TRANSAMERICA


“TransAmerica” só não é o filme do ano porque esse é o ano Cronenberg.
Mas TransAmerica é um filme genial, feito com pouco dinheiro, nos EUA e apesar desses dois componentes que atrapalhariam, me deixou de queixo caído.
O filme conta a história de Bree, um travesti que está a poucos dias de fazer a operação de mudança de sexo, indo em visitas constantes a sua analista e trabalhando em casa como vendedora pelo telefone.
Nada melhor que esse emprego para uma pessoa que já está na fase que não é mais homem e ainda também não é mulher, com o corpo estranho, a fisionomia estranha, com muita maquiagem e com as roupas erradas.
Escondida em casa consegue vender mais do que batendo de porta em porta.
E um dos seus méritos é ter mais uma vez batido a cota de vendas do mês.
Um dia ela recebe um telefonema da polícia de Nova York (ela mora em Los Angeles) que diz que seu filho está preso e que ele (sim, ele é o pai de um adolescente) e que ele deveria ir ajudá-lo.
Ela conta pra sua analista que lhe diz que enquanto ela não resolver esse “probleminha” ela não vai autorizar sua operação, ela chora muito e resolve voar pra NY.
Chegando lá, encontra o moleque, que estava preso por prostituição e porte de drogas, e resolve ajudá-lo dizendo que é uma freira de alguma congragação e o moleque resolve ir pra Los Angeles com ela.
Ao invés de avião, eles compram um carro velho e decidem cruzar o país.
Mais um road movie.
Mais um filme de encontros e desencontros.
Mais um filme de descobertas e aprendizados.
Não!
O filme é tudo isso sim, mas não é mais um.
É o filme!
Começa pelo elenco: Felicity Huffman faz a transexual de uma forma tão linda, tão perdida e tão sofrida que no início do filme, eu não me lembrava que ela era a atriz do filme e eu fiquei pensando quem era o ator horroroso que tava tão bem. Ela é uma atriz das desconhecidas, que faz o Desperate Housewives, ganhou um Globo de Ouro esse ano pela série e é genial na tv. No meio do filme eu comecei a reconhecê-la e quando me lembrei dela eu fiquei mais chocado ainda. Claro que grandes méritos vão ao diretor do filme Duncan Tucker, mas a atriz, se não é um gênio, não segura a onda de um papel tão complexo desses.
Mais do que contar o filme, contar tudo o que acontece, das trapalhadas, da aproximação dos dois, da revelação do parentesco, do encontro da família dele(a) quando sua irmã a vê junto com os pais e diz “que bom que você passou por aqui desse jeito, agora eles pegam de pegar no meu pé”, porque no fim das contas, pra eles, nada poderia ser pior do que um filho transexual.
O roteiro do filme é genial, vai aos pouquinhos deixando pai e filho em situações que os aproximam e os afastam, mas que de uma forma ou de outra faz com que se conheçam e aos poucos se entendam., causa os estranhamentos que causariam numa situação como essa e se desenrola muito bem.
Kevin Zegers, o ator que faz o filho também dá um show interpretando o doidinho, drogado, michê que aos poucos vai relaxando e entendendo sua companheira de viagem.
Cena genial é a do momento que o menino descobre que a mulher é homem, quando eles param na estrada, ela vai urinar e ele vê pelo retrovisor que ela tem um pau grande escondido.
Num filme desses, uma das grandes coisas pra mim são os tipos que eles vão encontrando pelo caminho, na viagem e TransAmerica não decepciona: transexuais, índios, um loiro-a-la Brad Pitt em Thelma e Luise, de tudo um pouco.
Filme lindo, bem filmado, atores maravilhosos, direção corretíssima: apaixonante!
Assita!
Isso é uma ordem!
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