87/365 O PLANO DE 10 ANOS

Eu fiquei enrolando pra escrever sobre esse filme porque não queria falar mal. Mas não tem jeito. Quanto mais eu lembro de O Plano de 10 Anos mais eu fico com bode destas comédias românticas gays bestas.

A história é sempre a mesma, cara que sai do armário, vai morar em L.A., arruma uns amigos “entendido” (perdão das aspas mas é assim que eles são, os entendidos). Daí ele conhece o cara perfeito, bonito, forte, policial e bem bofe, se apaixona mas a sequência de encontros e desencontros leva o casal a lugar nenhum.

É o tipo de historinha besta, caricata, estereotipada de uns caras bem banas e sem graça.

Só resolvi escrever pra dizer que esse é o extremo oposto de Moonlight, filme também gay com culhão, forte e mais que obrigatório, como já falei aqui.

Mas o pior é que enquanto um Moonlight é feito a cada 5 anos, meia dúzia desses filmes idiotas caem no nosso colo, tipo eCupid e afins.

Os aviões de Star Wars.

Coisa mais linda do mundo da aviação do mundo.

A empresa aérea japonesa ANA, customizou 4 de suas aeronaves em homenagem a personagens de Guerra Nas Estrelas.

Primeiro foram BB-8 e R2-D2 e agora é a vez do avião do C3-PO.

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E não é só pintar a fuselagem, mas os caras fizeram toda a direção de arte interna com copos, pratos e uniformes dos comissários de vôo.

O problema é que esses aviões só fazem vôos internos no Japão, mas se alguém estiver indo pra lá, fica a dica.

86/365 VIRAL

Ontem a noite liguei o Netflix e esse filme Viral me veio como indicação.

Me joguei e curti o filme.

Viral é um filme onde uma epidemia ataca todo o planeta e, em um subúrbio americano, 2 irmãs e seus namorados tentam sobreviver ao ataque das minhoquinhas assassinas, com cada vez menos tempo porque a exército americano está acabando com tudo infectado.

Viral é um filme de baixo orçamento com uma bela ideia de produção. Não senti a falta de dinheiro, muito pelo contrário, o dinheiro que tinham foi muito bem gasto onde deveria.

Confesso que 2 coisas me atraíram no filme: o pôster ótimo e uma das atrizes principais, que saiu direto do America’s Next Top Model, a fofa da Analeigh Tipton.

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Ah, e claro, a maior atração é a ótima Sofia Black-D’Elia que tá quebrando tudo numa das minhas novas séries preferidas, The Mick.

Sofia Black-D'Elia

Bom, o filme não tem nenhuma novidade em relação a contágio ou ideia nova quanto ao vírus, ou as minhoquinhas. A grande coisa do filme é uma aula de como se fazer um ótimo terror bem pensado.

Roteiro bom, produção ótima, direção redondinha, tudo gerando um bom filme, uma ótima diversão.

85/365 FRAGMENTADO

2 considerações e 1 conclusão a respeito de Fragmentado, o novo filme do diretor M. Night Shyamalan.

  1. Por favor, alguém dê um filme de super heróis pra esse mala escrever e dirigir. Por. Favor. Enquanto ninguém fizer isso, ele vai continuar tentando fazer um filme razoável com essa historinha de criar um universo só dele onde os super heróis são gente como a gente só que não. Esse Fragmentado é mais uma dessas tentativas frustradas: um homem possui 23 múltiplas personalidades, algumas fofas e outras nem tanto. E essas nem tanto gostam de ver adolescentes nuas dançando pra ele. Por isso ele sequestra e mantém em cativeiro 3 meninas, onde 2 passam o filme de calcinha e sutiã e uma delas totalmente vestida, num furo de roteiro atrás do outro. O cara é vivido pelo ótimo James McAvoy que dá um showzinho num filme porcaria desses, só esperando um filmão pra virar o “ator respeitado” que a gente tanto espera, apesar da gente achar que ele já esse esse grande ator desde pelo menos O Último Rei da Escócia (e Desejo e Reparação). Já a menina que não se despe é a ótima Anya Taylor-Joy de A Bruxa, o grande novo nome americano. (Só um adendo: a cena onde McAvoy está no consultório de sua psiquiatra e muda de personalidade durante a consulta é de uma lindeza sem fim)
  2. Ô seu Shyamalan, o senhor tá loooonge de ser o novo Cronenberg ( até porque a vaga nem tá aberta, o mestre tá aí firme e forte). Imagina um filme desses nas mãos do cara que mais FODE com a mente humana no cinema de hoje em dia, um filme onde um cara com múltiplas personalidades quer ver adolescentes peladas. Wow! Seria a grande porrada, daí a gente veria mais monstros do nosso dia a dia e não os pseudo super heróis que o indiano nos tenta empurrar goela abaixo desde sempre.

