o governador de São Paulo, nas listas de propinas, na Lava Jato e veja o quanto o sr. Blake somos todos nós.

Filme do ano.

37/365 THE LOVE WITCH

Imagina um filme de terror psicodélico americano dos anos 60 com a direção de arte de um giallo italiano dos anos 70 feito e lançado hoje.

Esse é o ótimo The Love Witch, a maior surpresa dos últimos meses.

Assista o trailer e veja se não parece um filme de 40, 50 anos atrás.

O filme vem fazendo um auê desde que estreou um ano atrás no Festival de Roterdã e logo depois foi comprado por uma distribuidora americana no Festival de Cannes, recebendo as melhores críticas e elogios e são todos muito bem vindos. O filme é um absurdo de bom, uma ode à mulher numa metáfora muito na cara de uma “bruxa do amor” que faz feitiços para os homens se apaixonarem por ela.

O filme parece que foi feito em technicolor (olha a moda do La La Land) e não só isso, a vibe toda é antiguinha estranha. Mas a história se passa nos dias de hoje com tudo de bom e de ruim que isso possa acarretar no roteiro.

Escrito e dirigido pela diretora Anna Biller, uma conhecida feminista e ativista, o filme usa o arquétipo da mulher poderosa (a personagem principal)  e diferente de filmes atuais que também tem mulheres fortes usando de mágica e poderes fantásticos para se expressarem, como Neon Demon, The Love Witch é um filme sob o ponto de vista da mulher, mas principalmente de uma mulher forte que escreveu, dirigiu, produziu, fez a direção de arte e figurino e a trilha de seu filme. Por isso tudo a gente enxerga o ponto de vista forte e poderoso da mulher que faz o que quer e como quer com os homens, mesmo não sendo sempre como esperaríamos que ela fizesse, o que é a grande coisa do roteiro.

Espero que The Love Witch entre em cartaz nos cinemas (duvido) ou seja logo comprado pela Netflix (mais possível) porque a diversão é mais que garantida.

36/365 RESTER VERTICAL

Rester Vertical é a minha primeira decepção deste 2017.

Escrito e dirigido pelo francês Alain Guiraudie, cujo filme anterior foi o ótimo Um Estranho No Lago, este filme novo é uma enorme bobagem que quando terminou me deixou pensando se eu teria “entendido” alguma coisa.

A premissa do filme é a história de um diretor de cinema que vai pro interior à procura de inspiração para seu próximo roteiro e acaba tenho que criar sozinho um filho que tem com uma pastora de ovelhas.

Só que tudo isso contado de uma forma que não é nem real e nem fantástica, numa vibe sexual bem explícita e meio tosca (como poderíamos esperar desse diretor) e que na verdade deixa o filme com uma impressão de que Guiraudie esteve com o mesmo problema de seu personagem principal, escreveu um roteiro, achou uma porcaria mas seu produtor achou o máximo e foram lá filmar.

O filme estreou em Cannes no ano passado e deixou todo mundo sem entender o que tinha visto.

Sabe filme pretensioso pra caralho, onde o diretor tenta criar um universo e falha miseravelmente?

Bingo.

Fujam.