41/365 EU, DANIEL BLAKE

Não sei nem por onde começar os elogios a esse filme.

Obviamente foi o vencedor do Festival de Cannes de 2016, levando a Palma de Ouro mais que merecidamente. E não é a primeira Palma do diretor Ken Loach: ganhou q0 anos depois da primeira em 2006, o que fez dele o nono diretor a receber essa honra duas vezes.

Daniel Blake é um inglês com os seus 60 e tantos anos que, depois de um ataque do coração, parte em uma descida ao inferno da burocracia inglesa para receber sua aposentadoria. Num dia de visita a uma das repartições, encontra uma mãe solteira com 2 filhos pequenos passando por situações parecidas e eles, solidarizados, enfrentam o périplo juntos, como que enfrentando dragões dos tempos atuais e caindo a seus pés.

O filme poderia se passar facilmente no Brasil ou em qualquer lugar de um mundo de hoje tão cagado e fudido. E isso é o que chamamos de uma obra de arte, quando você conta uma história da sua vilazinha e ela é absolutamente entendida no mundo todo.

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E o inglês Ken Loach é um dos melhores e mais pertinentes diretores em atividade. O cara joga na nossa cara a palhaçada que nos envolve politicamente, nos mostra como estamos enterrados em merda até o pescoço e como a gente não faz nada ou melhor, não consegue fazer nada e acabamos morrendo na praia.

Se você achou que Manchester À Beira Mar é triste ou, como eu, se achou que Loving é o mais triste do ano, assista esse Eu, Daniel Blake e veja o que é triste de verdade, o quanto a realidade está batendo à nossa porta e muitas vezes a gente não se dá conta disso.

Que filme! Que direção! Que elenco!

O filme é um drama mas na minha opinião, é um filme de terror onde o monstro é a própria vida.

Imagina o desespero de um cara de 70 anos de idade sem poder trabalhar e sem receber aposentadoria porque o sistema é uma merda e ele não consegue resolver seu problema de uma forma óbvia?

Assista por favor Eu, Daniel Blake e pense em Brasília, na fila do Detran, na greve da PM, no caos instalado no Espírito Santo, no lixo que são o prefeito e o governador de São Paulo, nas listas de propinas, na Lava Jato e veja o quanto o sr. Blake somos todos nós.

Filme do ano.

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