180/365 OKJA

 

Finalmente estreou na Netflix Okja, o novo filme de Bong Joon Ho que causou alvoroço em Cannes esse ano por ter ser um filme em competição e que estrearia não em uma sala de cinema, uma novidade para um festival de cinema. Aliás, não só mais um filme da Netflix como mais um filme produzido pela Plan B, a produtora do Brad Pitt que tem feito um monte de coisas com o canal.

Almodovar, o presidente do juri, de cara disse que não premiaria um filme desses, relegando a um segundo plano, como se todo filme que passa em Cannes faz sucesso nos cinemas, o que está longe de ser verdade.

Bom, no final das contas Okja saiu de lá de mãos abanando e Almodovar saiu de lá com um contrato com a Netflix para ele fazer o que quiser.

Vamos ao que viemos: Okja é um filme bem bonitinho, interessante mesmo, com os 2 pés em 2017, no que estamos vivendo aqui e agora como os problemas ecológicos, a ganância desenfreada, os selfies absurdos, a globalização que no fim caga geral e muito mais.

O que me impressionou muito no filme foi que o diretor saiu totalmente de sua zona de conforto ao fazer esse filme. O sul coreano que fez os maravilhosos O Hospedeiro, Mother, o Expresso do Amanhã deixa em segundo lano toda a sua crueldade característica e em Okja lida com temas sérios e “pesados” e fortes de uma maneira bem peculiar.

O filme é sobre um experimento de uma empresa bem polêmica, comandada por duas Tilda Swinton’s como gêmeas bem diferentes entre si mas com o mesmo propósito: ganhar dinheiro.

A empresa criou um porco gigante que em 10 anos vai ser a salvação da alimentação do mundo. Para isso eles distribuem pelo mundo filhotes desse super porco para serem criados das mais diferentes formas e, depois dos 10 anos, o melhor deles ser coroado e de uma forma estranha, ser transformado em objeto do desejo, via concursos e fotos e tudo mais que a mídia pode oferecer.

Como ela diz em um momento do filme “a genialidade vai ser fazer, pela primeira vez, as pessoas adorarem o bicho que elas vão comer”.

Claro que nem tudo é, nem sai como o esperado.

Okja é o super porco fofo, vencedor do concurso, criado no topo de uma montanha na Coréia do Sul por um ancião e sua neta.

Jake Gyllenhaal é o apresentador de tv estúpido, que trabalha para Tilda e vai lá conhecer o porcão e levá-lo embora.

Paul Dano, em seu melhor papel, numa carreira de ótimos papéis, é o chefe de uma organização guerrilheira de proteção aos animais, uns guerrilheiros bem hippies, bela ideia de personagens.

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A personagem de Tilda sempre lá, linda e fodona e com uns dentões ótimos esperando que tudo dê certo.

Mas quem rouba o filme é a menina An Seo Hyun, a coreana que dorme de conchinha com Okja.

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Que personagem! Que texto. E que puta atriz é essa menina.

A caricatura geral criada pelo diretor para os personagens “do mal”, poupa os heróis do filme, a menina An e Dano, que salvam a porra toda e são um suspiro de esperança num mundo tão cagado quanto o nosso.

Tecnicamente o filme é impecável, com uma fotografia primorosa e, eu acho, que como eles sabiam que o filme não iria para o cinema, tudo foi pensado para a telinha mesmo.

A direção de arte do filme é outro ponto alto, muito cuidadosa e com um nível de detalhamento e sutileza que eu não via fazia tempo.

Mas o que eu gostei muito foram de referências que vi pelo filme, como uma à sequência de Tom Cruise no Missão Impossível quando a menina, tentando recuperar Okja, está deitada no topo de um caminhão numa perseguição; ou quando ela invade a empresa de Tilda, que é quase que uma recriação da invasão de O Fantasma do Paraíso do Brian de Palma, um dos filmes da minha vida, com a mesma recepcionista folgada, as portas de vidro, os seguranças estúpidos.

Além disso, tem uma recriação da foto hoje icônica da sala de guerra do Obama de quando eles ficam sabendo da morte do Bin Laden.

Deus está nos detalhes!

Só uma criticazinha e nem ao filme, mas sim à Netflix: nas chamadas dos filmes eles estão vendendo como um libelo de amor, liberdade, esperança, como se o filme fosse fofo e bonitinho. Gente, filmão de porrada e explosão e filhadaputagem, vamos assumir!

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E viva o Bong Joon Ho!

 

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