Machuca

E a maré ruim de filmes continua.
Agora com um filme que prometia bastante, a crítica falando bem, os “antenados” curtindo, arrebatando prêmios em festivais internacionais e tudo.
Mas quando fui ver, quase chorei.
O filme é o chileno Machuca, dirigido pelo mala Andres Wood.
Inacreditavelmente ganhou prêmio em Cannes. Se bem que nem tão inacreditavelmente assim, já que o prêmio que ganhou foi o mesmo que a bomba Diários de Motocicleta ganhou ano passado.
Eu tô acahando que essa “onda latina” já tá saindo de controle, porque o povo vê qualquer filminho que venha daqui de baixo e acha genial, principalmente os velhos e bons filmes mostrando miséria e golpe militar.
Ai que preguiça!
Machuca é a história de um moleque, em 1973, ano do golpe no Chile, um moleque burguesinho, gordinho, chato, que estuda num colégio católico burguês, com uns padres gringos meio malucões que pegam as crianças que moram na periferia e não têm onde estudar e levam pro tal colégio.
O gordinho fica amigo do Machuca do título, um molequinho que é seu oposto, esperto, moreninho (o pentelho é ruivo; gordinho e ruivo, maior estereótipo judeu burguesinho impossível), pobre, o pai é bêbado, a mãe cuida dele e de mais um bebê sozinha,moram numa favela e ainda por cima o moleque trabalha vendendo bandeirinhas em passeatas, nas pró e nas contra o governo, o que interessa é ganhar dinheiro.
Bom, o filme até aí já tem de tudo, golpe militar, passeatas, pobres tentando se virar no meio disso tudo, a classe média/alta nem ligando pra o que tá acontecendo ao seu redor, o típico filme/novela latino pra gringo ver.
E se não bastasse todos esse clichês,o o elenco sofre nas mãos do diretor: a direção de atores é sofrível. Acho que os dois únicos personagens que se salvam são o pai do menino Machuca e a amiga dele, que mora na favela com ele e que também vende as bandeirinhas nas passeatas, que faz o papel da miserável revoltada, que briga com as mulheres burguesas e é a “responsável” pelo toque de “desabrochar sexual” do filme, dando beijos de língua nos dois meninos enquanto eles comem leite condensado no meio do lixão (nada mais cinema marginal/anos 70 que essas sequências; o Sganzerla deve estar se batendo no inferno).
O filme, sendo bem sincero, é uma tentativa de ser uma mistura de Sociedade dos Poetas Mortos e o grande, genial Adeus, Meninos.
Só que uma mistura que não dá muito certo, porque as referências são tão óbvias, o diretor meio que copia sequências inteiras desses filmes, que na verdade nos deixa com saudades dos originais.
E o pior é que a gente vai vendo o filme e adivinhando tudo o que vai acontecer.
O que me parece, na verdade, é que o diretor passou por tudo isso (ele tem declarado por aí que o filme tem toques autobiográficos). Ele com certeza era o burguesinho que teve o amigo pobre na escola e hooje ele deve se arrepender, se remoer e se giletar por não ter feito nada pelo amigo na época.
A melhor sequência do filme pra mim é quando os meninos chegam na favela, na casa de Machuca e encontram seu pai batendo na mãe que segura um nenê no colo porque ele, o pai, bêbado, quer dinheiro pra beber mais ainda.
Ele vê o ruivinho bem vestido com o filho e a amiga e quer saber quem é. Logo diz pro filho não ficar muito amimgo dele porque daqui um tempo, ele vai estar cuidando da empresa do pai e ele, o pobre, vai estar no máximo lavando o banheiro da empresa dele.
E sai.
Eu, na minha modesta opinião de cinéfilo inveterado e descobridor de bandeiras e afins, acho que isso ou alguma coisa muito parecida deve ter acontecido com o diretor quando era pequeno, ele era o gordinho mala e o pai bêbado/estranho do seu amigo pobre deve ter dito isso pro filho e, eureka, deve ter acontecido na vida real.
Eles devem ter se separado, nunca mais se viram, ele deve ter esquecido o nome do amigo e “ viveu com essa culpa, esse peso a vida inteira” ( nas aspas, leia-se com uma ponta de sarcasmo).
O fim da história é que ele é chato mesmo, recalcado e me pareceu que fez esse filme pra expiar seus pecados (deve se sentir tão culpado que deve sentir que o que fez, ou o que não fez, ou o pelo que passou , pecados, daí passíveis de expiação).
Chato é a palavra que melhor define esse filme.
Chato mesmo.
Fuja.

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13 pensamentos sobre “Machuca

  1. Para as pessoas que vivenciaram tudo isso é um filme que atinge com certeza….

    Considerendo que foram fatos reais e de ser de um país vizinho, acho este comentário foi regado a inveja e muita amargura.

