52/365 O APARTAMENTO

Asghar Farhadi é o cara.

Diretor de atores como poucos hoje em dia, o cara ainda escreve os roteiros de seus filmes que, na boa, são os melhores dramas da atualidade.

Depois do insuperável Uma Separação, ele lança O Passado e me fez achar que nada de melhor poderia vir até que eu assisti finalmente O Apartamento, seu mais recente petardo.

O filme não é só um estudo sobre a alma mas também uma lição de como nos comportamos em meio à uma adversidade e de como essa situação nos leva a medidas extremas.

O Apartamento é o lugar pra onde um casal em Teerã se muda depois que o prédio onde moravam ter sido interditado por perigo de desabamento (Alguma cidade por aqui? Não, no Irã, mas poderia ser em qualquer lugar do mundo).

O que eles não sabiam é que o tal apartamento tinha uma história meio do mal e eles acabam sofrendo as consequências quando caem no turbilhão de uma surpresa nada agradável.

O casal que pra lá se muda é um casal de atores e eles estão em cartaz com a peça A Morte do Caixeiro Viajante que conta a história de sofrimento do tal caixeiro que perde o emprego, tem seu caso extra conjugal descoberto por seu filho e no final se suicida por não saber lidar com esses probleminhas pseudo cotidianos.

Emad, que faz o caixeiro, é casado com Rana (que faz a sua esposa também na peça) e juntos eles tem que enfrentar essa adversidade que o acaso lhes prega e como na peça dentro do filme, Emad vai sofrendo ao tentar resolver uma situação extrema em relação a sua mulher Rana.

Ao mesmo tempo que eles tentam evitar as más energias deixadas em seu caminho, como vamos vendo durante o filme, Emad vai atrás do causador do grande problema e sofre também com isso.

Asghar Farhadi, agora e já um mestre dos suspense, joga na nossa cara, sutilmente na maioria das cenas, o quanto a nossa força de vontade é menor do que um sentimento ruim como a raiva ou a vingança. Um drama acaba virando um suspense quase hitchcockiano e como nos filmes do mestre, a história nem sempre termina como esperávamos, o que pode ser bom por um lado e me deixou com o coração na boca de nervoso.

O filme é indicado ao Oscar de melhor filme de língua não inglesa e ao que parece Farhadi não vai à cerimônia por causa da sanção do Trump aos imigrantes de países como a Irã.

E só pra constar, o filme ganhou os prêmios de melhor roteiro e melhor ator (Shahab Hosseini) no Festival de Cannes de 2016.

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