Dia de Twin Peaks.

24 de fevereiro é o dia que Agent Cooper chegou em Twin Peaks, em 1989, para investigar a morte de Laura Palmer.

Hoje, pra comemorar a data, foram lançados 2 posters para comemorar a data, um com a própria e outro com o Agent Cooper, ambos com a frase “está acontecendo de novo”.

Tudo isso pra nos relembrar que dia 21 de maio estreia a nova temporada da série mais punk de todos os tempos, com 18 capítulos dirigidos pelo próprio David Lynch.

55/365 A MENINA QUE TINHA DONS

A Menina que Tinha Dons é um filme inglês baseado em um livro cujo subtítulo é “nem todo dom é uma bênção”.

Depois de assistir esse PUTA filme de zumbis eu tenho que discordar dessa frase e dizer que nesse caso, o dom da menina acaba sendo uma grande bênção, dependendo do ponto de vista.

Melanie é uma menina que, junto com outras crianças, vive prisioneira num lugar que é pesadamente cuidado pelo exército. Para sair de sua cela e ir às aulas, por exemplo, ela tem que ser presa à sua cadeira de rodas, presa pelos pés, mãos e cabeça. Assim como todas as outras crianças.

Elas são mal tratadas, os adultos parecem ter medo delas, sempre apontando armas pesadas para as crianças e apenas uma das professoras parece ter uma relação mais de respeito com as crianças e por isso mesmo é fortemente repreendida por seus superiores.

Aos poucos vamos descobrindo que essas crianças são na verdade filhos de zumbis que tomaram conta do planeta. Zumbis que não fazem nada além de comer carne humana, claro. Os típicos zumbis que tanto adoramos e tememos. Durante o filme descobrimos como os zumbis vieram de um fungo, como tomaram conta de tudo, muito bem contado e criado nesse mundo distópico zumbificado.

Só que essa segunda geração de zumbis nasceu diferente, eles são menos zumbis, eles conseguem aprender, conseguem falar, conseguem ter uma vida em princípio normal, até que ficam com fome e precisam comer carne humana.

Por isso tudo, essas crianças estão presas para passarem por exames e serem pesquisadas para que uma vacina seja criada, como acredita a cientista vivida por Glenn Close.

Só por ter Glenn esse filme já deveria ser visto. Mas apesar e por causa dela, o filme é bem bom. O grande filme de terror inglês desde 28 Dias Depois, filme de 2002.

O filme ainda tem no elenco os ótimos ingleses Gemma Arterton e Paddy Considine e dirigido pelo ótimo Colm McCarthy, o filme deveria virar uma franquia de terror porque as possibilidades do universo criado são imensas.

Agora, a grande coisa do filme é Sennia Nanua, a própria menina que tem “os dom”. Que atriz. Que menina. Que talento. Ela passa de um anjo de candura à uma comedora de carne em um piscar de olhos e a gente torce muito por ela.

A vontade é contar mais da história do filme, falar do final maravilhoso mas eu me calo e só digo: ASSISTA!

54/365 RULES DON’T APPLY

Warren Beatty vive sumido, mas quando ele quer, vai lá e faz.

Em Rules Don’t Apply ele escreveu o roteiro, produziu, dirigiu e faz o papel do excêntrico Howard Hughes, o milionário americano que viveu algumas décadas atrás e que se hoje estivesse vivo, com certeza seria presidente.

Hughes além de um monte de coisas, tinha um estúdio de cinema, a RKO, e lá ele contratava jovens e lindas e nem sempre talentosas atrizes e as mantinha sob contrato dando casa, salário e um motorista, porque ele não queria que elas saíssem pela cidade sozinhas indo a lugares que ele não aprovasse.

Esse era o cara.

No filme, uma dessas jovens atrizes começa um romance absolutamente proibido com seu motorista. Proibido por Hughes, claro, que proíbe que elas se relacionem, de novo, para tê-las todas à sua disposição o tempo todo.

Só que Marla Mabrey (Lilly Collins, filha do Phil) se apaixona por seu motorista, o jovem e talentoso Frank Forbes (Alden Ehrenreich, o jovem Hans Solo no filme que está por vir). E pra terminar o triângulo, acaba se envolvendo de uma forma estranha com o próprio Hughes.

O filme, diz um letreiro no início, pode ter sido baseado em fatos reais com nomes trocados, claro, mas tem uma piadinha no meio quando Hughes pede que um de seus assistentes arrume um encontro dele com a atriz MM. Quando o manda chuva entra na sala e vê Marla (Mabrey), ele sai e pergunta o que ela faz lá se ele queria um jantar com MM. O assistente percebe a cagada e se desculpa dizendo que já vai mandar buscar Marilyn Monroe.

