David O. Russell é Deus.

Impressionante como eu sou chato e reticente e pé atrás.
Curto demais esse cara, o David O. Russell, diretor americano de algumas pérolas como “3 Reis”, “O Lutador”.
spanking
O primeiro filme que vi dele foi num Mostra, “Spanking The Monkey” ou numa tradução livre, “Descabelando o Palhaço”. Fui pelo título e saí de perna bamba depois de ver um filme sobre um moleque que digamos, se anima muito com a própria mão e resolve as coisas ele mesmo. Fiz até um curta uma vez pensando nesse filme que se chama “…E A Minha Mãe Também”.
Os outros 2 filmes que citei são obras primas, com elenco perfeito, direção incrível, fotografia belíssima e um dos melhores acertos entre diretor e diretor de fotografia do cinema americano. Melhor dizendo, David é um diretor que sabe o que quer e como quer em relação a fotografia e movimento de câmera. Ele deve ser o tipo de cara que decupa o filme mesmo, pensa em cenas e sequências e nos brinda com delícias cinematográficas em seus filmes.
O problema dele é que ele é um dos diretores que faz um filme bom e o próximo ruim, ele sempre pula um.
Veja a lista:
Silver Linings Playbook (péssimo)
The Fighter (ótimo)
I Heart Huckabees (péssimo)
Three Kings (ótimo)
Flirting with Disaster (péssimo)
Spanking the Monkey (ótimo)
Esse seu novo filme “Trapaça” era uma dúvida pra mim. Muita gente falando que era o melhor filme do ano, quase todo mundo mesmo. Ele em todas as mesas de debate de diretores nas prévias do Oscar. Eu doido pra ver o filme mas o elenco me deixava de pé atrás, muita gente boa, mas tinha o Jeremy Renner e o Bradley Cooper (que eu curtia mas que virou um atorzinho meia boca não sei como).
americanhustle
Até que ontem a noite eu vi o filme e ainda tô embasbacado com o que apareceu na minha frente.
Nem sei por onde começar, mas vamos de roteiro.
Um primor!
Roteiro original dele, história de um bando de enroladores em New Jersey, nos anos 70, um tentando dar o golpe no outro e a teia vai se alastrando.
A direção de arte do filme, reconstituição de época é muito boa. Parece que foi filmado mesmo nos anos 70, mas com um diretor que voltou no tempo, de 2013, e com isso filma como gente grande hoje em dia.
O que David faz com a câmera ninguém mais faz hoje em dia (com raríssimas exceções como Darren Aronofsky em “Cisne Negro”). De novo, David e seu fotógrafo trabalham numa sintonia de dar inveja.
Movimentos de câmera absurdos mas que não aparecem mais que a história, como muito diretor faz por aí.
A câmera ajudando na narrativa, não a forma sobre o conteúdo.
Já o elenco é um caso a parte.
O cara colocou no mesmo filme e com a mesma importância atores do calibre de Christian Bale, Jennifer Lawrence, Amy Adams, além dos citados Renner e Cooper que arrasam nesse filme.
E pra criar cada personagem, David não se faz de rogado e usa o tanto de maquiagem e prostéticos quanto pode, seja em perucas, pinturas, dentes falsos, decotes de roupa, tudo para criar personagens que não muito frequentemente vimos em filmes americanos.
Na terceira frase do personagem você já entende toda a história do cara, de onde vem, pra onde vai, mostrando a profundidade na construção e na direção de ator.
O elenco de apoio também é dos melhores começando com Robert De Niro e indo até Louis C.K. e Alessandro Nivola irreconhecível.
E a trilha? Danny Elfman criou uma colcha musical de primeira, só com clássicos da época ajudando a contar a história onde a música serve quase que como uma legenda adicional aos fatos.
Só digo que tudo o que falam de bem do filme é verdade.
Não me espantaria se o cara saísse do Oscar esse ano com as mãos cheias.
E vou torcer pra isso.

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