176/365 THE CARER

Sir Michael Gifford é um daqueles super atores ingleses com Shakespeare correndo nas veias, tanto que protagonizou quase todas suas peças: Hamlet quando jovem, Lear quando velho e tudo no meio.

E com Shakespeare fez fama e fortuna.

Só que agora Sir Michael está idoso, doente e não suporta ninguém que venha cuidar dele, por mais que suas filhas e assistentes insistam.

Até que um dia aparece uma jovem húngara, enfermeira especializada em idosos, como todos acham pelo seu currículo.

Ela é desbocada, atirada, inteligente e conhece muito bem Shakespeare, o que deixa Sir Michael desconcertado.

Aos poucos ele começa a respeitá-la até o dia que descobre que ela é uma atriz, ou para ele, ela quer ser uma atriz.

O que estava errado para ele e certo para as filhas, a jovem cuidadora com atitude, aos poucos vai mudando e ficando certo para ele e errado para as filhas.

The Carer é um desses filmes europeus com um roteiro envolvente e bem amarradinho que ganha força por causa do elenco principal: ninguém menos que Brian Cox faz o velho rabugento Sir Michael e a ótima novata austríaca Coco Konig faz a enfermeira / atriz novata.

O filme é húngaro com sotaque inglês, e como o diretor frisa pelo filme inteiro, parece que o principal problema da enfermeira salvadora é o fato dela ser húngara num mundo pseudo aristocrático bretão.

Pra relaxar num domingo a noite, filme bem bom.

175/365 THE LEVELLING

The Levelling é um belo de um drama inglês, filme de estreia da roteirista e diretora Hope Dickson Leach, que conta a história de uma garota, Clover, que por causa da morte de seu irmão, volta para a fazenda da família depois de 2 anos fora.

O clima da história já se mostra bem no início do filme, quando ela está saindo do taxi de um amigo da família que pergunta se pode fazer alguma coisa por ela e ela responde: “pode ser meu pai morrer no lugar do meu irmão?”. O pai que a mandou embora e que não presta atenção em sua vida e nem sabe que Clover estuda veterinária.

A fazenda está falida por causa de uma enchente que destruiu quase tudo e por isso, o pai que ela não gosta tanto, está vivendo em um trailer já que não dá pra entrar nem na casa.

Na noite anterior, em uma festa na fazenda, o irmão mais velho estava “brincando” com uma arma e levou um tiro na cabeça por engano.

À medida que Clover fica na fazenda, tem que lidar com a tosquice do pai, com os amigos super prestativos, com o terreno detonado, com a casa pós churrasco cheia de garrafas vazias e pós morte, cheia de sangue nas paredes.

Aos poucos os podres vão aparecendo não só nas paredes e na terra, mas por todo clima e por toda a vida que ela não conhecia por causa de sua distância.

De novo, filmão: bem escrito, bem dirigido e com um show da atriz que faz a garota Clover ( Ellie Kendrick de Game of Thrones).

Deve estrear esse ano por aqui, não perca.

169/365 SONG TO SONG

Se liga na beleza que é esse Song To Song: o mestre dos mestres Terrence Mallik faz um filme de amor com um quadrilátero formado por Ryan Gosling, Rooney Mara, Natalie Portman e Michael Fassbender.

Diretor dos sonhos e elenco dos sonhos.

Mas não só.

Ele filmou em 2012 no festival Austin City Limits no Texas.

O personagem do Gosling é um músico desconhecido e o Fassbender é um produtor fodão que conhece todo mundo. Rooney Mara é ex do Fassbender que agora está com o Gosling e a Natalie é a atual do Fassbender. Fácil.

Detalhe: tudo isso filmado não só no festival e nos shows, mas em uma locação mais impressionante que a outra filmado pelo mestre da contemplação.

Esse todo mundo que o produtor conhece quer dizer: Patti Smith, Red Hot Chilli Peppers, Iggy Pop, que participam como personagens deles mesmos no filme.

Além dso tem mais uma galera tocando ao vivo: Die Antwoord, Diplo, Black Lips, Gal Pals, Big Freedia, John Lydon, Arcade Fire, Florence and the Machine.

Fooora isso tudo, pra dar uma incrementada no elenco, ainda tem Lykke Li (impressionante), Cate Blanchett, Holy Hunter.

O filme tem o ritmo do Malick, lento, contemplativo, com umas repetições lindas numa história que vai e vem e volta e vem de novo e vai de novo, tudo filmado na cara, bem próximo que nos faz sentir o que eles sentem, quando se beijam, quando estão nos palcos dos shows, quando brincam com os Chilli Peppers, quando bebem com o Iggy ou melhor de tudo, quando Patti Smith conta sua história de amor para Rooney.