Conclusão: Fragmentado é mais um filme porcaria do Shyamalan. O cara que chegou chegando fazendo o filme com um dos melhores finais da história, o do “I see dead people”, desde então erra na mosca. E nesse novo filme faz o filme com o final mais cafona da história do cinema. Ca. Fo. Na. O filme é ruim mas se não tivesse esse final poderia até não ser de todo detestável. Hoje um amigo me disse que ouviu alguém dizer que esse filme parece um porre de smirnof ice quente. Eu já acho que parece uma ressaca de smirnof ice quente e sem gás. Nesse nível.

Ah, e as pessoas falam que não é pra ver o trailer pra não atrapalhar o filme, mas garanto que nada pode ser pior do que perder duas horas com essa boixta.

84/364 O HOMEM QUE CAIU NA TERRA

Terminei de ler a edição lindona da Dark Side do livro O Homem Que Caiu na Terra. Nunca tinha lido o livro que deu origem a um dos filmes da minha vida, o clássico de 1976 dirigido pelo doidão Nicolas Roeg e estrelado por Deus, David Bowie.

Depois de ler, revi o filme depois de uns 10 anos sem vê-lo. E foi um choque!

Choque porque obviamente o livro tem coisas mais bem resolvidas que o filme, coisas que eu gostava no filme gostei mais ainda no livro, como o professor Bryce, por exemplo. E Mary-Lou, a esposa do et no filme, uma personagem mais estranha e bizarrinha no livro.

Revendo o filme, primeiro que eu de novo fiquei chocado com Roeg. O cara ousa, não faz concessões, dirige como quer, edita como quer, coloca o povo pelado, doido, num pré hedonismo setentista lindo de morrer.

Depois eu mais uma vez fiquei muito impressionado com o que ele fez com Bowie. Sempre penso que gosto desse filme porque em momento nenhum eu me lembro do Bowie cantor, do Bowie superstar. E eu acho provavelmente essa a grande qualidade do filme: apesar de todo mundo sempre falar do Bowie como um et, como vindo do espaço, no filme ele é sim um alien mas é outro alien, não o Ziggy Stardust e sim o Newton ou Tommy para os íntimos.

Roeg conta a história de um alien que vem pra terra, cai nos EUA e revoluciona o mundo com suas patentes malucas como uma máquina fotográfica que auto revela as fotos, em melhor qualidade que a polaroid. Ou uma invenção de como ouvir música a partir de umas esferas de metal. E patentes fodonas para a indústria de física e química que fizeram esse alien um milionário da noite para o dia.

Só que a vida de um alien na terra tem os seus prós e os contras e Tommy, um cara estranho, desajeitado, branquelo, com problemas com a luz e a gravidade, acaba virando um alcoólatra, viciado em gim.

Entra ganhar milhões, beber muito, transar e tentar ficar bem low profile, Tommy vai construindo uma nave espacial no quintal de sua casa, por assim dizer com uma função bem específica.

O que no livro é super bem detalhado, o filme com sua pegada psicodélica vai nos jogando na cara a história bem doida e bem complicada para ele, muito bem contada e com uma trilha tão linda que dá vontade de ouvir todo dia.

Bowie… Ah o Bowie! Em sua estreia como ator no cinema ele mais uma vez mostra a que veio, não só sendo o astro nos palcos, mas sendo também um belo de um ator que infelizmente não fez tanto filme quanto eu achava que ele deveria ter feito.

O Homem Que Caiu na Terra deveria ficar em cartaz permanentemente numa sessão semanal num cinema “de arte” o resto dos dias, só pra todo mundo se lembrar que um dia, não muito tempo atrás, o cinema nos dava obras de arte absolutamente maravilhosas, ousadas, daquelas que vão mudar o curso do pop e servir de referência para tempos e tempos depois de seu lançamento.

Os 4 novos clipes do Gorillaz de uma vez.

 

Não satisfeitos em lançarem 4 músicas de uma vez essa semana, uma das minhas bandas de cabeceira, os cartoons Gorillaz lançaram juntos os 4 clipes, todos dirigidos pelo Gorilla Jamie Hewlett.

De uma vez.

Hoje.

E hoje tem show “surpresa” dos caras em Londres e logo logo sai o disco inteiro, Humanz.

Bora!

Esse primeiro é terror 360º.

Daí tem mais 3:

83/365 PARIS 05:59: THÉO & HUGO

Paris 05:59: Théo & Hugo é um belo de um filme francês do ano passado que só pra começar, ganhou o prêmio Teddy no Festival de Berlim, dado ao mais importante filme LGBT a passar por lá.

O filme conta a história de Théo e de Hugo, dois caras que se conhecem em uma suruba em um clube de sexo em Paris.

Eles começam a conversar depois que Hugo diz a Théo que a hora que eles transaram ele quis sair de lá e que eles ficassem sozinhos.

Assim eles passam o resto da madrugada pelas ruas praticamente vazias de uma idílica Paris.

Mas o que parece ser a prometida noite de paixão logo vira um pequeno pesadelo quando Théo diz que não usou camisinha quando penetrou Hugo. Ele pira, perde o controle, o chama de irresponsável pra baixo. Mas diz que na verdade ele, Hugo, é HIV+ e não quer causar mal a ninguém, muito menos ao homem com quem ele adorou transar no meio do lugar com as maiores possibilidades de sexo.

