49/365 MULHERES DO SÉCULO 20

Dessa leva de filmes bons indicados aos principais prêmios americanos, Mulheres do Século 20 talvez seja a grande surpresa.

O filme é pequenininho, indie e com um dos melhores elencos da temporada capitaneado pela diva das divas Anette Bening, que não por menos está indicada ao Oscar (aliás, eu sempre torço por ela e esse ano não vai ser diferente).

O filme conta a história de uma viúva meio que falida em 1979, que mora numa cidadezinha da California com seu filho de 15 anos em uma casa bem deteriorada, assim como sua vida.

Por isso ela aluga um quarto para a fotógrafa punk Greta Gerwig e outro para o faz tudo Billy Crudup que em troca do aluguel reforma a casa.

O filho vive uma adolescência bem boa em meio à essas pessoas interessantes em sua casa e tem uma vizinha um pouco mais velha, vivida pela cada vez melhor Elle Faning, que vai toda noite às escondidas dormir com ele e aproveita para falar com o menino sobre sexo. E sim, eles só dormem juntos mesmo, como ela faz questão de deixar claro.

A mãe Anette é uma mulher que parece ter sido hippie anos antes, tal sua filosofia de conduzir a vida e como lida com os outros a seu redor.

Ela tenta aprender sobre os punks que estão aparecendo, tenta ensinar a seu filho sobre como lidar com as mulheres de uma forma feminista e educada, acha que seu carro velho estava ótimo até que ele pega fogo do nada, a típica hippie tudo vai bem em tempos de revolução de costumes bem relevante, como hoje já sabemos.

A personagem do menino de 15 anos em meio a tantas mulheres fortes é o ponto catalisador do filme: e mãe quer dar a ele a melhor educação e liberdade possível, a punk quer mostrar pra ele o que é música nova boa, a amiga quer ensinar sobre sexo, o homem que tenta ser o seu modelo masculino. E ele se sai como pode, crescendo, aprendendo e mostrando sua própria personalidade.

Dirigido por Mike Mills, eu comparo Mulheres do Século 20 a outro indie maravilhoso da temporada, Moonlight: ambos demoraram mais de 6 anos para sair do papel e por isso as concessões não existem.

Edição precisa, cortes atemporais, direção de ator que é uma aula, personagens muito bem construídos, tudo que um filme bom tem e mais ainda.

Em uma das cenas mais legais do filme, a personagem punkzinha precisa ir ao médico e o menino a acompanha por apoio moral. Ela em agradecimento grava para ele uma mixtape (de verdade, em fita cassete) com músicas que como ela mesma diz “se eu tivesse ouvido isso quando era adolescente, talvez tivesse sido uma pessoa melhor”. Quando ele coloca a fita pra tocar, a primeira música que rola é Cheree do Suicide. Quase chorei.

Só pra terminar, a trilha do filme é um absurdo. Além deles usarem muita camiseta de banda da época, toca de Talking Heads a Black Flag, coroando com um Bowie num clube punk que nesse momento eu sim , chorei.

Imperdível.

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