ELEKTRA e CLOSER. (post vintage)

Dois filmes nos dois últimos dias no cinema.
Dois filmes que não poderiam ser mais diferentes um do outro causando a mesma sensação de desapontamento.
O primeiro foi Elektra, a adaptação da maravilhosa personagem dos quadrinhos criada por Frank Miller.
O segundo, Perto Demais, o incensado filme de Mike Nichols, adaptando uma peça de teatro de sucesso por onde passou, inclusive aqui no Brasil.
Mas vamos começar do começo: Elektra foi a meu ver a pior adaptação de uma personagem de HQ para as telas de cinema. E quando digo isso quero deixar bem claro, antes de mais nada, que o filme é bom, nem é ruim.
Mas parece que só quiseram usar algumas características interessantes da personagem num filme que nada tem q ver com sua origem.
Talvez isso se torne uma nova onda, o que me dá certo medo só de pensar.
O diretor Rob Bowman é bom, fez um filme de dragões interessante e fez um monte de episódios bacanas do Arquivo X , filma bem, sabe contar história, sabe fazer seus atores serem críveis (apesar dos pesares) e teve uma boa escolha de elenco pra esse Elektra.
Mas deixar de lado toda a “mitologia” da guerreira de origem grega malvada não foi sua melhor escolha.
Aqui abro um parêntese me explicando que ao colocar a culpa no diretor sabemos que não é necessariamente ele o responsável pelo que acontece num filme desses, dependendo dos diretores executivos e variados roteiristas que passam pelo processo, mas quem assina é o pobre coitado.
Acho que a escolha do elenco é ótima, Jennifer Garner
já mostrou que é uma puta atriz e que daqui pra frente vai ser reconehcida como uma das grandes atrizes americanas. No filme do Demolidor, quando primeiro apareceu Elektra nos cinema, ela já roubou a cena do insosso Ben Affleck. E o bonitão Goran Visnjic como o perseguido do filme também manda muito bem: ele é um grande ator que surgiu para o mundo no croata Bem Vindos a Sarajevo (olha filme do Michael Winterbottom de novo!!!) e que fica escondido no Plantão Médico e só faz (por enquanto) uns papéis bacanas em filmes independentes como o pouco visto The Deep End. E ainda temos o prazeroso desempenho do sempre bem vindo Terence Stamp , como o cego mentor de Elektra.
O roteiro do filme é bem confuso, muita coisa não fica clara, como por exemplo da onde surge o bando de malvados do filme, ou porque Elektra decide não matar quem ela devia.
E muitas outras coisas estranhas que ficam meio sem sentido no filme.
Pra terminar: é um filme de ação bom com uma personagem principal bacana, ambígua nos sentimentos, ao mesmo tempo que é uma péssima adaptação de uma grande personagem de HQ.
Eu acabei assistindo Elektra na sexta, porque a sessão de Perto deMais já estava lotada. Ia vê-lo de qualquer maneira, mas como estava animado pelo filme de Mike Nichols, depois de ler tanta coisa a respeito, como o grande filme americano da nova safra, o filme que deveria ser copiado pelos diretores e tal, foi meio balde de água fria. No sábado eu fui conferir o tal filme e fiquei mais decepcionado ainda que com Elektra.
O filme é bom, o enredo é bom, bem filmado, os atores estão estupendos, acho que é o primeiro filme da Julia Roberts que eu gosto dela, sua personagem é fantástica e sua atuação é primorosa, na medida certa.
Jude Law , pra variar, está perfeito, pra mim é o melhor ator de sua geração, o que mais agrega valores (lindo, talentoso, versátil).
Mas os destaques do filme são mesmo Clive Owen e Natalie Portman.
Owen ganhou o meu respeito quando fez os filmes da BMW para a internet 3 anos atrás. No curta dirigido pelo mexicano Iñarritu, me deixou ás lágrimas à frente do meu computador numa linda história de amor e dedicação. Ele tem feito vários filmes menores, tem se saído muito bem e sempre se destacado absolutamente, como por exemplo no Gosford Park de Robert Altman. Mas é como o médico fino e grosseiro de Closer que ele finalmente mostra a que veio. Em suas sequências com Portman, principalmente na sequência do puteiro, deixa todo mundo pensando como ele consegue fazer aquilo.
E na mesma sequência, Portman dá um show de interpretação como a stripper mais plausível do cinema (eu sempre imagino a vida de putas/michês/strippers/travestis, das pessoas que lidam com a venda do sexo, a venda do corpo, como seria seu dia a dia). Acho que a personagem de Portman é um grande exemplo dessa aula de antropologia, mostrando que eles têm uma vida normal, que são de carne e osso, mas que também têm alma e o fim do filme mostra “finalmente” o quanto ela sabe fazer o que ela quer com as pessoas que a rodeiam, que talvez por ter essa vida dura, aprenda mais depressa a lidar/manipular quem a cerca (ela é a mais nova dos quatro e a que mais tem a dizer, no fim).
Claro que todas as dicas da sua personagem são dadas ao longo do filme, mas nós não queremos acreditar no que estamos vendo e preferimos acreditar na fantasia que ela cria para si mesma.
O que é ótimo. E eu acho que o grande mérito disso é a direção precisa do veterano Mike Nichols, sabendo exatamente o que quer mostra e dizer e dizendo e mostrando exatamente o que quer que a gente veja na hora certa.
Mas apesar de tudo isso, achei o filme chatinho.
O filme poderia ser menos um filme sobre “d.r.”, discutir relação, e mais sobre… sei lá o quê, na verdade.
É na minha opinião um filme tão chato quento Antes do Pôr do Sol, um filme em que duas personagens ficam conversando o tempo todo, por mais de uma hora e que o que importa, o que eles realmente queriam , está nos últimos 10 minutos de filme. E nem me venha com essa história de criar clima, paciência que é balela. Acho essa a influência negativa do cinema francês sobre os americanos: eles pegam o cinema francês do palavreado, das conversas infindas, mas relevantes e transformam agora nesses anos 2000’s numa desculpa pra enrolar e enrolar e enrolar enredos bestas para mostrar finais às vezes surpreendentes.
Tem que ver, mas sem essa expectativa toda.
Nenhum dos dois.
Pro bem e pro mal
Relaxe.
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