57/365 A BRUXA

Hoje é um dia importante pro cinema. Domingo de entrega do Oscar com provavelmente o maior número de filmes independentes indicados. E o melhor, com grandes chances de vitória.

Depois da vitória arrasadora de Moonlight ontem na entrega do Independent Spirit Awards, o filme chega hoje ao Oscar com uma torcida quase unânime de quem faz cinema e de quem gosta de bons filmes. Além dele, ontem na mesma premiação, A Bruxa ganhou 2 importantes prêmios, o de melhor primeiro filme e de melhor roteiro de estreia.

Moonlight e A Bruxa são filmes muito baratos, baratos até para os atuais padrões de cinema brasileiro com filmes girando em torno dos 10 milhões de reais pra cima. Moonlight custou US$ 5 milhões e A Bruxa US$ 3 milhões. E não, não faça a conta vezes 3 para pensar em reais. Nesses casos é 1 pra 1. É como se fossem feitos no Brasil custassem 5 e 3 milhões de reais. Micharia.

A Bruxa além de tudo, tem um produtor brasileiro, Rodrigo Teixeira, que ontem recebeu o prêmio junto com o diretor e roteirista Robert Eggers.

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Todo mundo assistiu A Bruxa ano passado e quem não viu, por favor, faça esse favor a si mesmo. O filme conta a história de uma família assombrada pelo mal, nos EUA dos anos 1600’s, no meio do nada, onde pai, mãe e 4 filhos sofrem com a o terror causado por uma bruxa que vive na floresta perto da casa deles.

Só que o filme não é o terror que a gente tem visto por aí. Muita gente reclamou dizendo que não era um filme de terror mas sim um drama chato onde nada acontecia.

Não minha gente, o filme dá medo. É o filme que melhor criou clima no cinema americano recente.

O diretor (e de novo, roteirista) Eggers criou um universo tão próprio, não só com o inglês falado naquela época mas também com a recriação do momento de época pouco visto hoje em dia e, justiça seja feita, todos os louros devem ir para a mais que ótima Anya Taylor-Joy, a filha mais velha do casal acusada de ser a bruxa primeiro por seus irmãos, depois por… Não vou contar.

A Bruxa, na minha opinião, é o grande filme deixado de fora do Oscar, um roteiro absurdo num ano de ótimos roteiros. Uma fotografia maravilhosa num ano de filmes lindos também. Mas um filme de 3 milhões de dólares não representa a velha academia de Hollywood, como temos visto ultimamente.

Umas semanas atrás o diretor de Titanic, James Cameron, disse que do jeito que as coisas estão indo, ele nunca mais vai ganhar um Oscar na vida dele, numa crítica descarada ao cinema independente e barato tomando conta das premiações americanas.

Bom, Cameron, só te digo uma coisa: faça algum filme bom, independente de você gastar os 200 milhões de dólares que eu tenho certeza que indicações e prêmios virão. O cara reclama depois de fazer Avatar? Quer ganhar Oscar com isso?

Hoje a noite a minha torcida é por Moonlight mesmo, mas também por Manchester, por Elle e por todos os outros filmes que demoram 5, 6, 7 anos para serem realizados e que são um tapa na cara da sociedade cinematográfica do mundo inteiro.

Que venham mais.

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Um pensamento sobre “57/365 A BRUXA

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