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É muito amor, numa colcha de retalhos onde os sentimentos e as idiossincrasias de cada personagem são exploradas ao máximo, profundamente.

Filme imperdível.

E o título do filme é de uma frase que a Rooney fala pro Gosling: “…we could just live from song to song, kiss to kiss…” (a gente podia viver de uma música pra outra, de um beijo pra outro…).

167/365 DESCONHECIDA

Esse é um daqueles filmes que deveriam ser maravilhosos mas que no fim deixam a desejar.

Num jantar na casa do personagem do sempre ótimo Michael Shannon, seu colega de trabalho leva sua nova namorada que na verdade é o velho amor da vida de Shannon que desapareceu do nada e anos e anos depois volta.

Volta para atormentá-lo.

Quando ela vai embora sorrateiramente do jantar, ele vai atrás e passa uma noite de conversas e lembranças e tentativa de entender o que aconteceu e mais um monte de ressentimento e arrependimento e outros sentimentos nem tão nobres vêm à tona.

A Desconhecida, que é uma velha conhecida, na verdade se mostra uma desconhecida mesmo.

Rachel Weisz usa e abusa da personagem para dar um showzinho no filme, assim como Shannon. Mas o roteiro e a direção não ajudam muito.

E como uma andorinha só não faz verão, fica pra próxima.

163/365 EU SOU MICHAEL

O James Franco insiste em fazer os filmes pequenos e indies e gays dele e eu insisto em assistí-los.

E continuo me decepcionando.

Depois de King Cobra, a porcaria contando uma historinha do mundo do pornô gay americano, agora ele faz esse I Am Michael, que conta a história de um ativista gay que encontra Deus e resolve virar hétero, porque, né?

Michael Glatze era um ativista, gay, colunista de uma revista grande de São Francisco, tinha um guia para ajudar os jovens gays, dava palestra, era casado com outro cara, o típico gay engajado 100%.

Até que um dia tem um ataque de pânico, vai para o hospital e descobre que sofre de um mal do coração, como o seu pai sofria.

Ele acha que o ataque de pânico foi um aviso de Deus para que ele repensasse sua história de vida e aprendesse que “se identificar como gay” estava errado. Muito errado.

A história é interessante por um motivo bizarro de mostrar o que faz alguém rever sua vida e resolver que se está 100% errado no que vem fazendo com ela. Sendo mais direto, mostrar o quanto alguém pode pirar de uma hora pra outra sem um motivo aparente.

Agora, o filme em si é muito ruim. Feito com muito pouco dinheiro, como vida patente nas quase 2 horas, I Am Michael parece aqueles filmes bem ruins, mas bem ruins mesmo, feitos para a televisão americana na década de 80, onde a direção era pior que de novela e os atores os mais caricatos possíveis.

Numa história tão cheia de “emoção” e de “revelação”, parecia que eu estava assistindo um pornô onde os “atores” precisam atuar numa historinha que justifique o sexo que vem a seguir. Só que o sexo não vem. E a gente bem sabe como ator pornô não é ator porcaria nenhuma.

Mais uma vez, fuja de outro filme do James Franco.

 

159/365 UM INSTANTE DE AMOR

Ah os novelões franceses.

De novo.

Depois da Natalie Portman e da filha do Johnny Depp, a Lilly Rose, exagerando como falei outro dia, agora é a vez da Marion Cotillard.

Esse Um Instante de Amor não é de todo ruim, na verdade ele até é interessante. Mas o que me deixa bolado é o tom novelesco desses filmes ditos sem pretensões.

O filme é bem escrito, mas tem uns exageros e uns descuidos que não poderiam nem deveriam haver., culpa da mão pesada da diretora Nicole Garcia.

Marion faz uma mulher com um apetite sexual que deixa todos de sua vila chocados e faz com que sua família force um casamento para que ela sossegue a periquita, literalmente.

Isso uns bons 50 anos lá atrás onde as nossas nóias atuais ainda não tinham sido “inventadas” ou descobertas, melhor dizendo.

A nóia dela é grande, tanto que mesmo aceitando o casamento, acaba tentando viver como ela é. Só que isso termina com ela sendo internada em um sanatório e lá ela vive uma grande paixão, talvez a grande paixão de sua vida, o instante de amor.

Adivinhem com quem?

Quem?

Claro que o onipresente Louis Garrel.

Não que eu esteja reclamando da presença do ator, mas podia variar, né?

Ele já tá virando o Selton Mello do cinema francês, guardadas as devidas proporções estratosféricas.

Um charme do filme pra mim é quando a família da personagem de Cotillard vai pra Lyon e tudo se passa na rua paralela de onde eu morei.

Escorreram lágrimas saudosas.

