169/365 SONG TO SONG

Se liga na beleza que é esse Song To Song: o mestre dos mestres Terrence Mallik faz um filme de amor com um quadrilátero formado por Ryan Gosling, Rooney Mara, Natalie Portman e Michael Fassbender.

Diretor dos sonhos e elenco dos sonhos.

Mas não só.

Ele filmou em 2012 no festival Austin City Limits no Texas.

O personagem do Gosling é um músico desconhecido e o Fassbender é um produtor fodão que conhece todo mundo. Rooney Mara é ex do Fassbender que agora está com o Gosling e a Natalie é a atual do Fassbender. Fácil.

Detalhe: tudo isso filmado não só no festival e nos shows, mas em uma locação mais impressionante que a outra filmado pelo mestre da contemplação.

Esse todo mundo que o produtor conhece quer dizer: Patti Smith, Red Hot Chilli Peppers, Iggy Pop, que participam como personagens deles mesmos no filme.

Além dso tem mais uma galera tocando ao vivo: Die Antwoord, Diplo, Black Lips, Gal Pals, Big Freedia, John Lydon, Arcade Fire, Florence and the Machine.

Fooora isso tudo, pra dar uma incrementada no elenco, ainda tem Lykke Li (impressionante), Cate Blanchett, Holy Hunter.

O filme tem o ritmo do Malick, lento, contemplativo, com umas repetições lindas numa história que vai e vem e volta e vem de novo e vai de novo, tudo filmado na cara, bem próximo que nos faz sentir o que eles sentem, quando se beijam, quando estão nos palcos dos shows, quando brincam com os Chilli Peppers, quando bebem com o Iggy ou melhor de tudo, quando Patti Smith conta sua história de amor para Rooney.

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É muito amor, numa colcha de retalhos onde os sentimentos e as idiossincrasias de cada personagem são exploradas ao máximo, profundamente.

Filme imperdível.

E o título do filme é de uma frase que a Rooney fala pro Gosling: “…we could just live from song to song, kiss to kiss…” (a gente podia viver de uma música pra outra, de um beijo pra outro…).

166/365 ONE MORE WITH FEELING

Filme em cartaz no Festival #INEDITBRASIL

Mais um filme em cartaz no In-Edit Brasil, o festival de documentários musicais que está acontecendo em SP.

One More With Feeling é o novo filme/documentário sobre Nick Cave.

Depois de 20.000 Days On Earth, um documentário onde Cave acaba “atuando” de uma forma toda própria em cenas peculiares e muito, muito boas, desta vez a ideia foi outra.

O projeto começou como um documentário sobre a gravação de seu novo álbum com os Bad Seeds, mas no meio do processo uma tragédia aconteceu: seu filho de 15 anos de idade morre de uma forma absurda.

Se não por mais nada, se não pela genialidade, pelo carisma de Nick Cave, um documentário que era sobre criação e genialidade acaba sendo um estudo sobre força, sobre fé, sobre chegar no fundo do poço.

One More Time With Feeling é uma expressão usada por diretores em filmagens, gravações, quando pedem para seus atores fazerem mais uma tomada de uma cena, s´ø que desta vez com sentimento.

Neste documentário, este título não poderia ser mais apropriado.

Imperdível.

 

165/365 HATED: GG ALLIN AND THE MURDER JUNKIES

Filme em cartaz no Festival InEditBrasil

Se você não conhece GG Allin, prepare-se pra alguns socos no estômago assistindo esse documentário.

Se você conhece, prepare-se para alguns outros, porque tudo o que nos contaram é verdade.

GG Allin foi um músico, compositor bem conhecido da cena punk americana. Doido, mito, amado e odiado, claro que muito mais odiado que amado, junkie, suicida, iconoclasta, ele tinha todos os predicados que se podem esperar de um Doidão com D maiúsculo, no pior dos sentidos.

Sua banda Murder Junkies tinha esse nome não por acaso.

Fora da cena, a mitologia em torno de Allin era enorme e bem peculiar. E muitas vezes o povo ia aos shows dos Junkies pra ver ao vivo o que já tinham ouvido mas não acreditavam que poderia ser verdade.