Esse deve ser o tipo de coisa comum de acontecer, o fodão manda chamar quem ele quer a hora que quer. E isso é o que mais tem no filme, o excêntrico bilionário faz e desfaz tudo ao seu bel prazer.

Filme besta mas engraçadinho, vale uma assistida num dia de relax sem pretensão nenhuma. E de uma forma ou de outra a gente vê um pouco de história da velha Hollywood e vê o quanto 50 anos fazem diferença no tipo de atitude das pessoas.

E só um lembrete ao Warren: gato, vamos melhorar aí, pô. Você não faz um filme relevante desde Reds, né?

53/365 DEMON

Um dos melhores filmes de terror do ano passado: Demon, diretamente da Polônia.

A história é linda: Piotr, um polonês vivendo em Londres, volta a sua cidade interiorana para se casar com a irmã de seu melhor amigo, que ele não conhecia antes.

Cépticos, a noiva e seus pais acabam gostando do noivo, que veio do nada, por sua força de vontade em principalmente reformar a casa destruída de seu avô para que o casal more lá.

Ao passar uma máquina pelo jardim da casa, Piotr desenterra uma ossada e liberta um demônio judeu, um dybbuk, que é um espírito com um dever a cumprir.

A sutileza do diretor Marcin Wrona é o grande trunfo do filme: ele nos mostra em detalhes o que aos poucos o dybbuk faz com Piotr.

Suas pequenas mudanças de comportamento são vistas por seus amigos como nervosismo antes do casamento.

Durante a festa, como num bom casamento judeu polonês do interior, todo mundo se joga tanto na vodka que esses detalhes, agora não mais tão pequenos, são abafados como podem. O pai da noiva, em um momento escandolosamente barulhento de Piotr, pede para a banda tocar mais alto para que os convidados não ouçam seus gritos de terror.

A noite toda da festa de casamento é regada à vodka e uma chuva torrencial o que faz com que os convidados não possam ir embora e por isso mesmo bebam até cair.

Ao mesmo tempo, o jardim onde estava o cadáver acaba cedendo cada vez mais, o que faz com que alguns personagens percebam o que aconteceu com Piotr.

O pai da noiva acaba sendo um dos personagens principais do filme tendo consiciência dos fatos à sua quando diz que “o país inteiro foi construída em cima de cadáveres”.

Quando todos acordam no outro dia no lugar da festa, numa ressaca enorme, ninguém tem certeza do que realmente aconteceu na noite anterior e a vida de quase todos continua normalmente.

O filme todo acaba sendo uma grande metáfora criticando a Polônia como sendo um país com demônios escondidos que vez por outra saem e assombram uns poucos enquanto toda a população continua alheia (inebriada?) a um passado não tá distante.

Só pra dar um pouco mais de medo nisso tudo: 3 dias após a estreia do filme em um festival polonês, o diretor Wrona se suicidou em um quarto de hotel.

Medo.

Filmaço!

52/365 O APARTAMENTO

Asghar Farhadi é o cara.

Diretor de atores como poucos hoje em dia, o cara ainda escreve os roteiros de seus filmes que, na boa, são os melhores dramas da atualidade.

Depois do insuperável Uma Separação, ele lança O Passado e me fez achar que nada de melhor poderia vir até que eu assisti finalmente O Apartamento, seu mais recente petardo.

O filme não é só um estudo sobre a alma mas também uma lição de como nos comportamos em meio à uma adversidade e de como essa situação nos leva a medidas extremas.

O Apartamento é o lugar pra onde um casal em Teerã se muda depois que o prédio onde moravam ter sido interditado por perigo de desabamento (Alguma cidade por aqui? Não, no Irã, mas poderia ser em qualquer lugar do mundo).

O que eles não sabiam é que o tal apartamento tinha uma história meio do mal e eles acabam sofrendo as consequências quando caem no turbilhão de uma surpresa nada agradável.

O casal que pra lá se muda é um casal de atores e eles estão em cartaz com a peça A Morte do Caixeiro Viajante que conta a história de sofrimento do tal caixeiro que perde o emprego, tem seu caso extra conjugal descoberto por seu filho e no final se suicida por não saber lidar com esses probleminhas pseudo cotidianos.

Emad, que faz o caixeiro, é casado com Rana (que faz a sua esposa também na peça) e juntos eles tem que enfrentar essa adversidade que o acaso lhes prega e como na peça dentro do filme, Emad vai sofrendo ao tentar resolver uma situação extrema em relação a sua mulher Rana.

