6/365 Loving

Loving é muito provavelmente o filme mais triste que eu vi nos últimos anos. Pra ser sincero nem me lembro quando foi a última vez que eu vi um filme tão triste. E eu não derramei uma singela lágrima ao assistir essa obra prima (pensando agora, isso tenha se dado porque eu entrei tanto na tristeza do filme, que foi a história de amor de Richard e da Magrela que eu não tive tempo pra chorar).

O filme se passa em 1958 no interior dos EUA e é baseado numa história real de um casal, ele branco e ela negra numa época que era crime estadual e federal casamentos interraciais.

Richard e Mildred fazem o que podem e o que não podem para ficarem juntos e isso inclui serem presos, um não poder pagar a fiança do outro, não poderem serem vistos juntos na cidade que moram, terem que ir pra outro estado americano para se casarem, terem que sair de sua casa por 25 anos depois de casados para não serem presos porque onde morar é proibido casamento como o deles.

E isso é só pra começar. Vai longe. E, de novo, o filme é baseado numa história real.

Agora imagine tudo isso com um roteiro impecável, flawless, escrito e também dirigido pelo também impecável Jeff Nichols, o cara que é meu herói americano, diretor dos ótimos O Abrigo e Destino Especial.

Nichols é um desses caras que sabem do seu ofício: ele sabe dirigir, sabe decupar, sabe o que fazer com os atores, sabe criar clima, sabe contar história e por essas e outras faz com que o casal principal de atores de Loving sejam a melhor coisa que vi ultimamente, dignos de todos os prêmios que não vão ganhar, provavelmente.

Ruth Negga, a Mildred, já tinha conquistado meu coração na primeira temporada da série Preacher mas nesse filme, ah meus amigos, nesse filme ela é a mãe, a esposa, a mãe, a filha, a irmã mais forte e mais calada da história do cinema.

Mas calma, esqueça da Cellie da Whoopi Goldberg da Cor Púrpura, não é aquela calada submissa com medo de apanhar do marido doidão. Mildred é a calada que prefere ficar quieta pra não arrumar mais confusão. Ela ama Richard e ama seus filhos e não suportaria qualquer separação que fosse. E por isso sofre.

E o mesmo acontece com o Richard do meu outro preferido Joel Edgerton: demorou mas chegou o papel da vida desse cara. Richard é forte, apaixonado, não sorri o filme inteiro, desconfiado, triste, apreensivo e também desesperado pela família e tenta de qualquer maneira não perdê-los.

Que casal!

Nichols faz o que quer no filme. Todos os seus planos parecem pinturas, sempre lindos e pertinentes. O casal principal do filme está sempre contando histórias com seus silêncios, seus meneios, suas sutilezas. Viver um amor numa época e num lugar proibidos e ter sempre que olhar pra trás ou ficar com medo de um barulho qualquer ou estranhar um carro que está indo muito rápido em sua direção é o cúmulo do sofrimento. E Nichols nos mostra que não importa o quanto a gente deve e merece e se esforça até pra sofrer pelo nosso amor verdadeiro.

Loving não é só uma lição de cinema, é um tapa na cara da sociedade líquida que descarta o amor, a amizade, a conversa na primeira provação que aparece.

Confirmando: Loving é o filme mais triste dos últimos anos para contar a história de amor mais linda dos últimos anos.

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