“Louie” inventa o surrealismo cômico na tv americana.

Faz um tempo que venho querendo falar do “Louie”, o ótimo seriado do comediante americano Louis CK.
O treco é a história em princípio autobiográfica da vida monótona e pacata do comediante onde ele vive o pai com a guarda compartilhada das filhas durante o dia e os stand ups que ele faz a noite num clubinho de NY.
O legal do seriado é que tem uma vibe meio “Seinfeld” de falar do nada, mas é menos engraçadão, menos de gargalhar.
Com essa nova temporada eu vinha sentindo algo diferente no ar e não sabia o que era.
Primeiro, semana passada, teve o episódio dele ser paquerado por uma garçonete do clube que ele trabalha e ela ser gorda e ao final do episódio ela dá uma esculachada nele por esse motivo mesmo, dela ser gorda e ele também ser, só que ela é fragilizada e homem tem vergonha de andar na rua de mãos dadas com uma gorda e tal.
Foi bacana, foi polêmico, foi um tapa na cara da sociedade mas no episódio seguinte, cadê a gorda?
Sumiu.
Tipo, o que poderia ter sido genial, ele namorar a gorda bacana, foi uma apropriação ridícula da situação pra fazer piada e discursinho e tudo mais. Foi um balde de água fria, fiquei decepcionado.
Olha o potencial disso:

Até que nos próximos episódios a filha mais nova dele começa a dar uma pirada e ele e a ex se preocupam, principalmente com um evento que eu achei sensacional: a filha acordada, acha que ainda está sonhando, então ela larga da mão do Louis no metrô e ele embarca no trem e ela fica pra trás. Ele pira pelo metrô de NY com a outra filha, tentando chegar de volta a estação e lá está a filha esperando, ele doido, dá uma comida nela dizendo da irresponsabilidade, do perigo dela ficar sozinha e ela vira pra ele, fofa, do alto dos seus sei lá 6 anos de idade e fala: tá tudo bem papai, isso é o meu sonho, no final tudo dá certo.
Esse pra mim, depois do episódio que acabei de ver, a virada de mesa de LOUIS: o cara pirou no melhor dos sentidos e tá aos poucos transformando o seriado numa coisa surrealista.
No episódio de hoje ele fala que Cuba não existe mais, ele grita na janela no meio de uma sessão de terapia e ninguém percebe, ele coloca outros atores pra viverem uma situação dele com a ex, tá tudo muito doido.
Tomara que ele continue nessa onda porque seria, ou será, uma revolução onde um seriado cômico vira uma coisa bizarra.
E um conselho, Louis CK, chama o David Lynch pra dirigir o episódio final dessa temporada. Vai ser Emmy na certa.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s