Ao mesmo tempo que eles tentam evitar as más energias deixadas em seu caminho, como vamos vendo durante o filme, Emad vai atrás do causador do grande problema e sofre também com isso.

Asghar Farhadi, agora e já um mestre dos suspense, joga na nossa cara, sutilmente na maioria das cenas, o quanto a nossa força de vontade é menor do que um sentimento ruim como a raiva ou a vingança. Um drama acaba virando um suspense quase hitchcockiano e como nos filmes do mestre, a história nem sempre termina como esperávamos, o que pode ser bom por um lado e me deixou com o coração na boca de nervoso.

O filme é indicado ao Oscar de melhor filme de língua não inglesa e ao que parece Farhadi não vai à cerimônia por causa da sanção do Trump aos imigrantes de países como a Irã.

E só pra constar, o filme ganhou os prêmios de melhor roteiro e melhor ator (Shahab Hosseini) no Festival de Cannes de 2016.

51/365 MOANA: UM MAR DE AVENTURA

Fazia uns bons anos que eu não via uma animação da Disney tão bonitinho.

Moana: um Mar de Aventura conta uma história de força e superação baseada em lendas havaianas.

Em algum lugar do passado, Moana é uma menina que vive com sua família em uma ilha que está à beira da destruição e eles acreditam que seja porque um semi deus, Maui, roubou o coração da grande deusa. E Moana vai resolver o problema. Ou pelo menos vai tentar.

Esse talvez seja o filme mais politicamente correto da Disney, com seus personagens bem étnicos e vividos pelas vozes de atores também étnicos.

E esse é também o filme mais ecológico do estúdio, com uma liçãozinha a sequência importante do filme.

Uma das coisas que eu mais gostei foi a trilha, com músicas que me lembraram filmes musicais de rock dos anos 70 em meio à viagem dos deuses havaianos de Moana, o que pode parecer estranho mas funcionou bem.

O filme é cheio de aventura, monstros, lições de vida e serve bem pra molecada.

Mas não é um filme pra adultos, na minha opinião, como outras animações que possuem o núcleo adulto com piadas e tiradinhas espertonas.

Apesar disso, vale a pena assistir, diversão garantida.

50/ 365 KING COBRA

James Franco tá meio sumido ultimamente o que é um alívio.

Uns anos atrás eu achei o máximo quando ele começou a se envolver em projetos “estranhos”. E ele mesmo se justificando dizendo que ele era um artista mais que apenas um ator.

Um de seus novos papéis foi como produtor, fazendo filmes fora da casinha.

King Cobra é um deles.

O filme conta a história de um escândalo que rolou na indústria de filmes pornôs gays alguns anos antes sobre um produtor que foi brutalmente assassinado por um ator. Esse produtor descobriu um menino que foi um fenômeno do pornô, Brent Corrigan com quem tinha um contrato meio bem esquisito: o produtor obviamente ganhava rios de dinheiro e pagava uma merreca para o menino de 19 anos que trabalhava cada vez mais. Quando o menino descobre que está sendo fudido, ops, mal pago, diz para o produtor que quando eles começaram ele tinha na verdade 17 anos e tinha falsificado seus documentos. O produtor fica doido, o “ator” vai à polícia e o inferno cai sobre suas vidas.

O produtor é considerado pedófilo (numa cena ridícula do filme), o ator tem que contar para sua mãe que faz pornô (numa outra cena besta) e sua carreira termina precocemente porque ninguém quer trabalhar com alguém envolvido num escândalo desses no meio pornô.

Até que o dono de um estúdio pequeno quer de qualquer maneira trabalhar com o menino e resolve dar um jeito para acabar com o tal do contrato esquisito do produtor e já você pode imaginar como a história acaba.

Com uma história baseada em fatos reais tão boa e trágica, o suficiente pra virar um belo de um filme, King Cobra é a prova de que um filme não sobrevive sem um bom roteiro e um diretor bom.

A história é mal contada, o filme é piegas, mal iluminado, com cenas inacreditáveis de crise de consciência dos atores pornôs que dão vergonha.

Apesar disso tudo, o elenco do filme é meio que impressionante: no papel do menino ator pornô está o ex ator da Disney Garrett Clayton; o produtor King Cobra, o pedófilo, é vivido pelo Christina Slater, que faz as cenas de sexo mais quentes do filme; sua irmã é a Molly Ringwald e a mãe do atorzinho é ninguém menos que Alicia Silverstone.

Claro que tem o James Franco no filme, como o produtor concorrente, casado com um ator pornô e com quem juntos planejam a morte do rival.