Allin era o punk que vivia o punk mesmo, à margem de tudo, inclusive da cena punk.

Além da sua música muito politizada e obviamente de protesto, Allin usava seu corpo para demonstrar o que queria como ninguém.

Sempre fazia os shows pelado.

E vomitava e comia o vômito, mijava e tomava seu mijo, cagava e comia, cuspia, brigava, se cortava, sangrava e tudo mais que podia fazer para que seu público saísse dos shows com “um pouco” dele.

Porque ele não só fazia tudo isso, mas depois de fazer ele espalhava o que tinha feito pela platéia.

E o foda desse filme é que o diretor, que tinha uma relação bem próxima a Allin, seu irmão e o resto da banda, acompanhou de perto os caras e muito de perto captou e mostra tudo isso e um pouco mais.

Obviamente que Allin morreu de overdose de heroína em 93, época que o filme estava sendo feito e por isso mesmo Hated se torna ainda mais obrigatório.

Uma aula obrigatória na cartilha da música relevante das últimas décadas.

E um detalhe: o filme é o primeiro do diretor Todd Phillips, que 20 anos depois faria sucesso com Se Beber Não Case!

 

E o filme completo:

149/365 BELGICA

Belgica é um belo dum filminho do diretor Felix van Groeningen, o mesmo de Alabama Monroe.

O filme mostra os percalços enfrentados por 2 irmãos donos do bar Belgica, trabalhando toda a noite, virando, cheirando, trepando, bebendo, fumando, dançando, farreando e tudo mais que vem junto com o sucesso.

Uma das coisas boas do filme é a proximidade da câmera com os personagens frequentadores do Belgica, criando intimidade e levando o espectador para dentro das festas e das noitadas e das putarias que rolam no filme.

Mas o melhor de tudo é a trilha criada e executada pelo Soulwax, a banda dos irmãos magos belgas também conhecidos como 2 Many Djs.

Eles criaram uma música diferente para cada banda que toca no filme. E as bandas são formadas pelos músicos amigos dos irmãos Dewaele, inclusive o Iggor Cavalera, baterista de quase todas as faixas.

Belgica, que vi semana passada, me deixou muito nostálgico em relação ao Gourmet, um bar aqui de SP que fechou também semana passada depois de 27 anos aberto. O Gourmet foi com certeza o bar/balada que eu mais frequentei na vida e provavelmente o bar onde eu mais me diverti na vida, fiz grandes amigos, tomei alguns porres, me abriguei em alguns momentos difíceis e onde comemorei outros momentos bem felizes. Estava lá na noite de abertura, estive em quase todas as festas de aniversário no primeiro fim de semana de agosto de todos os últimos 27 anos.

As cenas de bastidores do bar Belgica no filme me lembraram muito do que vivi no Gourmet, primeiro como amigo das donas, depois como frequentador assíduo, uma parte como dj com festa semanal lá. Só sinto por ter me afastado de lá nos últimos 2 anos por atitudes bem bestas, mas as boas memórias ficam pra sempre e superam o bode final.

Daft Punk sem capacete em Cannes.

Thomas Bangalter, um dos robôs do Daft Punk na verdade não é um robô!

Como assim?

Ele esteve ontem a noite na sessão oficial de abertura do Festival de Cannes, ao lado de sua esposa, a fodona Élodie Bouchez.

Ele é o cara meio careca, meio cabeludo, de óculos na foto, ao lado de Élodie.

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Bom, repensando o que escrevi antes, parece que Thomas é um robô sim. Enquanto as pessoas nesse vídeo, sua esposa e até Adrien Brody se movem, Bangalter fica duro que nem respira.

133/365 THE LURE

The Lure é uma voadora no peito, com os 2 pés e gritando.

É um filme polonês sobre 2 sereias que quando na terra, viram cantoras de uma banda numa boate malucona nos ano 80’s.

Imagine a pequena sereia num filme de terror, sendo que ela faz sexo, fica bêbada, canta e é meio do mal.