158/365 MESA 19

Nunca subestime o recalque de uma madrinha de casamento dispensada 2 semanas antes por ter levado um fora do irmão da noiva.

Esse é o mote do filme Mesa 19.

Anna Kendrick faz essa recalcada que, apesar de tudo, vai ao casamento. E quando eu esperava que ela fosse pra chutar o balde, o roteiro me surpreende.

Só que o que ela não esperava é que foi colocada na última e mais relegada mesa da festa, a 19, com um bando de loosers como o primo do sogro que saiu da cadeia, o ex babá maconheira da noiva e por aí vão.

Eu comecei ver o filme por causa da Anna, mas aos poucos fui gostando e me divertindo com essa turma de bizarros que, com um texto bem escrito, vai contando uma historinha muito bem resolvida.

Claro que é um filme besta mas pra um filme indie e meio barato, é ótimo com uma bela fotografia, um elenco impressionante até com um casal formado pela Lisa Kudrow e o Craig Robinson, além do roteiro muito bem escrito pelo também diretor Jeffrey Blitz.

E viva os filmes de 5 milhões de dólares.

 

157/365 ARMAS NA MESA

Em tempos de “terminei de assistir a nova temporada de House of Cards”, Armas Na Mesa é o filme mais relevante pra se comentar.

Mais ainda: em tempos de Lava a Jato, Temer e Trump e das reviravoltas dos horrores da política da vida real, assistir um filme sobre uma lobista americana hard core é quase um alívio.

O filme é bom e um belo veículo pro brilho de uma atriz do calibre da Jessica Chastain, que tá super bem, como sempre.

Como deixam bem claro o filme inteiro, Jessica faz uma lobista fria, calculista, inteligente, sem vida, sem família, sem amigos, não come, não dorme, só trabalha, é uma bela duma filhadaputa, usa todo mundo, tudo o que a gente tem visto em House of Cards nos últimos 5 anos mas também o que temos visto em Brasília nos últimos tempos.

Sei que a vida real tá mais emocionante do que temos visto na ficção.

Essa última temporada de House Of Cards deixou muito a desejar, a não ser por 3 ou 4 cenas em 13 episódios quase arrastados.

Mas a historinha da Sloane nesse Armas na Mesa é um petardo comandado por uma atriz no pico de sua carreira que promete ser das melhores em Hollywood.

156/365 ALÉM DA ILUSÃO

Ah, esses filmes que parecem uns novelões.

Além da Ilusão é um desses filmes com a maior pinta de obra prima ,com dinheiro, com um belo elenco, com uma ideia linda de contar uma história do cinema mudo francês mas que tudo vai por água abaixo por um monte de razões, mas a principal talvez seja a inaptidão da diretora Rebecca Zlotowski.

A história de duas irmãs que viajam pela França fazendo sessões de “magia”, onde uma delas é uma paranormal/sensitiva que conversa com os mortos acaba se transformando num draminha sem graça e bem raso quando elas acabam se envolvendo com um produtor de cinema mudo que atinge orgasmos quando entra em contato com o além e convida uma das irmãs pra ser atriz, já que ela tem uma boa expressão facial.

Faz-me rir.

O foda é ter um elenco com Natalie Portman, Lily-Rose Depp, Emmanuel Salinger e Louis Garrel (que tá virando o grande extra do cinema francês) e desperdiçar num arremedo de direção de atores. 

Repito: como você desperdiça a Natalie Portman contracenando com o Emmanuel Salinger? E ainda a filha do Johnny Depp louquinha? E o Garrel de coadjuvante?

A chamada desse filme é: “existe vida após a morte”? Por esse filme concluímos que não existe nem antes e ponto final.

Decepção.

154/365 LOVESONG

Maior filme lindo de amor do ano.

Lovesong conta a história de uma amizade linda e longa e amorosa de duas amigas, vividas pelas ótimas Jena Malone e pela minha preferida Riley Keough, a neta do Elvis, filha da Lisa Marie, coitada.

Riley é casada com uma filha de 3 anos.

Seu marido passa 1 fim de semana com ela a cada 2 meses e ela vive em função da filha, até que sua amiga Jena vai lhe visitar, depois de muitos anos.

A amiga solteira, leva uma vida aventureira e aproveita de maneira bem diferente da mãe jovem.

Elas passam dias ótimos, felizes e a amizade de longa data, que também é um amor profundo, volta à tona.

Mas tudo o que é bom dura pouco e elas ficam outros 3 anos sem se verem e se encontram no casamento e a vida é doida, né.

E bem boa.

Muito bem escrito e bem dirigido, Lovesong tem um tempo próprio, flui como uma linda canção de amor e tem tudo de melhor que um indie americano pode oferecer.

E o melhor de tudo: não tem nenhum porém.