Eu sou Cait.

Eu tenho cada vez mais certeza que existem pessoas nessa vida que servem de “escada” pra outras.

“Escada” é o termo usado pra ator coadjuvante que prepara a piada que o ator principal vai fazer. Numa outra explicação tosca é o levantador de um time de volley que joga a bola certinha na mão do cara que vai cortar.

Tendo isso em mente, acho que descobri a função da Kim Kardashian e de todo seu “legado” midiático: ela é a escada da Caitlyn Jenner.

Domingo agora estreou no E! o reality show “I Am Cait” onde o padrasto da Kim se apresenta como a mulher que sempre quis ser (em suas próprias palavras) Caitlyn Jenner.

Uns bons meses atrás o ainda Bruce Jenner deu uma entrevista bem boa a Barbara Walters contando finalmente que estava sim transicionando para mulher. Essa entrevista foi a última aparição do ex-campeão olímpico apareceu na televisão.

Tempos depois Caitlyn apareceu em imagens de uma sessão de fotos para a capa da Vanity Fair e o auê foi grande. Tão grande que no mesmo dia ela entrou no twitter e bateu o recorde do Obama conseguindo 1 milhão de seguidores em menos de 5 horas.

E pior ainda: o casal Kim e Kanye anunciou que esperavam o segundo filho e a notícia passou quase desapercebida.

Assisti o primeiro episódio de “I Am Cait” com os 2 pés atrás, achando que seria mais um spin off dos Kardashians e pra minha felicidade me enganei redondamente. Caitlyn mostra a que veio, fala sobre assuntos relevantes hoje em dia para as pessoas trans, fala de homofobia, transfobia, amor, aceitação, vai visitar a família de uma trans de 14 anos que se suicidou e solta balões em sua homenagem.

Claro que tudo é bem dirigido, bem editado.

Sua mãe e suas irmãs a visitam pela primeira vez e a emoção aflora e a gente vê isso.

Suas filhas a visitam pela primeira vez e se emocionam e ficam “chocadas” com o corpo de Cait e com o cabelo e como ela é bem vestida, claro.

Mas os problemas mostrados na série são infinitamente mais relevantes e menos vazios que os das Kardashian. Quando Kim olha o closet de Cait e fala de roupas feias é um átimo de cena que quase passa despercebida mas que na verdade eu acho que é pra mostrar o quanto lá é isso e aqui não é.

Vou continuar assistindo os próximos episódios pra ver se eu não me equivoquei nesse texto mas duvido que as coisas mudem.

Um atleta olímpico, símbolo do macho americano, pai de um monte de filhos de vários casamentos contar pra mãe de 80 anos de idade que desde sempre quis ser  mulher e só agora no ocaso de sua vida é que conseguiu, é lindo e profundo demais.

Afinal, obrigado Kim Kardashian e sua sex tape, e seus escândalos toscos, e sua vidinha mais tosca ainda por colocar em foco essa grande mulher que é Caitlyn.

Recomendo.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: