“Onde os Fracos Não Têm Vez”, a porrada.

Sempre que vou ver um filme com a assinatura dos irmãos Coen espero ser arrancado da cadeira do cinema, se não pela comédia, pelo drama, pelos roteiros brilhantes, pelas atuações de primeira devido à direção impecável de ator que vem das mãos desses caras.
Mas em seu novo filme, “Onde os Fracos Não Têm Vez”, eu não fui arrancado da cadeira como sempre acontece mas sim, já nos primeiros minutos de filme, ia me afundando de medo e mais medo cada vez que Javier Barden aparecia em cena. Lembra do Hannibal Lecter ou do Leatherface ou do Jason? Apareceu em cena, você já sabe que vem porrada.
Uma pausa rápida, eu acho o Barden um ator bem meia boca, que acabou sendo alçado a tudo que ele é hoje por hype e dinheiro espanhol, mas que agora, depois de vê-lo nesse filme, agradeço esse auê em torno dele.
Voltando, Barden é um assassino, daqueles piores de todos que a gente vê no cinema e lê em manchetes toscas de jornais, o cara que não perdoa nada, que mata e sai pronto pra outra e vai atrás do que quer, e tortura e pronto. Nesse início de filme, os diretores já mostram, escancaram, quem é esse cara, não guardam nada pra depois, o que é um “truque” genial, porque eles acabam criando exatamente esse efeito na platéia, o de “a gente já sabe o que vem pela frente e já sofrer por antecipação”.
A história do fllme é de uma mala com 2 milhões de dólares que é achada por um cara no meio de uma chacina que deu errado (ou certo, na verdade). Só que a mala devia ir parar nas mãos do personagem de Barden. Ele fica doido e vai atrás do dinheiro, seguindo o rastro do coitado que o roubou e deixando outro rastro, só que de sangue, atrás dele.
No meio do caminho, Tommy Lee Jones é o xerife da cidadezinha do meio do nada no Texas encarregado de ver o que está acontecendo. Ele mais parece um monge budista, cheia de filosofismos e calma e paciência, só que sempre um passo atrás do outro que também está um passo atrás do dinheiro.
O filme acaba sendo uma passarela para as atuações brilhantes de todo o elenco, que tem na trinca principal ainda a surpresa de Josh Brolin, um cara que está conquistando seu espaço como o novo estranho do cinema americano, que a gente nunca sabe se ele é bonzinho ou não.
Uma coisa a se prestar atenção no filme é a trilha sonora, ou na verdade a quase inexistência de trilha. Uma vez Hitchcock disse que o gênio não é saber onde e quando colocar música num filme, mas sim onde e quando não colocar. Desta vez, em “Onde os Fracos…”, Carter Burwell, o “trilherio”, soube não atrapalhar a narrativa e deixar os silêncios nos lugares mais apropriados possíveis, palmas pra ele!
É ter sangue frio, nervos de aço e respirar fundo pra uma experiência única com esse novo Coen.
Que venha o próximo.

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