Fora isso, o filme não se sustenta. Mal dirigido, cafona, mas não cafona o suficiente pra um filme pornô gay dos anos 90 o que daí poderia até ser interessante, King Cobra peca pela falta de excesso e tem a PIOR cena final do cinema americano dos últimos 30 anos, pelo menos.

49/365 MULHERES DO SÉCULO 20

Dessa leva de filmes bons indicados aos principais prêmios americanos, Mulheres do Século 20 talvez seja a grande surpresa.

O filme é pequenininho, indie e com um dos melhores elencos da temporada capitaneado pela diva das divas Anette Bening, que não por menos está indicada ao Oscar (aliás, eu sempre torço por ela e esse ano não vai ser diferente).

O filme conta a história de uma viúva meio que falida em 1979, que mora numa cidadezinha da California com seu filho de 15 anos em uma casa bem deteriorada, assim como sua vida.

Por isso ela aluga um quarto para a fotógrafa punk Greta Gerwig e outro para o faz tudo Billy Crudup que em troca do aluguel reforma a casa.

O filho vive uma adolescência bem boa em meio à essas pessoas interessantes em sua casa e tem uma vizinha um pouco mais velha, vivida pela cada vez melhor Elle Faning, que vai toda noite às escondidas dormir com ele e aproveita para falar com o menino sobre sexo. E sim, eles só dormem juntos mesmo, como ela faz questão de deixar claro.

A mãe Anette é uma mulher que parece ter sido hippie anos antes, tal sua filosofia de conduzir a vida e como lida com os outros a seu redor.

Ela tenta aprender sobre os punks que estão aparecendo, tenta ensinar a seu filho sobre como lidar com as mulheres de uma forma feminista e educada, acha que seu carro velho estava ótimo até que ele pega fogo do nada, a típica hippie tudo vai bem em tempos de revolução de costumes bem relevante, como hoje já sabemos.

A personagem do menino de 15 anos em meio a tantas mulheres fortes é o ponto catalisador do filme: e mãe quer dar a ele a melhor educação e liberdade possível, a punk quer mostrar pra ele o que é música nova boa, a amiga quer ensinar sobre sexo, o homem que tenta ser o seu modelo masculino. E ele se sai como pode, crescendo, aprendendo e mostrando sua própria personalidade.

Dirigido por Mike Mills, eu comparo Mulheres do Século 20 a outro indie maravilhoso da temporada, Moonlight: ambos demoraram mais de 6 anos para sair do papel e por isso as concessões não existem.

Edição precisa, cortes atemporais, direção de ator que é uma aula, personagens muito bem construídos, tudo que um filme bom tem e mais ainda.

Em uma das cenas mais legais do filme, a personagem punkzinha precisa ir ao médico e o menino a acompanha por apoio moral. Ela em agradecimento grava para ele uma mixtape (de verdade, em fita cassete) com músicas que como ela mesma diz “se eu tivesse ouvido isso quando era adolescente, talvez tivesse sido uma pessoa melhor”. Quando ele coloca a fita pra tocar, a primeira música que rola é Cheree do Suicide. Quase chorei.

Só pra terminar, a trilha do filme é um absurdo. Além deles usarem muita camiseta de banda da época, toca de Talking Heads a Black Flag, coroando com um Bowie num clube punk que nesse momento eu sim , chorei.

Imperdível.

48/365 A COMUNIDADE

Todo mundo ama Lars Von Trier, mas eu confesso que meu diretor preferido saído da Dinamarca e do Dogma (alguém ainda lembra disso?) é o Thomas Vinterberg.

O cara não é tão cabeça, não é tão profundo, não é tão radical quanto seu amigo Trier mas é um puta diretor de ator e um grande diretor de dramas com elencos grandes com vários atores principais.

A Comunidade é um típico filme do Vinterberg mas confesso que não um de seus melhores, mas mesmo assim um bom filme.

Na década de 1970,  um casal de acadêmicos cheio de sonhos, montam uma comuna em um elegante bairro de Copenhague para realizar o sonho de viver em grupo. Entre jantares, reuniões e festas e levados pelo mesmo sonho, o grupo vive o sonho hippie até que uma história de amor abala a pequena comunidade, fazendo com que esses sonhadores e idealistas acordem para a realidade.

O toque de Vinterberg é o aprofundamento nas personalidades de suas personagens, mostrando que as histórias de cada um fazem uma grande diferença na história de todos.

Lembra quando a gente falava que um filme ruim do Woody Allen ou do Almodóvar valiam a pena porque mesmo assim eram acima da média geral? Hoje em dia eu tiro Allen e Almodóvar e coloco Vinterberg nessa frase. Um filme menor do diretor dinamarquês é melhor que muito “filmão” que a gente vê por aí.