O quase romance de “Carol” e o show de Cate e Rooney.

Todo mundo falando horrores de bem de “Carol” e eu quase concordo.

No filme, as maravilhosas Cate Blanchett e Rooney Mara vivem um romance numa NY nos ainda conservadores anos 1950’s.

Cate é uma mulher rica, com uma filha de seus 8 anos de idade e um marido que a ama e sabe de suas preferências sexuais e mesmo assim insiste para que fiquem juntos até que não aguenta mais o que vê e entra com uma briga feia pelo divórcio.

Rooney trabalha em uma loja de departamentos e se encanta com a mulher linda e rica que vai comprar um presente de Natal para sua filha e a convida para almoçar.

O ritmo do filme é lindo, mais devagar que o normal, meio japonês até.

A luz do filme é deslumbrante. Parece que quase todo o dinheiro foi gasto em direção de arte, figurino e principalmente com a luz que com certeza leva pelo menos uma indicação ao Oscar ao ótimo Edward Lachman.

Rooney Mara levou o prêmio de melhor atriz em Cannes e com certeza vai ser indicada pra um monte de mais prêmios nos EUA, assim como Cate que mais uma vez dá uma aula de boa atuação.

A química das duas atrizes é impressionante. A menina quase inocente de Rooney é o contraponto ideal à mulher madura e (quase) bem resolvida de Blanchett, que, claro, tem mais problemas do que a gente percebe logo de cara.

Climas e mais climas são criados entre as 2.

Histórias começam e terminam.

Rooney como fotógrafa amadora enxerga tudo por um ângulo novo enquanto Cate sabe quando quer ou não ser fotografada, o que acaba servindo como a metáfora óbvio e precisa da “Carol”.

Baseado em um romance de Patricia Highsmith, o filme é quase lindo, quase romântico, quase um monte de coisas e por isso mesmo magistral graças ao diretor Todd Haynes, o cara que só dirigiu “Velvet Goldmine”, “Far From Heaven” (onde a Julianne Moore fazia uma lésbica no  armário nos anos 50) e o fudido  “I’not There” onde trabalhou pela primeira vez com Cate Blanchett como a única mulher a ser Bob Dylan nessa obra de arte.

Haynes talvez seja o diretor mais sexual do cinema americano e por isso mesmo quase underground, bem indie mas que só faz filme bom. “Carol” demorou 14 anos pra sair do papel e ganhar as telas e só espero que todos os louros que o filme vem recebendo sejam revertidos em mais e mais filmes desse cara que é um dos meus ídolos.

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