    O autor deste artigo parece ser limitado a ver filmes ao melhor estilo americano hollywoodiano ou pior ainda, un ilusionado adito a ciencia ficção.

    Lamento por estas pobres linhas de uma pessoa muito viciada a ver um nivel de filmes puramente comerciais e incapaz de conseguir separar os fatos dos sentimentos ou sem qualidade intelectual para poder sentirse latinoamericano (independente de ideologia politica).

  2. Concordo totalmente com os comentários deixados aqui e discordo totalmente do seu artigo. Não é uma questão de montar um cenário de desigualdade social e governo autoritário pra gringo ver… Se você não sabe, essas são características reais da história de quase todos os países latino-americanos. São nada menos do que a premissa fundamental para a narrativa, situam a trama dentro de um contexto muito particular. Mas tem que ter um mínimo de conhecimento e sensibilidade pra entender a importância para o Chile e toda a América Latina do momento em que La Moneda foi atacado, Salvador Allende morto e Pinochet tomando o poder. Sugiro que procure o documentário “La ciudad de los fotógrafos” para ter uma noção do que se passava em Santiago.

  3. concordo plenamente com todos os comentarios acima
    o filme relata uma parte da ditadura que devemos esudar eu mesmo estou estudando isso como projeto educativo em meu colegio !

  4. MARAVILHOSO é a palavra q define esse filme…
    Concordo completamente cm os comentários deixados…
    E ainda falo mais… É por isso q o mundo está desse jeito, falta de sensibilidade, caráter,falta de visão…
    Extremamente Burro e sem cultura mundial o animal q escreveu esse artigo infeliz!!!

  5. Eu achei que tinha visto de tudo.Mas esse artigo supera.É um baita filme, exceto talvez pra neo-macartístas. Retrata bem a realidade social, embora seja de fato meio tendencioso para a esquerda. O principal é o humanísmo implicito das crianças, mostrando como política é algo artificial, e como crianças podem perceber a realidade de algo sem os filtros ideológicos dos adultos.

  6. Sou muito leigo em filme, mas assisto de vez em quando na TV, e foi ai que eu assisti esse filme, na cultura, achei uns dos melhores filmes que ja assisti, pois eu gosto de filme de Hitória, também achei que ele foi bem feito, mas sou leigo para jugar isso, também achei que ele da de 10×0 nos filmes brasileiros…

  7. Pra vcs lendo aqui, não estranhem não.
    O que está acontecendo aqui é uma reação a alguma possibilidade do autor ter consciência.
    Deve ser o tipo to cara que lamberia o sapato de crapulas como pinochet se ainda estivessem vivos.

    O mais engraçado é que mesmo tentando fazer uma crítica totalmente parcial, da pra ver plenamente que o autor gostou do filme.
    😀

    Machuca é…
    Sensacional.
    E imparcial, vale a pena.
    Assistam.

  8. No texto do autor consta:
    Machuca é a história de um moleque, em 1973, ano do golpe no Chile, um moleque burguesinho, gordinho, chato, que estuda num colégio católico burguês, com uns padres gringos meio malucões que pegam as crianças que moram na periferia e não têm onde estudar e levam pro tal colégio.

    Olá!
    Pesquisei pelo título do filme(“Machuca”) em site de busca e encontrei esta sua mensagem de blog.
    Na edicao deste ano da Virada Cultural http://www.viradacultural.org
    foi exibida uma sessao gratuita(domingo,às 10 h,27-4-2008),no
    Cine Olido.
    Procurei pelas sinopses dos filmes exibidos nesta edicao da Virada Cultural e este filme com certeza escolhi prioritariamente.
    Mesmo em um domingo de manha,a sessao estava lotada.
    Voce escreveu que haviam uns padres gringoes.
    Assisti o filme ontem e durante o filme somente presenciei o diretor do colégio,o Padre McEnroe e nao vários padres como afirmou.
    E em uma cena em que o Padre McEnroe entra na igreja e come todas as hóstias e apaga a vela,
    ele(padre)estava acompanhado de outros padres(cerca de dois),porém
    nesta cena,nao dá para saber
    se os acompanhantes do padre trabalhavam ou nao no colégio.
    Logo,discordo da sua afirmacao em que haviam vários padres.
    Este filme consta(28-4-2008) do acervo da biblioteca do Instituto Cervantes de Sao Paulo.
    Os vários padres gringoes que afirma estavam no Machuca ou em alguma outra continuacao do filme.
    Li em um post no YouTube que poderá ocorrer uma continuacao deste filme.
    Grato!

  9. Independente de politica , história e cliches, este filme fala sobre amizade. Amigos que se dao conta da impossibilidade de continuar pelas diferencás sociais. Isto acontece aqui, no Chile e em todos os lugares. Achei que este aspecto foi muito interessante nesse filme.

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