The Lure é um musical. Só que também é uma comédia. Mas principalmente é um filme de terror. Bem bizarro, bem punk, tudo misturado.

A história começa quando uns bêbados vão para a praia numa madrugada cantar e 2 sereias aparecem e cantam para eles perguntando se elas devem ir para terra firme.

Daí já vemos as fofas, peladas e com pernas, no camarim da boate malucona, amparadas pela vocalista da banda do que deve ter sido a new wave polonesa. Quando o dono da boate, sentindo um cheiro forte de peixe, finalmente chega no camarim e vê as duas meninas nuas, percebe que eles não possuem nem vagina e nem ânus, ao que explicam que elas são sereias e para ele ver, jogam água em suas pernas que logo viram de volta os rabos de peixe enormes.

Elas são lindas, uma ruiva e uma morena, naturalmente sedutoras, cantam bem, obviamente, como toda sereia e começam a fazer backing vocals, só que elas são boas demais e já viram as queridinhas do lugar, viram cantores e stripers.

Só que no meio disso as coisas não são tão fofas e bacanas assim.

Primeiro que ninguém fica surpreso por elas serem sereias, é uma vibe bem normal, como se estivessem acostumados com isso.

No fundo elas que precisam se acostumar com o povo normal, comprar roupas e sapatos, aprender a se portar e principalmente, resistir a tentação de não estraçalhar e comer as pessoas, o que é bem difícil pra elas.

Fofas, né?

Elas encontram outro ser aquático que vive entre os normais e teve um chifre arrancado por um homem e de raiva arrancou o outro, tendo 2 cicatrizes lindas na testa.

Encontram uma policial locona que numa investigação se joga pra uma das sereias.

E uma delas se apaixona pelo baixista da banda, só que é avisada que se ela fizer a cirurgia de redesignação de perna, numa das cenas mais lindas do filme, ela vai perder a voz e virar espuma de água.

Depois de muita música, algumas piadas bizarras, um terror lindo, The Lure é  um filme coming of age, de amadurecimento, onde as sereias representam numa metáfora descaradas duas adolescentes entrando na vida adulta, tomando a primeira vodka, fumando o primeiro cigarro, fazendo sexo, menstruando, sofrendo abuso de adultos, mudando o corpo, exalando cheiros específicos, se apaixonando pela primeira vez e tudo mais a que tem direito.

Filmaço do mais estranho, que me deixou bem impressionado e meio de queixo caído com a ousadia da diretora, e minha nova ídola, Agnieszka Smoczyńska.

P.S. – desde 2015 quando li sobre esse filme que tento ver de qualquer maneira. Finalmente consegui, com a dica valiosa de um querido, procurando o torrent pelo título original dele. Sou lento de vez em quando.

Graham Norton da semana: Diane Keaton, Jessica, Michael, Kevin e Gorillaz.

Graham Norton é o meu programa de entrevistas preferido já faz uns bons 10 anos.

Norton é um belo de um roteirista e comediante inglês, responsável por muitas das piadas boas de Absolutely Fabulous só pra citar outro show preferido.

Vou começar a postar aqui uns highlights de seu programa semanal, que vai ao ar toda sexta feira a noite na BBC e no sábado cedo já está no youtube.

Infelizmente nada novo tem legendado pra eu subir, mas o CC funciona bem.

Semana passada ele teve em seu sofá Jessica Chastain, que contou histórias de sua avó de 90 anos de idade no tinder, Michael Fassbender que fez uns passos de break dance e falou do novo Alien,

Kevin Bacon que falou que odeia não ser reconhecido,

e a grande Diane Keaton que contou coisas sobre as filmagens de O Poderoso Chefão,

além de beijar todos os outros convidados na boca. Todos.

Pra fechar com chave de ouro, teve Gorillaz ao vivo com o Noel Gallagher e Damon Albarn sendo perguntado quando eles 2 tinham ficado amigos. Foda.

Eu rio muito e fico arrepiado todo programa.

E o programa inteiro tá aqui:

O Homem Aranha faz a Rihanna no LSB.

