Marcas da Violência


“Bem, estamos aqui novamente…”
A locução do Polly Shop se ouve ao longe.
E aqui estamos novamente, pelo menos estou eu novamente, com o compromisso diário de falar de cinema de novo.
Chega de palhaçada de escrever e não postar.
E pra volta, quero falar do melhor filme do ano: MARCAS DA VIOLÊNCIA (A History Of Violence), do meeeeeeeeeeeeestre Cronenberg.
Começo com uma pergunta: quem filma hoje melhor que esse cara?
Pelamordedeus!
Ele conseguiu fazer mais um filme de monstro, absolutamente diferente de tudo o que ele já havia feito antes e chocantemente igualzinho!
Enquanto eu via esse filme, num sábado à tarde, no meio da maratona da Mostra de Cinema de São Paulo, ficava pensando, nos momentos que não era metralhado por imagens geniais, planos simplesmente memoráveis e atuações deslumbrantes, pensando no quanto alguém tem que se dedicar, treinar, filmar, ler, ouvir, estudar, pra fazer um filme desse nível!
Enquanto o filme ia avançando e eu ficando mais e mais chocado e abestalhado, mais eu ficava com vontade de chorar de alegria por estar presenciando uma obra de arte, qua vai ser lembrada pelo resto dos dias no seu atual momento de realização e de exibição. Raro isso. Sempre imaginei o quanto poucas pessoas são felizes através dos tempos de presenciarem esses momentos de genialidade. Porque é fácil hoje entrarmos num museu e nos depararmos com a Monalisa ou com os Van Goghs nas paredes já mastigadinhos pra nosso deleite.
A magia é descobrir essas obras no hic et nunc, no momento da sua criação, e aquele sábado foi esse momento iluminado da minha vida.
O filme começa com uma sequência que poderia ter sido filmada pelo Tarantino, ou pelo John Woo em seus dias bons ou até pelo Tony Scott, se não fosse pela frieza da direção de atores e pela crueza dos closes. Em 5 minutos de filme eu já havia perdido a respiração umas 3 vezes. E isso era o prólogo quase relax do que vinha pela frente.
Um aconteciemnto violento, numa cidadezinha banal de algum rincão perdido de terras estadosunidenses faz com que o pacato e caseiro e familiar dono do café local, ao salvar seu restaurante e seus companheiros de um assalto, se torne não só o herói local, mas um herói da mídia tão voraz por heróis e afins e que apesar dos pesares, seja reconhecido e descoberto não pelos ávidos jornalistas atrás de qualquer história que renda umas parcas entrevistas, mas que seja re-descoberto por fantasmas de seu passado que tantou com sucesso, até então enterrar.
O que era um filme de ação ou um policial, se torna um filme de terror, com o monstro ressurgindo na calma que reinava.
Só que esse monstro não sai alien de dentro de uma barriga e nem mesmo faz com que no protagonista cresçam asas de moscas ou qualquer coisa parecida.
Esse monstro é apenas o passado secreto e escuro/escuso de um homem, que tinha sido deixado de lado pel sua própria paz de espírito. Acontece que ele não foi enterrado o suficiente, pois ao primeiro sinal de perigo, ele volta à tona.
Pode-se até dizer que foi o instinto de proteção, mas que ele volta rapidinho , volta.
E as mudanças não ocorrem apenas com ele, mas também com quem o rodeia, principalmente sua família.
Sua mulher, seu filho, sua filha, ninguém escapa das transformações.
O monstro, além de predador, é contagioso.
Viggo Mortensen mostra aqui como “o monstro” que é sim o melhor ator americano vivo.
E que Maria Bello, sua esposa no filme, é a atriz que todo diretor queria ter em seu filme. Ela tem o escopo das atrizes do Altman, do Hitchcock, os diretores que gostam de filmar mulheres.
Ela é a atriz que faz nu frontal, que faz cena de sexo violento na escada e que beija de língua com baba saindo da boca.
Essa é a nojeira de Cronenberg.
Nesse filme ele trocou as gosmas das moscas e os sangues dos gêmeos pelas babas e pela putaria, pela buceta dela e pela foda com força.
Se for chocar hoje o público, tão acostumado a terrores japoneses e suas refilmagens banais, que mostre a pubis e a língua num beijo.
GENIAL!
E no fim, acaba sendo um filme de acerto de contas com o passado que termina com mais um prato na mesa de refeição.
Mais aterrorizante impossível.

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