4/365 O ORNITÓLOGO

Lá pelos idos dos anos 80’s e 90’s existia um nicho de filmes que chamávamos de filmes cult que eram os filmes de arte, os filmes mais indigestos, estranhos, vindos de lugares diferentes. E não eram os filmes europeus, que era outro nicho, nem os indies americanos, um também nicho diferente.

Os cults eram os filmes que geralmente tinham gente pelada, sexo, drogas, gente estranha, sem um roteiro “normal” e sem nada muito normal, pra ser sincero.

O Ornitólogo cai como uma luva no nicho de filmes cult e isso é um baita de um elogio.

Filme português de um diretor excepcionalmente peculiar, João Pedro Rodrigues que já nos brindou com o inesquecível O Fantasma de 2000, O Ornitólogo conta a história de Fernando, o ornitólogo do título, atrás de cegonhas negras quando é tragado por uma correnteza em seu caiaque e tem sua vida virada de cabeça para baixo ou melhor dizendo, sua história parece que começou a ser contada por um autor muito imaginativo e iconoclasta.

Fernando é salvo por 2 chinesas que ao fazerem o Caminho de São Thiago de Compostela se perdem e acabam nessa floresta portuguesa. Super religiosas, eles entendem que Fernando é um pecador e precisa ser castrado.

Depois Fernando encontra um pastor surdo (e mudo) que se chama Jesus com quem faz sexo numa praia linda do rio por onde ele tenta achar seu caminho para sua vida.

Logo depois descobre que ele não é mais Fernando e sim Antonio quando cura o irmão gêmeo de Jesus fechando a mesma ferida que matou Jesus (o da Bíblia, no caso).

Um detalhe: Fernando era o nome de Santo Antonio antes dele virar santo e abdicar de sua vida terrena e foi conhecido por curar surdez, feridas e trazer pessoas de volta à vida. Ah, e Santo Antonio acabou sua vida em Pádua na Itália, e o nosso Fernando acaba chegando no vilarejo de Pádua no filme.

Por mais bizarra ou besta que essa história pareça, o filme é lindo, quase uma experiência religiosa. Super bem fotografado, estrelado pelo francês Paul Hamy que por acaso não fala português e é dublado no filme mas é como se ele nem precisasse falar. Fernando vai passando por provações durante o filme para finalmente alcançar a “santidade” final no melhor estilo artsy-europeu-lynchiano.

Um dos grandes filmes do ano.

Palmas para o diretor Rodrigues e que ele não demore tanto a nos brindar com outra pérola como esta.

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