Um amor como lótus, nascido da lama do sexo, se pensarmos friamente, logo vira um pequeno pesadelo. Só que mais para Hugo do que para Théo, que vai para o hospital, faz exame imediato, sai de lá com remédios e promessa de volta em 4 dias, depois de ouvir que medicado rapidamente e com a carga viral baixa de seu companheiro, as probabilidades de infecção são baixíssimas.

A noite continua e sim, vai até as 05:59.

O filme não é um Weekend inglês, mas é um primo irmão daquele. O que Weekend tem de obviedades de uma paixonite de um final de semana, Paris 05:59: Théo & Hugo tem de real, na veia e na carne, com muito nu, com câmera na mão acompanhando os 2 pela rua, pelo hospital e onde quer que eles continuam.

O filme francês tem a grande qualidade de ter um par de diretores talentosos que faz com que nossa torcida e a nossa crença no amor dure as quase suas duas horas de exibição.

Ah, pra terminar, esse é o famoso filme que começa com 18 minutos de suruba gay com muito nu, muito pau e muita bunda.

Isso sim é apropriação cultural descarada.

Está para ser lançado o filme Birth of the Dragon, Bruce Lee Movie.

Segundo o release o filme conta a história da legendária luta em 1965 entre o então desconhecido Bruce Lee e o mestre de kung fu Wong Jack Man.

Só que a luta é pano de fundo para a história de um americano looser que se descobre treinando com uns orientais muito doidos, no caso a turma do Bruce Lee.

É meio que aquele filme Stonewall que conta a história da grande revolução gay nos EUA sob o ponto de vista de um loiro heterossexual.

Difícil contar uma história icônica sobre mestres do kung fu através dos próprios orientais? Ou fazer um filme gay através dos próprios gays?

Mais um lixo, né? Pra quê?

82/365 A SANGUE FRIO

Sabe aquele filme Capote, que a gente adora, que o Philip Seymour Hoffman ganhou o Oscar? Então, é sobre o autor do livro que dá origem a esse filmaço, o jornalista Truman Capote, que 1 mês depois do crime real ter acontecido, foi acompanhar o desenrolar do caso ao vivo e sua reportagem, que virou o livro, é considerada a primeira do chamado New Journalism americano.

O filme, dirigido pelo ótimo Richard Brooks, conta a história de 2 ex-presidiários pés rapados que resolvem viajar mais de 400 km para assaltarem a casa de um fazendeiro rico, dica de um outro presidiário, companheiro de cela de um deles.

Só que ao chegarem na fazenda descobrem que não há nenhum dinheiro em nenhum cofre, como disse a dica. E mesmo assim os 2 mataram pai, mãe e os 2 filhos. A sangue frio. Por 40 dólares.

O filme mostra como os 2 assassinos se encontram, conta um pouco da história de cada um, mostra eles fugindo da cena do crime em direção ao México, sempre fazendo uma cagada depois da outra, deixando um rastro bem primário por onde passam até que são presos da forma mais besta possível.

Só então que o diretor conta a história do assassinato e nos mostra o que realmente aconteceu. E a história é mais absurda do que a gente vai pensando ser durante a primeira parte do filme.

No epílogo, o filme vai para o julgamento e condenação e prisão dos 2, contando como eles eram frios e estúpidos e sem remorso, vivendo num mundo a parte.

Brooks tem um trunfo em mãos que são os dois atores principais que vivem os assassinos, Perry Edward Smith (Robert Blake) e Richard “Dick” Eugene Hickock (Scott Wilson).

Acontecido lá no início dos anos 60’s, um caso de matança desses, de matarem uma família por nada, parou o país pela frieza e pela falta de sentido do crime. Em tempos que hoje vivemos, onde a vida não vale mais nada, o filme não choca tanto, mas pensemos isso 50 anos atrás, quando o mundo era absolutamente outro.

No filme vemos muito pouco um jornalista que conversa com o já preso Dick. Ele é a personificação de Capote, que dizem, teve um caso amoroso com o prisioneiro, um pequeno escândalo por si só.

Não é um clássico, não é um puta filme, tem uns pequenos detalhes de “quero aparecer” do diretor Brooks que me irritam um pouco no início do filme, mas é um belo de um filme, uma aula de direção de ator.

81/365 MINHA VIDA DE ABOBRINHA

Vou perguntar de novo: como ninguém me falou desse filme antes do Oscar e eu torci pro Zootopia?

100 OR!

Lindeza é pouco pra esse melancólico e lindo e fofo filme francês que conta a história da vida de um menino, o Abobrinha, que vai morar num abrigo depois de achar que ele matou a mãe.

Lá ele conhece outras crianças que também tiveram problemas em casa e também vivem nesse abrigo.

Só que ao invés do que esperaríamos, de abusos e brigas e falta de amor, o filme conta uma história de inclusão, de aprendizado, de amor sem restrições.

De novo, lindo demais.

Tecnicamente impecável, Abobrinha tem uma direção de arte impressionante, animação absurda, roteiro perfeito e personagens inesquecíveis. O tipo de filme que fica pra sempre.

E separe uns lenços que vão se fazer necessários.