Um dos melhores programas da tv americana nos últimos anos pra quem curte música e cultura pop é o Lip Sync Battle, apresentado por LL Cool J, onde a cada episódio 2 astros da tv, da música e do cinema competem dublando 2 músicas cada um.

Na primeira música é meio que um karaokê, os caras estão lá cantando, roupa normal, sem produção nenhuma.

Já na segunda música, eles vão com os 2 pés no peito.

Produção, figurino, maquiagem, coreografia e muitas vezes o próprio artista que eles dublam aparece no palco, como no primeiro episódio desse ano quando Beyonce apareceu ao final da dublagem do Magic Mike Channing Tatum  e foi foda.

Mas desta vez o astro do novo Homem Aranha, o inglês Tom Holland, me surpreendeu muito de Rihanna.

O filme estreia dia 7 de julho e o LSB é uma plataforma bem boa que o povo tem usado pra divulgação. Mas este episódio foi especialíssimo porque foi a contagem regressiva para o MTV Movie and TV Awards que começou logo na sequência e um clipe novo de Homem Aranha seria apresentado na premiação por Tom junto com outra atriz do filme e também participante do LSB, Zendaya.

Sério, olha isso.

101/365 STRIKE A POSE

Se você estiver em um dia bom e puder levar um soco no estômago de tristeza, assista esse belo documentário Strike a Pose na Netfilx, sobre os dançarinos da Madonna na tour Blond Ambition de 1990 e do filme Truth Or Dare.

Primeiro porque é um lição sobre a cultura da sub celebridade (obrigado BBB’s da vida) e sobre como as pessoas lidam com a (pseudo) fama repentina e como essa fama os catapulta às alturas, sendo que quanto mais alto, maior o tombo.

Depois que a dupla de criadores e diretores do filme, Ester Gould e Reijer Zwaan, conseguiu nos conduzir de uma forma a acreditar em um final e eu me surpreendi com o que eu vi.

Strike a Pose começa com a história dos bailarinos sendo descobertos no underground, principalmente Jose e Luis que trouxeram o Vogueing pro pop. Os ensaios, a tour, o filme, a fama, as fotos, os autógrafos até que terminou.

Então o filme mostra a vida dos 7 dançarinos nos 25 anos que se passaram da tour (o filme foi feito em 2015) e mostra como eles sobreviveram com os poucos prós e os muitos contras (pelo menos essa foi a conclusão que eu cheguei) do fardo que foi terem participado de uma das grandes obras de arte da cultura pop.

E uma das grandes coisas do filme é o uso de trechos de Truth or Dare e de cenas e sequências da tour de 1990.

Sexo, drogas e dance music seria um nome bom pro documentário também.

Como eu não sou um super fã da Madonna, não sabia de várias coisas mostradas no documentário, como por exemplo um processo por causa do Truth or Dare.

Ver as conclusões a que esses caras chegaram depois de tantos anos é uma lição de vida pra um monte de gente por aí (pra mim mesmo, inclusive), mas concluindo tudo mesmo, a sabedoria vem com o tempo mesmo, não tem jeito.

Agora, prepare-se pro coração apertar.

Filmão.

79/365 A SÍNDROME DO PUNK

Punk que é punk encoxa a mãe no tanque? Não. Punk que é punk entra no palco com a cueca cheia de merda.

A Síndrome do Punk é o documentário mais lindo e mais divertido e mais melancólico que eu vi esse ano. O filme conta a história de uma banda punk finlandesa chamada Pertti Kurikan Nimipäivät (ou PKN) onde todos os seus componentes tem ou autismo ou síndrome de down.

O filme não julga ninguém, não explica nada, não tem legenda, só mostra como os 4 membros dessa banda vivem e se viram e se apresentam.

Sua música é a forma que encontraram para gritar contra os preconceitos que sofrem, os problemas do dia a dia, o silêncio do governo ou por terem que viver em casas comunitárias e por aí vão.

Por causa do documentário a banda começou a ter um pouco mais de fama que não apenas no circuito underground e com isso conseguiu uma maior visibilidade para suas “súplicas”.