71/365 GIMME DANGER

Em 1997 Jim Jarmusch lançou Year of the Horse, um documentário sobre a turnê de 1996 de Neil Young and Crazy Horse, o que eu considero um dos melhores filmes sobre rock.

Eu duvidava que meu diretor americano preferido, o Jarmusch, fosse capaz de fazer outro documentário melhor que aquele até que eu assisti Gimme Danger, um filme sobre os Stooges.

Só digo que das quase 2 horas de filme, mais da metade é com o Iggy Pop contando as histórias da banda, desde o começo como uma banda que tocava um rock para teenagers até onde eu achava que conhecia, mas os detalhes que aparecem nesse filme me fizeram arrepiar várias vezes.

Uma história boa é que Iggy fala que vivia num trailer com seu pai e sua mãe, um trailer igual ao do filme Lua de Mel Frustrada da Lucile Ball, meu filme preferido dela. Ele diz que ama o filme por causa disso e eu agora amo ainda mais o filme por isso também.

Ele conta que tocava bateria na sala do trailer, que não cabia mais nada, e por isso seus pais trocaram de quarto com ele, colocando ele e a bateria no quarto maior e foram com a cama de casal para o quarto pequeno, mas conseguiram a sala de volta.

Outra história boa é sobre o nome original da banda. Quando eles assinaram com a gravadora Elektra o seu primeiro contrato, através do Danny Fields (sobre quem falei aqui de seu documentário Danny Says), eles resolveram mudar o nome de The Psychedelic Stooges para The Stooges. Só que os Stooges do nome vinham dos 3 Patetas (the 3 Stooges) e Iggy resolveu ligar para o Moe e pedir permissão para usar o nome. O que Moe responde pra ele é hilário, impossível nos dias de hoje mas que mostra que a ingenuidade ainda existia nos anos 70’s.

Isso só pra contar 2 historinhas que em princípio não têm a ver com música porque tudo o que a gente quer ouvir contarem está no filme: Warhol, MC5, Bowie, mais Bowie, maconha, LSD, Lou Reed, o namoro com a Nico e o clipe dela, heroína, os hotéis em L.A., Detroit, o punk, os Ramones, os vômitos que o público queria ver do Iggy nos shows, as expulsões das gravadoras por indecência, isso tudo e muito mais.

De novo: tudo o que a gente pensa que sabe sobre os Stooges, assistindo Gimme Danger descobrimos que as coisas eram sempre mais. Mais sexo, mais drogas, mais excessos, mais tudo. E muito mais rock and roll.

Agradeço imensamente a Deus Jim Jarmusch por mais um filme essencial, obrigatório, viciante e de chorar ajoelhado.

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