10/365 ELLE

Elle é O filme do momento.

Na verdade, tem sido o filme do momento desde sua primeira exibição em Cannes ano passado. Quando eu li que em competição estaria um filme dirigido pelo Paul Verhoeven, estrelado pela Isabelle Huppert sobre estupro com uma puta cena polêmica, achei que seria o filme do ano.

Qual não foi minha decepção quando assisti a primeira vez, depois de ficar todo dia procurando um torrentzinho pra ver a obra.

Tudo o que todo mundo elogia no filme é o que me decepcionou.

Na sinopse, uma mulher é estuprada e acaba tendo uma relação estranha com o fato, primeiro não denunciando o caso e depois procurando seu algoz para resolver o problema de uma forma não ortodoxa. Ok, gostei, interessante, parece. Uma mulher fodona que resolve se vingar com as próprias mãos, foi o que eu supus.

Ao ver o filme, o roteiro mostra que na verdade não é bem isso. A relação dessa mulher com o homem que a violentou é bem peculiar. Ela suspeita de uns homens e tenta descobrir quem é o tal do cara, ao mesmo tempo que recebe ameaças, que tentam fazer bullying com ela e ela lida com isso tudo, de novo, da forma mais peculiar possível. Vingança, paciência, escolhas, ironia, poder feminino.

Isso me desconcertou um pouco. Não acredito em uma mulher que seja pragmática o suficiente pra resolver uma situação tão extrema como um estupro de uma forma tão tranquila. Claro que você pode estar pensando: ah, mas existem mulheres assim, não podemos generalizar em nada. Eu sei que existem, mas eu infelizmente não consigo acreditar nisso. E daí o filme acabou virando meio que uma piada pra mim.

A personagem de Isabelle é uma executiva super bem sucedida, mora numa puta casa, tem uma empresa de video games famosa, amigos, família, um filho doidão, mas é meio estranha, meio irônica, meio calculista ao ponto mostrado no filme. A força da mulher podendo escolher o que fazer com seu corpo mesmo em situações limites com um estupro diz muito do filme mas esse não é um problema e sim uma das poucas  coisas do filme sendo a outra coisa boa o ator principal, Laurent Lafitte.

Mulheres que já viram o filme me ajudem, tô muito errado em pensar assim?

Não sou de dar spoilers e não vai ser aqui eu vou começar a ser, mas há momentos no filme que eu achei tão forçados na relação dela com o estupro (e com o estuprador, pra falar a verdade) que eu achei que no meio do filme o diretor resolveu mudar a história pra que ela fosse mais surreal talvez e aí foi.

História meia boca, direção meia boca, personagem besta com cara de quem tá bêbada o filme todo, não rolou pra mim mesmo. E só pra deixar claro, tudo isso que acho de Elle é o que uma grande parcela da crítica elogia no filme.

Talvez o filme seja uma bosta (como eu também acho) para o juri de um festival como Cannes, onde entrou como o grande filme em competição e saiu sem prêmio algum, mas seja um grande filme para o mercado americano quando ganhou domingo passado o prêmio de melhor filme de língua não inglesa no Globo De Ouro e Isabelle Huppert ganhou o prêmio de melhor atriz. (achei o máximo ela ganhar melhor atriz, merecidíssimo desde vários anos, mas não por esse filme). E com esses prêmios, agora é um grande candidatos ao Oscar. Aguardemos.

Pra não dizer que sou tão chato, logo vou falar de outros 2 filmes absurdamente bons com La Huppert.

E Paul, apenas melhore.

 

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2 pensamentos sobre “10/365 ELLE

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