174/365 DIVINAS DIVAS

Eu queria começar esse texto falando da grande qualidade do documentário Divinas Divas, dirigido pela atriz Leandra Leal, sobre a(s) história(s) das mais famosas travestis que passaram pelo teatro Rival, no Rio De Janeiro, teatro que foi do avô de Leandra e que hoje ela toma conta.

O problema é que as qualidades são tantas que nem sei por onde começar.

Bom, o filme é obrigatório pros novinhos fãs de Ru Paul’s Drag Race que hoje em dia saem de mãos dadas com os namorados na rua e se montam e mostram seu orgulho numa parada como da semana passada. As Divas do filme, com D maiúsculo, se montavam de mulher nos anos 60, na época da repressão, durante a ditadura militar, onde toda noite eram paradas em seus taxis por policiais ou militares nas ruas que duvidavam que elas fossem homens.

Elas, do alto de seus pelo menos 70 anos de idade, contam que na época eram os viados que se vestiam de mulher, não eram travestis, não eram trans, não eram homossexuais, eram viados. E quanto mais femininos, mais apanhavam na rua até que não podiam andar na rua, como conta uma delas.

Elas contam como eram consideradas exóticas e diferentes  e as pessoas não acreditavam muito que elas existiam. Mas isso tudo diferente do exótico de hoje em dia, onde trans e drags e travestis estão na novela da globo e há 10 anos participam de concurso em programa de televisão.

Elas existiram antes do Silvio Santos fazer show de transformistas em seu programa de domingo, e como diz outra, foi por causa delas que esses shows existiram.

Elas foram as pioneiras em irem pra Europa fazer show e cantar e dançar e casar e voltar.

Rogéria, Valéria, Jane Di Castro, Camille K, Fujika de Holliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa, Brigitte de Búzios são Divas, são Divinas, são Santas e Mártires. Por causa delas que hoje estamos aqui com bandeira de arco íris no perfil do Facebook.

O filme é lindo, saudoso, emocionante mas não condescendente.

Mostra que elas são gente normal, que os problemas que elas passam são parecidos com os nossos, que a Diva está no palco e foi uma forma que elas encontraram para sobreviverem à barbárie que provavelmente enfrentariam em suas vidas.

Leandra conta a sua história do teatro, de como ela ainda bebê ficava na coxia enquanto sua mãe atuava.

De como seu pai, gay, e sem companheiro, gerenciaram o Rival por tanto tempo.

E conta como descobriu que seu avô, o fundador do teatro Rival, foi um grande incentivador das travestis e abriu, nos anos 60’s o seu teatro para essas artistas maravilhosas.

Divinas Divas mostra a preparação para o espetáculo de mesmo nome onde as próprias se reencontram no palco para celebrarem sua arte e principalmente, sua vida.

Ah, um coisa: o filme está em cartaz e por aqui é assim, se não der bilheteria boa no primeiro fim de semana, ele sai dos cinemas.

Assim sendo, vá ao cinema hoje, amanhã, domingo e veja Divinas Divas pra dar uma força pra Vitrine Filmes deixar o filme nas telonas por um bom tempo.

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