O CÉU DE SUELY (post vintage)

O grande filme brasileiro do ano, o filme que todos falam e que todos que viram amam, é na verdade um filme quase iraniano de chato. O Céu de Suely, do Karin Ainouz, é um filme bonito, bacaninha, mas pretensioso demais. Eu pensei no hora bastante no Abril Despedaçado do Walter Salles, o filme nacional mais chato dos últimos 30 anos. E acho que o Walter , por ser produtor do Céu, acaba tendo uma influência sobre o projeto, obviamente. Fora que o próprio Karin era o roteirista do Abril. O que esses dois filmes têm de ruim é um pouco da estetização exacerbada do nordeste, neste menos e no Abril mais ainda. A cena final do Rodrigo Santoro lindo numa praia vendo o mar pela primeira vez com a família horrorosa em volta dele, era triste de doer. Nesse Céu, Suely/Hermila é “deixada feia” pelo diretor, para que ela se enquadre melhor na paisagem da cidadezinha do interior do Ceará que ela faz parte. Ela é uma atriz bem bacana, com corpão, mas fizeram um cabelo péssimo nela pra ela ficar mais “baianinha”. Só que ela destoa do resto do elenco, com certeza. Não só fisicamente, mas também no tratamento que o diretor lhe dá. Suas cenas são sempre melhor filmadas que do resto do elenco. Claro que isso tudo é proposital, mas acaba sendo um defeito. Outro defeito e forçação de barra acaba sendo o elenco de não-atores e o não roteiro a ser seguido, os nomes dos personagens serem os mesmos nomes dos atores. Que preguiça! Fica faltando caminho e direção mesmo, fica faltando um fio condutor não da história, mas de dramaturgia. O elenco de apoio é bom, mas as cenas são ruins, mal filmadas. E fora que isso já tá meio antigo demais, né?

O filme conta a história de Hermila, uma mulher que volta de São Paulo com um filho pequeno pra sua cidade natal no interior do nordeste depois que descobre que São Paulo é muito boa, mas é muito cara. Ela espera seu marido que diz que volta dali um mês e nada. Quando descobre que ele fugiu dela e de suas responsabilidades, ela resolve rifar uma noite de amor com ela para juntar dinheiro e ir pro lugar mais longe que ela conseguir, que acaba sendo Porto Alegre. Em seu tempo de volta na cidade, na casa de sua avó, morando com a tia lésbica que dá em cima da prostituta do posto, Hermila muda de nome pra Suely na esperança de que ninguém descubraque as duas são a mesma pessoa. Mas numa cidade pequena, todo mundo fica sabendo logo, ela quase apanha de uma mulher numa lija e sua avó, horrorizada e com muita vergonha, expulsa a pseudo-puta de sua casa.

Mas os problemas todos de Hermila na verdade estão ali porque ela não se importa com ninguém, nem com seu filho e nem com sua avó, O que parece é que ela só quer sair dali e fugir de novo. Tanto que no final, quando ela finalmentne vai embora da cidade, o diretor não mostra se ela leva ou não seu filho junto. Na minha opinião isso foi por vergonha do diretor mesmo. Talvez pudor, sei lá.

Sei que o filme começa bem, e termina mal.

E no meio ele é bem pretensioso, com cenas de paisagens e fios de alta tensão, e silêncios, quase uma legenda dizendo “esse é o momento de pensar no que a gente tava falando”. Por favor! Coisa velha também!

Acho que no final das contas, o que falta nesse filme é um pouco mais de pé no chão de um Amarelo Manga da vida, mais culhão e menos pensar, menos “cabeça”. É o problema do Abril, é o problema desse filme. É o que eu chamei de cinema brasileiro-iraniano-playboy.

Mais um filme desperdiçado. Foda!

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