“Cisne Negro”, O filme. (Post vintage/2011)

Nem sei por onde começar a falar sobre “Cisne Negro”.
Talvez comece mesmo dizendo que tudo o que falam de bem do filme é verdade.
Cisne Negro
Natalie Portman vem ganhando todos os prêmios de melhor atriz por sua atuação como Nina, uma bailarina de boa técnica péssima emoção, por ela mesma ser uma mulher/menina castrada pela mãe, virgem aos 20 e tantos anos e que não relaxa, ou nem tem como relaxar.
Darren Aronofsky, o grande diretor que diz ter tido a ideia do filme lendo Dostoievski, só confirma pra mim sua genialidade, já visível pra mim quando assisti em 1999 “Pi”, seu primeiro filme alucinado sobre um matemático judeu numa NY em PB.
Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbra Hershey, Wynona Ryder, os coadjuvantes que acabam com a vida de Nina, são uma delícia de assistir, cada um com suas vontades e agendas.
O filme começa quando Nina e o resto de sua companhia estão nos últimos dias de tensão antes que o coreógrafo/artista (Cassel) anuncie quem será a próxima prima-bailarina que viverá os cisnes branco e preto no “Lago dos Cisnes”, no lugar da última diva (Wynona) que já passou da idade. Nina tenta e tenta e tenta o papel principal ao que sempre ouve que lhe falta emoção, apesar de sua técnica perfeita até que o coreógrafo começa a provocá-la de formas não ortodoxas e vai aos poucos fazendo com que a menina/mulher desabroche.
Sua mãe (Barbra) ao mesmo tempo que lhe ajuda, tem medo que a filha descubra o mundo e também tem medo que a filha a supere, por ela mesmo ter sido uma bailarina só do coro.
Essa história de superação, de desafio, de conflitos internos, de conflitos com outras bailarinas, é toda contada num clima de terror. O filme me lembrou muito “O Bebê de Rosemary”, num clima de opressão, tensão e principalmente pelo fato de Nina, quem é uma coitadinha, se deixa levar por todos a sua volta, na esperança de que os “conselhos” que recebe a ajudem a se tornar a nova diva.
O filme com certeza teve como inspiração o ótimo “Os Sapatinhos Vermelhos” que já falei aqui antes, e como naquele, este “Cisne Negro” é menos sobre balé e mais sobre a autodescoberta, sobre o horror de perceber que você não sabe nada sobre o mundo a sua volta.
Venho lendo em jornais matérias com bailarinas profissionais dando opinião sobre o roteiro, sobre o filme em si, e nada mais besta que isso, tentar provar veracidade de uma obra de arte. Por que o Estadão não pede pra um sequestrador falar sobre isso em algum lançamento de filme com esse tema? Ou tentar falar com um cara do Taleban sobre a veracidade dos ataques a NY? Bobagem! O balé O Lago dos Cisnes não é nada mais do que uma desculpa pra o roteiro falar sobre uma menina pura, casta e ingênua (o cisne branco) se transformando numa mulher sexy, forte, perigosa (o cisne negro) através de influências alheias a sua vontade.
No início do filme Nina, a personagem principal, me irritava profundamente exatamente por ela ser tão bobinha e perdida e manipulável como estava sendo por todos. Mas à medida que ela vai se transformando, ganhando corpo, ganhando personalidade que não só a da boazinha, o negócio mudou. Pra muito melhor. Uma frase que sintetiza o filme é quando o coreógrafo diz a Nina “a única coisa que está em seu caminho para a perfeição é você mesma”, dizendo que a nóia da personagem com perseguição, com medo, pode ser coisa da cabeça dela e só.
Li que o filme é bem simplista, mas também discordo. O que acho é que não é tão sutil quanto poderia ser. A direção de arte joga muito na nossa cara o que está acontecendo com a história, o que na verdade até que é bom, pra confirmar tudo o que estamos vendo acontecer. E algumas sequências são tão boas que eu imagino um outro filme inteiro a partir de algumas delas, como por exemplo, a hora que Nina sai para uns drinques com sua antagonista (a personagem de Mila Kunis) sexy e segura de si. Elas começam em um bar, bebem, paqueram, tomam ecstasy, dançam, se beijam num taxi, até que Nina chega em casa e briga de vez com a mãe castradora. Mas ao mesmo tempo que essa noitada tenha sido libertadora pra Nina, ela descobre no outro dia que as intenções da outra bailarina nunca foram as melhores.
O final do filme é memorável, há tempos não via algo tão bacana e corajoso.
Aronofsky demorou anos pra conseguir realizar “Cisne Negro” e com certeza a espera valeu a pena. Tecnicamente o filme é um absurdo, desde a direção de arte que já citei, até a direção de fotografia de Matthew Libattique, seu colaborador desde “Pi”, com a câmera sempre em cima literalmente de Nina, quase como sua sombra ou sua aura ou um diabinho sobre seu ombro, dando uma sensação de que está sendo feito um documentário sobre a vida dessa bailarina, com a câmera tão presente o tempo todo, e sempre só nela, diferente do approach os outros personagens.
Veja no cinema, compre o Dvd e o Blu Ray quando for lançado, torça pra que o filme seja premiado no Oscar e esperemos o novo de Aronofsky, o filme do Wolverine.

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