“Caligula Reincarnated as Hitler” (post vintage/2008)

Cada dia agradeço mais a internet por um monte de coisas, desde conseguir trabalhos através de emails ou sites com coisas minhas e gente que vê e gosta e me chama, até conseguir músicas que demorariam séculos pra chegar por aqui. Mas o que mais tenho agradecido mesmo é pelos filmes que tenho conseguido baixar, pérolas perdidas e esquecidas, filmes que nunca passaram por aqui e se passaram, alguns, eu não tinha idade suficiente pra ver ou pior, nem sabia que passaram na época.
Mas o bom mesmo são os filmes perdidos, que não passaram por aqui, que a gente fica sabendo lendo em sites (como o paginadois mesmo), em blogs ou em listas, que aliás, proliferam cada vez mais pela net e me irritam absurdamente, porqeu cada vez mais são mais bestas as tais das listas, injustificadas mesmo.
Um filme que encontrei por acaso na minha bíblia, o imdb.com foi num dia que procurava informações sobre uma refilmagem de Calígula, que estavam tentado fazer, com elenco estrelado, mas que só fizeram ainda um trailer para tentar conseguir financiamento. Digitando Calígula na busca do site, me deparei com um título que eu achei no mínimo peculiar: “Caligula Reincarnated as Hitler”!

Sim sim, o imperador romano doido reincarnado como o ditador alemão doido! Dali não poderia sair coisa boa! Ou melhor, com um título desses, só poderia sair coisa boa!
Fui atrás e descobri que era um filme italiano de 1977, cujo titulo original, para a minha frustração, era “A Última Orgia do III Reich”. O nome “Calígula…” era o titulo internacional do filme. Como não sou italiano, prefiro o que deveria ter vindo pra cá.
O filme é um absurdo de bizarrices e baixarias e perversões e sexo absurdo e crueldades. E é um grande filme. Muito bem filmado, com ângulos super ousados para cenas também bem ousadas, o filme é uma pequena aula de onde colocar a câmera na hora de contar uma história.
Mas o que me impressionou mesmo no filme, alem de toda a bizarrice, foi o elenco: acertaram na mosca ao escolher, seja pelo physique-du-role, seja pela interpretação propriamente dita, seja pela direção de ator, o filme ganha muitos pontos, mas muitos mesmo, com o elenco principal, o oficial nazista comandante e sua namorada prisioneira judia.
A história não poderia ser mais absurda: um campo de concentração nazista só com mulheres prisioneiras que serve como um bordel, um lugar para os soldados se divertirem com as prisioneiras; mas com uma condição, que eles não façam amor com as mulheres, que judiem delas (judias, aliás, termo que veio daí mesmo, dos sofrimentos judeus).
Quanto mais as mulheres sofrem, mais os homens gostam e se divertem. E não são apenas brincadeiras sexuais bizarras, mas ainda tem nesse campo o medico doido que faz experiências genéticas, como costurar duas mulheres pelas costas uma da outra, ou prender mãe e filha numa cruz invertida porque elas se recusaram a participar das orgias.
É claro que o filme é uma grande critica ao nazi-fascismo, ao poder, à escravidão e tudo mais, bem anos 70, com personagens por vezes estereotipados demais, quase caricaturais, mas não muito diferente do que esperaríamos de um oficial nazista que se diverte colocando uma prisioneira judia num tanque cheio de ratos famintos!

Mas o que me impressionou mais ainda no filme foi a história de amor do oficial nazista e sua prisioneira judia insensível: ele escolhe a mais linda das prisioneiras e começa com ela um jogo de poder e sedução para se divertir usando de seu alto cargo e poder com a loira vinda do interior. Só que a menina é fria, não se deixa abalar por nada que ele faz com ela, e quanto mais ele faz com ela, menos ela expressa qualquer emoção. Em certo momento a gente descobre o porquê dela ser tão fria e insensível e, claro, a gente passa a torcer por ela. Mas, o pior de tudo mesmo, é quando eu comecei a torcer pelo “amor” dos dois. No meio de todo o lixo e de toda podridão, nasceu uma coisa estranha que eles chamaram de amor, acreditem.
O final do filme é “wow”, nada careta e nada moralista, muito pelo contrário, o que me fez gostar mais ainda.
Um filme ousado e surpreendente, diferente de tudo o que nós temos visto nos cinemas ultimamente.
De novo, graças à internet!

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